Fellipe Lucena e Thiago Ferri
08/01/2017
07:45
São Paulo (SP)

Capitão na conquista do Brasileiro, Dudu é considerado a representação do torcedor do Palmeiras em campo. Ao LANCE!, ele justifica o motivo: identificado com o clube, o camisa 7 diz que tornou-se palmeirense, assim como sua esposa, Mallu, e os filhos Cauê e Pedro Henrique.

Liderança técnica, o jogador elevou sua importância a partir do momento que recebeu a faixa de capitão de Cuca. No Brasileiro, foi o principal garçom da competição, junto de Gustavo Scarpa, com dez assistências. Isto depois de um momento em que chegou a ser reserva, quando teve suas diferenças com o então treinador. O novo comandante, Eduardo Baptista, já fez elogios ao atleta.

Nesta entrevista, feita antes de Dudu viajar de férias, ele cita a importância do trabalho da antiga comissão técnica para seu crescimento no segundo semestre, a responsabilidade que carrega como capitão para 2017, e seu desejo de manter a função mesmo com a volta de Fernando Prass. Veja abaixo a conversa com o jogador, que no sábado completou 25 anos de idade:

LANCE!: Na comemoração do título da Copa do Brasil sobre o Santos, você chorou muito, mandou recado, e no Brasileiro, já capitão, pareceu mais tranquilo. O que mudou de um ano para o outro?
Dudu: Na Copa do Brasil tinha um peso nas costas pelo que passamos na final do Campeonato Paulista (o time foi vice do Santos, e o atacante deu o empurrão no árbitro Guilherme Ceretta que quase o fez ser suspenso por seis meses), por tudo que falaram do nosso time naquele ano, que a gente não ia conquistar. Esse ano (2016) também falaram muito que a gente era cavalo paraguaio, que a gente não iria chegar, e não nos abalamos. Tínhamos nosso foco, grupo fechado como é hoje, conquistamos o título e estamos felizes por isso. Esperamos continuar aqui, pena que saíram jogadores, nosso treinador. Quem chegar entrará na filosofia do clube para conquistar mais títulos.

L!: Qual o principal legado que o time campeão brasileiro deixa para 2017?
Acho que a garra, né. A determinação, a humildade que tivemos este ano. Esperamos estar focados do mesmo jeito para conquistar coisas maiores.

L!: Depois do título no fim de 2015, veio um primeiro semestre ruim do time em 2016 e você também caiu neste período. O que fazer, coletivamente e individualmente, para manter a pegada do fim de 2016?
Temos que começar o ano bem, desde janeiro, (fazer) uma pré-temporada boa. A gente deixou a desejar um pouco na pré-temporada (de 2016) e isto reflete muito no primeiro semestre da gente. O segundo semestre pudemos recuperar e entrar focado desde o primeiro jogo, contra o Atlético-PR. Tivemos uma mini-pré-temporada boa antes, isto nos ajudou muito. Esperamos que em 2017 a gente entre desde o primeiro dia da pré-temporada focados para conquistar coisas maiores.

L!: Com as trocas da comissão técnica, o que esperar do Palmeiras?
A gente fica triste pelas saídas, do (Gabriel) Jesus, do Cuca, do Alberto (Valentim, ex-auxiliar). Queríamos que o treinador, jogadores seguissem, mas infelizmente no futebol tem momentos que precisa trocar. Infelizmente cada um segue seu caminho e quem fica vai estar comprometido. Quem chega também estará focado para darmos continuidade ao trabalho deste ano.

L!: Por terminar como capitão, você sente que será um dos alicerces para este novo trabalho que começa em 2017?
Acho que sim, quem vai chegar vai saber disso, que a gente já tem um grupo aqui formado, com muitos jogadores guerreiros, que vão para o tudo ou nada. Quem vier que possa entrar nesta filosofia, e que eu possa continuar de capitão, ajudando a equipe a conquistar coisas boas.

L!: Sua relação com o Cuca no início não era muito harmônica, vocês tiveram diferenças, e parece que a situação se resolveu quando ele deu a faixa de capitão. O que falar dele?
A gente nunca teve um atrito, ele me conhece muito bem, foi um dos meus primeiros treinadores, no profissional do Cruzeiro. Fiquei muito feliz de reencontrá-lo aqui. Foram mal-entendidos que tivemos, graças a Deus a gente se acertou e hoje a gente se dá muito bem. Fico triste por ele sair, o Cuquinha, o Eudes (Pedro, auxiliar). Foi um ano bom. Quem sabe um dia eles não voltam para cá? Agora temos de dar apoio ao novo treinador (Eduardo Baptista). Serão trabalhos diferentes, a gente espera que ele faça coisas boas como o Cuca fez.

L: O que mudou para você neste Brasileiro, o que você aprendeu com o Cuca?
Ele me fez voltar mais para ajudar a marcar, virei capitão da equipe e agradeço a ele. Espero em 2017 dar continuidade a tudo que ele me ensinou desde o Cruzeiro, neste ano. Não só ele como Alberto, Eudes e Cuquinha. 

L!: Em 2015, você chegou a falar que antes de ser usado como meia pelo Marcelo Oliveira, tinha de voltar para marcar e chegava 'sem perna' no ataque. Agora você considera que é importante também esta função para tornar-se mais completo?
Acho que sim, a gente devia ser mais competitivo. Com o Marcelo (Oliveira) eu jogava mais na frente, com mais liberdade, e agora tinha mais responsabilidade de voltar para ajudar a marcar. Estou feliz por este momento, como fui no fim de 2015. Não quero deixar para fazer isto só no segundo semestre, mas desde o primeiro dia da pré-temporada.

L!: O que muda a faixa de capitão? A gente percebe você falando mais, é assim com os jogadores, também?
A gente tem que ser espelho em campo para os companheiros. Eles vão ver que se a gente estiver correndo eles vão também correr a mais, vão dar algo mais que a gente sempre pede para conquistar um título e coisas boas. Este ano foi assim. Foi um privilégio ter sido capitão, foi um privilégio ter levantado a taça. Estou muito feliz por este momento no Palmeiras.

L!: No meio do ano passado, você recebeu uma proposta da China e agora a janela está de novo aberta. O que esperar do seu futuro?
Como a gente jogou bem o campeonato, fomos campeões, sempre vão aparecer coisas boas. Estou feliz no Palmeiras, minha cabeça está apenas aqui, deixo para meus empresários resolver. Quero permanecer por muito tempo.

L!: Se por acaso você for embora do Palmeiras, ao menos os seus filhos já viraram palmeirenses?
Ah, não. Aqueles dois ali 'já era', agora é palmeirense. Como eu também, cara. Se um dia eu sair daqui, vou carregar o Palmeiras sempre no meu coração, tenho certeza que se sair vou ter as portas abertas para voltar a este clube que, poxa, me deu carinho. Eu posso falar, de coração, que sou palmeirense, meus filhos também, minha mulher também virou palmeirense. Tenho certeza que vamos carregar o Palmeiras para o resto da vida.