Fellipe Lucena e Thiago Ferri
07/10/2016
07:10
São Paulo (SP)

Cleiton Xavier não é titular do Palmeiras, mas segue capaz de protagonizar lances “mágicos”, como foi classificada por Cuca sua assistência no gol da vitória contra o Santa Cruz, na última segunda, em Recife. Coadjuvante com capacidade de roubar a cena, o camisa 10 entende que tem um novo papel para conquistar o título brasileiro.

– Quando você sai do Brasil e vai jogar no exterior, os times de lá usam muito isso (rodízio). Aqui é meio que cultura, sai de um jogo, pensa que é reserva, fica putinho, quer brigar. Estou tendo a oportunidade de estar em um grupo muito bom. Todos estão assimilando bem isso de jogar ou não, o mais importante é estar preparado para ajudar – analisou o camisa 10, em entrevista ao LANCE!.

Cleiton é o segundo jogador do Verdão com mais assistências no Brasileiro: foram seis, contra nove de Dudu

A função é bem diferente daquela que desempenhou em sua primeira passagem pelo clube. No Brasileiro de 2009, quando o Verdão era líder até a 33ª rodada, os desfalques, entre eles Cleiton Xavier, foram decisivos para que o time terminasse fora até da Libertadores. Aquela campanha foi tema até de conversa no vestiário para evitar que se repita. Com mais opções, ele espera exorcizar este fantasma no dia 4 de dezembro.

– É difícil não pensar, não comentar, o pessoal da imprensa sempre lembra. Até a diretoria tocou neste assunto de 2009, e eu falei: serve como exemplo. Não só questão de elenco, temos de colocar na cabeça, os jogadores têm de assimilar, não deixar subir para a cabeça, manter os pés no chão e focado até a última rodada contra o Vitória, na Bahia. Só assim vamos chegar ao título – avisou o meia.

Durante as 28 rodadas, Cleiton atuou em 23 jogos: 12 como titular, sendo substituído em 11. Ele fez três gols

No treino de quinta, Cuca começou a dar dicas sobre o time que enfrentará o América-MG, e Cleiton Xavier não estava entre os possíveis titulares. Só que o meia sabe que, se precisar mudar o jogo contra um rival que jogará fechado, o técnico irá chamá-lo. E a dez jogos do fim do campeonato, o camisa 10 quer ser útil pelo título, independentemente se como titular ou como reserva.

– Agora é a fase mais difícil do campeonato, estes jogos finais. Temos de pensar jogo a jogo. Se daqui a sete rodadas tivermos ganhado as sete e já tivermos sido campeões, ótimo. Mas enquanto isso temos focar nas dez rodadas – encerrou.

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- Róger Guedes comemorou o gol contra o Santa Cruz "tirando a zica" depois do seu passe. O ato serve para você, também?
Olha, acho que é bom para dar uma moral para a equipe, também. Momento complicado na partida, campo pesado, jogo muito duro, caminhando para o empate. Eleva a moral não só da equipe, mas a minha também. Quem sabe nesta reta final eu consiga ajudar mais.

- Cuca disse que antecipou sua volta antes contra o Santa Cruz. Vocês chegaram a conversar antes?
O Cuca tinha falado comigo na semana. Eu saí por incômodo muscular no adutor, era questão de poucos dias. Fiquei dois jogos fora para precaver, tive uma semana para fazer reforço muscular que estava na minha programação, por ter vindo de vários jogos seguidos, às vezes entrando. O Cuca perguntou se eu estava em condição, e eu disse que poderia contar comigo. Eu falei que se precisasse era lógico que eu ia. Já estava 100%, treinando separado com o Thiago (Maldonado, preparador físico) e com o Magoo (Marco Aurélio Schiavo, também preparador). E ele falou que ia me levar, se precisasse ia entrar. Eu falei para ele contar comigo. Graças a Deus deu certo.

- O time jogou seu melhor futebol com você em campo. Acha que você demorou mais para recuperar o auge?
Foi um processo talvez normal. Difícil manter a regularidade como um todo, tanto que todo o time oscilou neste tempo. Começamos super-bem, o time deu uma caída depois. Tava na minha programação de sair de um ou dois jogos, de alguns treinos para dar reforço e voltar novamente como iniciei o ano com força total. Não só eu, alguns jogadores precisam deste descanso para voltar com tudo. Nosso elenco é muito grande e segue porque às vezes sai um, entra outro e o time mantém uma regularidade.

- Comparando com 2009, o que faltou? Era elenco?
Estava até falando, aquele elenco tinha muita qualidade, mas nesta questão de peças de reposição a gente pecou um pouco de não ter um grupo tão recheado, de variações, opções para o treinador, como em 2009. Hoje o Cuca, até sem substituir ninguém pode mudar o time, outra formação, se quiser um time mais ofensivo, pode pegar até de olho fechado, quem entrar vai dar conta do recado (risos).

- Na reunião que vocês trataram daquele Brasileiro de 2009, você quem falou?
Não fui que toquei no assunto, foi até o Alexandre (Mattos), se não me engano. Uma reunião que a gente tem quase todos os meses, o pessoal se reúne, a direção, o Cuca também, a gente sempre conversa. Batendo papo, para a gente focar e concentrar mais ainda, e chegou no assunto. Como citaram, eu sou o único que permanece aqui. Então, eles tiraram como exemplo para o grupo minha situação de 2009. Não teve nada não, foi mais um alerta.

- Acha que o time está jogando feio? Concorda com quem acha isto?
Cara, lógico que jogar bonito é o sonho de todo mundo, treinador, jogador, diretoria, presidente... mas nem sempre vai jogar bonito. Em alguns jogos precisa de mais marcação, mais força, em um jogo de campo ruim, duro, não dá para jogar bonito, tentar algo diferente. Não, é jogo de força, vou colocar um cara grande na área, vai da necessidade de jogo. Mas, óbvio, se puder juntar o jogo bonito com força, melhor ainda.

- Sempre se espera grandes lances de você. Como lidar com esta expectativa quando entra no decorrer do jogo?
Como eu falei, no mínimo de tempo possível fazemos de tudo para ajudar. às vezes o jogo está difícil, marcação mais cerrada, mas sempre que pode e o Cuca está sendo muito feliz nas substituições, conhecendo o elenco que tem. Ele tem uma visão legal do que está acontecendo no jogo e isto é bacana. Quem está de fora tem de estar preparado para esta situação.

- Dá para esperar que você em 2017 consiga jogar mais?
É a tendência, como eu falei várias vezes quando tocaram no assunto pelo ano passado. Estava em adaptação, fiquei muito tempo fora, isto requeria um tempo a mais, uma preparação melhor. Foi o que aconteceu este ano. Palmeiras passou uma programação, fiquei treinando separado nas férias. Sem dúvida agora na reta final, quando entrarmos de férias, o clube vai passar uma programação, vou tentar ajustar até para tentar voltar melhor.