Peter Sagan

Eslovaco Peter Sagan aproveitou a visita ao Brasil para pedalar na Estrada Velha, em São Paulo (Foto: Divulgação)

Felipe Domingues
27/01/2016
16:20
São Paulo (SP)

Um ciclista de estrada campeão mundial e quatro vezes vencedor em pontos na Volta da França. Essas credenciais poderiam ser o bastante para colocar o eslovaco Peter Sagan como um dos favoritos ao ouro na Olimpíada do Rio de Janeiro, em agosto, não é? Bom, a história não é bem assim. Isso porque o próprio atleta não se considera um dos melhores para essa prova.

Os percursos no ciclismo variam em cada competição, englobando subidas, descidas, pontos de velocidade, e até locais onde a resistência é essencial. No Rio de Janeiro, o caminho para o ouro será íngreme e cheio de altos e baixos, o que não prioriza o estilo velocista do eslovaco.

- Fiz o reconhecimento do percurso olímpico e, na minha opinião, será muito difícil. A parte final será melhor para escaladores, não para mim. A Olimpíada pode ser um grande objetivo meu, mas tem de ser um bom percurso. Nesse ano é muito difícil. Eu posso tentar, mas é muito difícil. Não tenho ambição nos Jogos - comentou o ciclista, em entrevista coletiva em São Paulo.

Porém, Sagan não descarta que possa surpreender nos Jogos do Rio de Janeiro. Isso porque, segundo ele, o ciclismo não é "como o tênis".

Mesmo dizendo que não possui ambições na competição, o ciclista não apontou um favorito à medalha de ouro. Na última edição da Volta da França, principal competição do ciclismo de estrada no mundo, por exemplo, o britânico Chris Froome foi o atleta com o menor tempo total (campeão) e melhor desempenho nas montanhas, enquanto Sagan liderou em pontos (velocidade), o colombiano Nairo Quintana foi o melhor entre os jovens e o francês Romain Bardet venceu na combatividade.

- O ciclismo não é como o tênis, em que você pega a mesma raquete e joga. O ciclismo muda os seus percursos, favorece velocistas, escaladores... É difícil saber quem vai vencer. Ao andar por cinco, seis horas, tudo pode acontecer. Não sei se poderia responder isso (qual o favorito), até porque eu quero ganhar a medalha de ouro - disse.

Pela primeira vez no Brasil, o eslovaco gostou do que viu até agora. Para ele, o cenário do ciclismo de estrada no Rio de Janeiro torna a prova mais bonita, enquanto o trânsito na cidade de São Paulo o assustou.

Inclusive, nesta quarta-feira, a entrevista coletiva com o ciclista atrasou duas horas, já que o atleta ficou "preso" em um tráfego na Marginal Pinheiros, uma das principais vias de acesso na cidade, devido a uma manifestação.

- Estou muito feliz de estar aqui. Ontem (terça-feira) vi o percurso olímpico, e foi muito bom, porque era no Rio e tinha uma bela vista da estrada. Vi o Cristo Redentor, ainda que de longe, mas tudo bem (risos). Na cidade havia muito trânsito. Mas o país, as montanhas, as paisagens são lindas. Quero voltar no futuro, para visitar, e não a trabalho. Em São Paulo, cheguei de manhã, achei o lugar lindo. Vimos a floresta (no Riacho Grande), um rio... Vimos até uma cobra, mas eu odeio essas coisas (risos) - brincou.

Sagan lamenta acidente que vitimou ciclista brasileiro

No Brasil desde o inicio da semana, o eslovaco Peter Sagan chegou ao país justamente em um momento triste para o esporte, com o falecimento do paulista Claudio Clarindo, atropelado enquanto treinava na rodovia Rio-Santos, na última segunda-feira.

Para Sagan, porém, isso é algo que, infelizmente, é comum. Isso porque os ciclistas de estrada precisam se arriscar entre os carros para conseguirem treinar.

- Eu sinto muito por isso (morte de Claudio). Acidentes acontecem. As pessoas que querem andar de bicicleta precisam das estradas. Precisamos nos arriscar entre os carros. Eu já tive vários acidentes com alguns malucos que odeiam ciclistas na estrada, porque somos um problema para eles. O ideal seria termos ciclovias. Mas as pessoas precisam pensar em respeitar umas as outras - comentou o ciclista.