Martine Grael será a primeira brasileira na Volvo Ocean Race

Martine Grael é a primeira brasileira na Volvo Ocean Race. Mas está de saída (Foto: Amalia Infante/Volvo Ocean Race)

Jonas Moura
22/10/2017
14:09
Goiânia (GO)

A caminhada na Volvo Ocean Race da brasileira Martine Grael, primeira mulher do país designada para disputar a volta ao mundo de vela oceânica, deve terminar precocemente, logo após a primeira etapa da competição, entre Alicante (ESP) e Lisboa (POR. Uma disputa jurídica pelo comando do time holandês AkzoNobel causou insatisfação dos brasileiros da tripulação. Joca Signorini já se retirou da equipe. 

Até uma semana atrás, o barco era liderado pelo holandês Simeon Tienpont, idealizador da equipe e responsável pela contratação da campeã olímpica na Rio-2016. Mas ele se desentendeu com o patrocinador e o contrato foi quebrado. A AkzoNobel escolheu para o cargo o neozelandês Brad Jackson, que ficou à frente durante aos últimos dias. Os brasileiros estavam de acordo.

Tienpont, no entanto, entrou na Justiça e ganhou o direito de voltar à liderança a partir deste domingo. Com isso, mandou embora Brad, Joca e o britânico Jules Salter da etapa inicial. O LANCE! apurou que a equipe ficou dividida, e não há clima para a competição. A avaliação de parte da tripulação é de que falta comando no barco. Martine é uma das principais insatisfeitas com o episódio.

- As pessoas perderam a confiança no comandante, e isto é muito grave. Nessas condições, é muito difícil ela continuar -  disse Torben Grael, dono de cinco medalhas olímpicas e pai da velejadora, que criticou o holandês:

-Ele (Tienpont) não tem experiência nenhuma. Não tem liderança nem capacidade técnica.

A largada aconteceu neste domingo para uma perna de 1.450 milhas náuticas até a capital portuguesa. A etapa durará uma semana. A competição percorre ao todo cerca de 83 mil km. Ela passa por quatro oceanos, cinco continentes e para e 11 cidades.

- Ela (Martine) largou em respeito ao patrocinador e aos demais companheiros, mas precisa de muita coisa para essa equipe funcionar. A prova disso foi a largada, que foi péssima, e teve risco de abalroar os barcos. Prejudicou o desempenho e vai prejudicar mais. Ela vai até Lisboa, que é uma etapa curta, em respeito à equipe, mas acho que dali pra frente tem que se pensar muito se vale a pena continuar - completou Torben.

Em um comunicado divulgado pela equipe, Tienpont comentou a situação.

- Foi obviamente um período muito difícil para todos os envolvidos desde que chegamos aqui em Alicante, há 10 dias. Cheguei agora a um acordo com a AkzoNobel e todas as partes agora vão deixar a situação no passado e focar na campanha da Volvo Ocean Race 2017-18.