Luis Fernando Coutinho
31/10/2017
10:09
Rio de Janeiro (RJ)

Embora nove dos 12 brasileiros em ação tenham deixado o octógono com vitória no UFC São Paulo, realizado no último dia 28 de outubro, no Ginásio do Ibirapuera, as derrotas de Demian Maia e Lyoto Machida têm um peso quase que igual. É claro que é bom ver novos talentos vencendo, mas quando os dois principais nomes do show perdem, o gosto amargo reforça um sinal de alerta que está aceso há tempos. A fase do Brasil no UFC não é nada boa.

Para começar, pela primeira vez na história, uma temporada brasileira se encerra sem ao menos um atleta do país vencendo uma luta principal em seu país. Em 2017, foram três shows em solo tupiniquim. E nos três o dono da casa deixou o octógono nocauteado. Vitor Belfort (UFC Fortaleza), José Aldo (UFC Rio) e Lyoto Machida (UFC São Paulo) perderam para Kelvin Gastelum, Max Holloway e Derek Brunson, respectivamente. Se levarmos em consideração que todos os eventos tiveram transmissão pela Rede Globo, o grande público só teve desgosto no ano. Ver três lendas do MMA sendo derrotados em sequência é um golpe duro no coração do fã de lutas. 


E isso vai além do desempenho dentro do Brasil. Ao todo, o país teve oito representantes em lutas principais do UFC neste ano, e apenas a campeã Amanda Nunes saiu do octógono vencedora.

Confira a lista de lutas principais do UFC com brasileiros em 2017:
Março - UFC Fortaleza - Vitor Belfort foi nocauteado por Kelvin Gastelum
Abril - UFC Kansas City - Wilson Reis foi finalizado por Demetrious Johnson
Maio - UFC 211 - Junior Cigano foi nocauteado por Stipe Miocic
Maio - UFC Suécia - Glover Teixeira foi nocauteado por Alexander Gustafsson
Junho - UFC 212 - José Aldo foi nocauteado por Max Holloway
Junho - UFC Singapura - Bethe Correia foi nocauteada por Holly Holm
Setembro - UFC 215 - Amanda Nunes venceu Valentina Shevchenko na decisão
Outubro - UFC São Paulo - Lyoto Machida foi nocauteado por Derek Brunson

Até o momento, apenas três lutas principais com brasileiro estão confirmadas até o fim da temporada. No dia 18 de novembro, Fabricio Werdum enfrenta Marcin Tybura pelo UFC Austrália, enquanto no dia 25 de novembro, Anderson Silva encara Kelvin Gastelum no principal duelo do UFC China. Já no dia 16 de dezembro, Rafael dos Anjos enfrenta Robbie Lawler pelos meio-médios, na luta principal do UFC Canadá. Mesmo que todos vençam, o saldo ainda será negativo. Ao menos é uma chance de nomes expressivos amenizarem a fase que o país vive no octógono do UFC e darem um ar de esperança ao público.

Que fique claro. Em 2017 o Brasil soma diversos resultados positivos e vitórias, mas o fato de existir uma escassez de sucessos em lutas principais pesa muito. Luta principal é luta principal. É a mais esperada, a mais vista, a que mais repercute. Logo, resultados positivos em card preliminar ou nas primeiras lutas do principal não causam o mesmo impacto que o de uma luta principal.

Isso tudo sem contar com o envolvimento de brasileiros em casos de doping. Só nos últimos meses, Junior Cigano e Rogério Minotouro, grandes astros do Brasil no UFC, foram flagrados no antidoping. Isso tudo atinge a credibilidade da modalidade e gera desinteresse no grande público.

Justiça seja feita, Amanda Nunes e Cris Cyborg são nossas campeãs na maior organização de MMA do mundo. Embora não tenham um nome tão expressivo no cenário nacional, dentro do octógono dão conta do recado. E temos também jovem talentos em ascensão em suas categorias. Vale a torcida para que, de fato, um novo astro brasileiro no UFC possa estar a caminho. O caso é urgente, ou a popularidade do MMA no Brasil vai seguir sofrendo golpe atrás de golpe, sabe-se lá até quando.