Coletiva do Internacional

Atletas revelaram desejo de não atuar na última rodada (Foto: Divulgação)

RADAR/LANCE!
01/12/2016
19:55
Porto Alegre (RS) 

Em entrevista coletiva conduzida por Alex e Ceará, uns dos mais experientes do elenco Colorado e acompanhados pelo restante dos atletas em pé ao fundo, elenco afirmou não ter condições de entrar em campo pela última rodada do Campeonato Brasileiro da Série A, contra o Fluminense, no Rio de Janeiro, no dia 11 de dezembro. Segundo os jogadores, tragédia mexeu com todos e desejo e de não atuar contra os cariocas.

O Inter briga contra o rebaixamento no Brasileirão e não depende apenas de suas forças. A equipe precisa vencer o Flu e torcer por tropeço do Sport, que pega o Figueirense em casa, ou para uma derrota de goleada do Vitória contra o Palmeiras, em Salvador. A CBF não irá encerrar o torneio antes da hora.

— A gente quer dizer que se fala muita coisa, mas não se compara situações. O campeonato fica nessa dúvida sobre o que vai ou não acontecer. A nossa manifestação e sentimento real, não tem interesse nem tabela, a gente gostaria de deixar bem claro que, por uma questão de respeito e emocional, não teríamos condições de jogar a última partida. Porém, como somos profissionais, respeitamos leis e regras. Se houver (rodada), lá estaremos para cumprir. Mas nossa opção é de não ter rodada — afirmou Alex.

A declaração aconteceu após Fernando Carvalho falar sobre a "tragédia pessoal do clube", dando fazendo comparações com o acidente envolvendo a Chapecoense. Jogadores manifestaram solidariedade aos familiares e amigos da vítimas. Carvalho deixou claro que era contra o adiamento da rodada deste fim de semana para o próximo.

— Nós nos colocamos no lugar das vítimas e dos familiares, todos aqueles que estavam envolvidos. Pensamos nos familiares que ficaram, que sofrem. Estamos aqui juntos para comunicar e dizer que há esse sentimento comum entre todos. Se houver rodada, disputaremos. Mas deixamos claro que gostaríamos que não tivesse rodada — disse Ceará.

A diretoria do Internacional voltou a aparecer e, mesmo após Carvalho ter reclamado do adiamento, o clube agora apoia não jogar mais em 2016.

- Todos nós fazemos permanentemente estes trechos (de viagem) e isso aumenta sem dúvida a nossa dor. Poderia ser qualquer um. Calhou de ser a Chapecoense. Temos muitos amigos em Chapecó, na própria Chapecoense, que é de colonização gaúcha, com origens aqui. Uma identificação muito grande. Apoio incondicional às vitimas, aos familiares. Todo apoio possível para ajudar o clube a vencer essa situação. Estarei assinando amanhã (sexta-feira) um ofício à CBF encaminhando nosso pedido no sentido que a Chapecoense não seja sujeita ao rebaixamento nos anos 2017, 2018 e 2019. É uma iniciativa dos clubes. Terça temos uma reunião com a Liga Sul Minas Rio e vamos discutir como nós da Liga podemos ajudar a Chapecoense. O sentimento é de perda muito grande. O que nossos jogadores disseram (antes, na coletiva) é isso: se sentem abalados, como todos nós estamos, e que gostariam de não jogar. Seria melhor que não jogassem. O Internacional vai respeitar as determinações. O sentimento é de que não pode mais ter futebol em 2016. Esse é o sentimento. A perda é muito grande. O que abala é que poderia ser qualquer um. A grande maioria dos jogadores do esporte entende isso. Evidentemente que estamos sujeitos às determinações da entidade (CBF). A
proposta é não ter futebol em 2016. O que fazer, como fazer, não sei - disse o presidente do Inter, Vitório Piffero.

Caso este desejo seja acatado, como o Inter está na zona do rebaixamento ao fim das atuais 37 rodadas, isso acarretaria na queda do clube gaúcho. Perguntado sobre isso, Píffero não foi claro em sua resposta e procurou evitar polêmicas, falando que o campeonato estaria "incompleto".

- Não estamos pensando de uma maneira legal. Estamos colocando o sentimento de que não será bom uma rodada nesse clima do futebol brasileiro. Independente da posição e do que possa acontecer. Eu não estou abrindo mão de nada. Só estou colocando o sentimento. O campeonato estaria incompleto. Ninguém botou causa nisso. Um fato lamentável que vitimou a todos. Temos que criar uma coisa nova que traga conforto à toda sociedade. Não podemos lotar estádios Brasil afora com esse clima. Nós vimos a homenagem que o Atlético Nacional prestou, que conquistou o mundo. Aonde que tu vai lotar estádio pra prestar homenagem? Nós no Brasil faríamos isso? Talvez. Eles fizeram uma coisa tão linda, que devemos bater palmas. Eu coloquei um sentimento de dificuldade de realizar a última tarefa decorrente de um fato que abalou a todos. A solução, se tiver que ser essa, sinceramente não sei te dizer, te falo da dificuldade que seria fazer esse último ato, que é o jogo - afirmou.