Atlético Nacional x Kashima Antlers

Árbitro usou recurso de vídeo na semifinal do Mundial de Clubes (Foto: TOSHIFUMI KITAMURA / AFP)

José Luiz Portella
21/12/2016
12:00
São Paulo-SP

Quando é possível retirar os olhos do noticiário triste e farto de desesperança, sobretudo a geração desolada dos nossos filhos que estão nas faculdades sem “esperança de um novo porvir” e que se refugia no celular em busca de uma solução virtual conformada pela individuação que a protege da convivência social, você pode procurar o que é excelência no Brasil.

E perceberá que existe, embora escassa e fugidia. Vamos dar num pequeno arquipélago, algumas ilhas isoladas, em alguns pontos quase um atol, construídos pela capacidade criativa, pela inovação, pela energia que vive encapsulada num país que desperdiça suas melhores chances, seus talentos e os maiores sonhos.

No continente sobram terras com o que temos de pior, que não se atém a um pequeno grupo de malvados ou malfeitores. Contempla uma larga escala de nós mesmos e de atitudes que a nossa sociedade tem ou aceita resguardando os privilégios dos “homens bons” ao voto censitário que restringia o direito de voto, de alguns cidadãos que detinham renda acima de um padrão até as isenções fiscais de hoje.

O futebol faz parte desse todo continental, sombrio, e não do arquipélago de excelências exposto na costa.

Porém, como o ingente e discreto trabalho do mar que altera rochedos que parecem inabaláveis, algumas medidas, ações e iniciativas caminham no sentido da mudança sem que percebamos sua devida importância.

Livros são publicados com novos modelos de constituição e administração para os clubes, como “Futebol, Mercado e Estado”, de Manssur e Monteiro de Castro, “Advocacy: como a sociedade pode influenciar os rumos do Brasil”, da persistente Dani de Castro e outros. O singelo “árbitro eletrônico” transforma-se em realidade e precisa só que os humanos, com suas falhas, aprendam a utilizá-lo.Os clubes apressam-se a entender a importância de ter e gerirem com eficiência seus estádios como geradores de autonomia financeira, afastando-se da conformada resignação aos direitos de transmissão, nomeando gente com muita qualidade conceitual, como Marcelo Frazão, do Flamengo.

O arrecife transforma-se em atol. O atol, se os clubes forem inteligentes, conversarem e constituírem a Liga, virará uma ilha nesse arquipélago parco, da excelência, que este Brasil produz em velocidade menor do que a desejada.

Velhas lideranças, valores arcaicos não somem subitamente como uma reação química instantânea.

Darwin, Freud, Einstein, Copérnico foram antes enxovalhados e desprezados até se firmarem como fabulosos transformadores da humanidade. E foram precedidos por outros heróis anônimos, como Lamarck, cujos papéis não foram reconhecidos.

Navegar é preciso. E viver também. Navegar é irromper. Viver é ter crença e persistência. Colocar mais um tijolo na construção.

Notícias da Premier League

1 - John Law, executivo do Arsenal, concluiu em 2013 uma pesquisa sobre a duração dos técnicos na Premier League.

2 - Desconsiderou os tempos de Arsene Wenger e Alex Ferguson, “hors concours”, casos especialíssimos, nada comuns em outros clubes, o que distorceria o resultado.  Tempo médio foi de 18 meses.

3 - Muitos pensam que é só no Brasil, e se atém a dados isolados. Aqui, vários fatores, inclusive os técnicos que deixam os clubes quando lhes convêm, aguçam os números, porém a tendência pela brevidade é crescente e mundial.
O imediatismo vigente, acelerado pela ansiedade do celular e redes sociais; a agressividade, cada vez maior; torcidas inconformadas, que exigem vitórias sem-fim; o envolvimento mundial de dirigentes com torcidas organizadas; tudo isso gera pressão que instabiliza trabalhos de longo prazo.
Manter o técnico é uma questão que foge do singelo “só querer”. Tem a ver com hábitos.

4 - O Brexit (saída da Inglaterra da Comunidade Europeia) e a revelação da pedofilia, onde clubes eram coniventes, são os dois maiores desafios da mais valiosa liga do mundo. É o que se afirma na Inglaterra.