Espresso

Tenha uma análise crítica do esporte lendo o LANCE! Espresso

Luiz Fernando Gomes
30/10/2017
08:50
São Paulo (SP)

Não passou nem uma semana desde que a diretoria do Corinthians promoveu o encontro que chamou de pacífico e estimulante entre torcedores e jogadores. Ontem, depois de mais uma derrota, a paz, se é que havia, acabou de vez. Muros da sede do Parque São Jorge, na Zona Leste de São Paulo, foram pichados com ameaças aos jogadores, "Vagabundos" e "Ou joga por amor ou por terror!" eram algumas das mensagens. Ao presidente Roberto de Andrade e sua trupe só resta usar tinta branca para apaga-las. E proteger os jogadores.

Como já se viu outras vezes – a invasão do CT em 2014 foi o momento mais crítico – para que essas ameaças se tornem atos concretos de vandalismo é um pulo. Ainda mais sendo o Palmeiras o próximo adversário. Ao fazer demagogia e abrir as portas para organizadas – certamente de olho no processo eleitoral do clube – Andrade deu alimento a lobos vestidos em pelo de cordeiros. Agora, além dos problemas em campo, tem mais um para lidar. Que aprenda a lição.

Olhar para frente


Depois do apito final, ao contrário do que ocorre habitualmente, os jogadores do Corinthians não partiram direto para os vestiários, mas se reuniram no centro do gramado e conversaram por cerca de dois minutos. Líderes do elenco, como o lateral-direito Fagner e o zagueiro Balbuena, falaram muito sobre união e comprometimento nos sete jogos finais do Brasileiro.

O técnico Fábio Carille relatou que o clima no vestiário foi de "cabeça erguida" porque "todos lutaram muito". Isso até é verdade, entrega não faltou. Mas o nervosismo, definitivamente, tomou conta do clube. O próprio treinador, tradicionalmente tranquilo em suas avaliações, já demonstra o quanto tem pesado a pressão. Irritou-se com jornalistas retrucando o óbvio: a má fase de Rodriguinho e Jadson e o desequilíbrio emocional de alguns jogadores em campo. Elogiou o próprio trabalho – "ainda é um ano maravilhoso para mim" – e o desempenho do time, atribuindo ao goleiro Aranha, da Ponte, a derrota. Mas a situação que assusta o Corinthians vai muito além do jogo de ontem. Nada está perdido, claro. Mas é preciso focar no futuro para reagir, pois não é mais possível usar o passado, o primeiro turno brilhante, como escudo para esconder a má fase, Qualquer que seja o resultado de Palmeiras x Cruzeiro, hoje à noite, a gordura acabou.