Marquinhos - PSG

Marquinhos é um dos principais nomes do elenco do PSG (Foto: AFP)

Bernardo Cruz e Bruno Cassicci
15/04/2016
07:10
Rio de Janeiro (RJ)

Corinthians, Roma (ITA) e Paris Saint-Germain (FRA). Passagem pela Seleção principal e olímpica. Um currículo de jogador com bastante vivência no futebol, certo? Mas o zagueiro Marquinhos conquistou essa bagagem toda com apenas 21 anos e no início de sua promissora carreira.

O defensor, um dos destaques do atual tetracampeão francês, não se intimidou com a ida precoce para a Europa. Fez seu nome, conquistou respeito e cobiça de grandes clubes. O Barcelona seria um deles.

Em entrevista ao LANCE! por telefone, Marquinhos falou sobre o seu momento na França, a eliminação nesta semana do PSG da Liga dos Campeões, as críticas recebidas por David Luiz e Thiago Silva e principalmente sobre Seleção principal e olímpica.

Você foi muito novo para a Europa. Mesmo assim não teve problemas de adaptação. Qual foi o principal fator para se firmar de forma imediata?
Sempre quando tenho uma oportunidade e um objetivo na minha vida mergulho de cabeça. A minha vinda para a Europa foi uma situação planejada com minha família e meu empresário. Na época foi escolha muito boa. Não é fácil a adaptação e a primeira saída do Brasil é a mais complicada. Vivi o momento intensamente e aproveitei as oportunidades.

Qual a importância do seu período na Roma para sua estabilidade no PSG?
A bagagem que eu trouxe da Roma foi fundamental na minha chegada aqui no PSG. Foi na Itália onde meu nome cresceu, ganhei respeito e fiz minha transição de promessa para realidade. Fiz um bom campeonato e o PSG me apresentou o projeto que me encantou. E esse ano na Itália foi importante para chegar aqui, neste grupo de grandes jogadores, e encontrar meu espaço. Estava pronto para subir um degrau na minha carreira.

Marquinhos - Roma (foto:AFP)
Marquinhos foi bem na Roma e chamou a atenção do PSG

O PSG conquistou o tetra com muita antecedência. É correto afirmar que no cenário nacional o clube está realmente na frente dos demais?
Procuramos responder esse tipo de pergunta dentro de campo. Mas por tudo que estamos conquistando, pelo investimento feito e consequentemente o nosso elenco qualificado o PSG vem em um momento de conquistas. É um clube que na minha opinião está no Top-5 do mundo. Com isso estamos um pouco acima dos demais clubes da França dá mesma maneira que o Lyon já teve esse posto, o Olympique também.

Por falar no Lyon, já se fala na França na possibilidade de o PSG superar os sete títulos seguidos deles?
Ainda não. É claro que faz parte de um projeto ambicioso aqui. O PSG é muito respeitado, mas ainda há muito o que fazer para chegar em sete títulos seguidos. Já conseguimos quatro e estamos em um bom caminho se a tendência seguir assim. Existe uma permanente qualificação do elenco, da estrutura e isso é importante.

Desde a chegada do investimento qatari o PSG voltou a ser protagonista na Europa. Nos últimos anos cresceu muito em cotação para o título da Liga dos Campeões. Na sua visão o que falta para chegar ao patamar de Barcelona, Real e Bayern de Munique?
Não coloco no momento o PSG no patamar desses três times por toda a história deles e conquistas. Falta o clube ganhar uma Liga dos Campeões se confirmar cada vez mais no topo seja por disputar finais ou semifinais. Isso fará com que se construa uma história de elite nesta competição e ai sim poderia se igualar com esses clubes. A experiência que se conquista na Liga dos Campeões é muito importante nesse nosso projeto.

Ficou um gosto amargo pela eliminação para o Manchester City? Se sim como não deixar o ânimo cair para a disputa da Copa da França e da Liga?
Nessa temporada o nosso maior objetivo era a Liga dos Campeões. Depois do jogo com o City todos ficaram tristes com o resultado, até pelo fato do potencial da nossa equipe. Mas não merecemos a classificação, pois se decide em detalhe, sobretudo nos gols sofridos em casa. Não estivemos no melhor dia e agora é tirar aprendizados e continuar nesse crescimento nesta competição na próxima temporada. Agora é manter o foco nas conquistas nacionais que estamos disputando.

O Blanc foi um grande zagueiro. Que dicas ele te passou nesse tempo em que é seu treinador? Qual a principal virtude dele?
Ele vem conseguindo gerenciar muito bem o elenco. É o homem de confiança de todos aqui, onde ninguém tem nada para falar. Está fazendo um ótimo trabalho, com resultado. Para nós do sistema defensivo é bom ter alguém que já atuou na posição e sabe as dificuldades que enfrentamos. Sempre que possível ele conversa conosco, troca experiências. Foi um grande jogador, com Copa do Mundo no currículo. Tem muito respeito.

Uma curiosidade dos fãs é saber como é o Ibrahimovic entre vocês. Ele é um cara mais tranquilo ou é aquilo que todos assistem dentro de campo?
O Ibra é tranquilo, de personalidade forte dentro e fora de campo. Se quiser te dar conselhos ou falar sobre alguma coisa, ele chega e faz. É um grande jogador, que respeitamos muito. Estou feliz pelo que ele já ajudou e por poder atuar ao lado dele. Não só ele, mas o elenco como um todo é muito bom, sem intrigas e positivo. Existe claro aquela disputa sadia de competição pela vaga. Mas procuramos crescer juntos.

'Não posso me contentar apenas em estar na Seleção. Sonho alto. Respeito muito o trabalho dos zagueiros que estão lá, mas sempre lutando pelo meu espaço. E isso também depende do meu desempenho no meu clube', disse Marquinhos

O PSG possui muitos brasileiros no elenco. Como é a rotina de vocês? Costumam se reunir muito no tempo livre?
É bem legal. A rotina é boa, nos vemos sempre nos treinos, mas procuramos também nos reunir nas horas vagas. Fazemos churrasco aqui, sai para jantar ou mesmo realiza passeios. Então é uma amizade muito boa entre nós brasileiros e isso acaba ajudando, sobretudo quando você trabalha longe de casa.

Mesmo sem a confirmação dos nomes que vão defender o Brasil na Olimpíada é possível ter ideia de alguns, entre eles você. Vendo que esses jogadores são titulares em grandes clubes da Europa dá para dizer que a Seleção tem o grupo mais forte para a competição? Somos favoritos ao ouro olímpico?
Sabemos da força do Brasil no futebol. Quando a Seleção disputa qualquer torneio existe essa pressão de ser um dos favoritos pela qualidade dos jogadores e pelo que representa para o esporte. Ainda mais na Olimpíada, que terá o fator casa, e queremos trazer o torcedor para o nosso lado. É muito bom jogar em casa e já tive a oportunidade de sentir isso recentemente. Vamos fazer uma boa preparação, acabar antes em alto nível a nossa temporada aqui na Europa, para conseguir alcançar esse sonho da conquista olímpica. Espero que tenha chegado a nossa vez.

Por já estar há anos na Europa, jogar competições importantes e frequentar há tempos as Seleções, se coloca como um dos líderes do elenco olímpico?
Procuro sempre me colocar à disposição e pegar minhas responsabilidades. Pela bagagem, por estar atuando em uma grande equipe e já sendo convocado pelo time principal vou me colocar como líder com o maior prazer. Tentarei ajudar o máximo com muita disponibilidade e responsabilidade. Será uma competição muito difícil, que pode ocorrer altos e baixos. Então nesse momento é importante ter aquele jogador com bagagem, com passagem pela Seleção principal e contribuir dentro e fora de campo.

Um dos mais renomados da lista, Marquinhos integra também a Seleção principal do Brasil
Marquinhos em ação no duelo contra a Venezuela  (Foto: NELSON ALMEIDA/AFP)

Como você analisa as críticas ao David Luiz? E a ausência do Thiago nas últimas convocações, apesar dos números dele na campanha do PSG?
Existe uma responsabilidade quando se atua como zagueiro. Então a vida do jogador do sistema defensivo pode ir do céu ao inferno em questão de segundos. Os dois são extremamente profissionais, amantes do futebol. Continuam trabalhando, cientes de como funciona a vida de zagueiro e acostumados com a responsabilidade. Na vida tudo pode acontecer e por isso querem restabelecer a confiança deles.

Acredita ser importante a presença de um defensor acima de 23 anos, para dar mais confiança e segurança ao setor?
Essa escolha é meio delicada. Serão três jogadores importantes dentro da competição que virão com um papel de liderança e para carregar junto com outro grupo a responsabilidade de buscar o ouro. O treinador vai trazer atletas da confiança dele, que ele acha que serão importantes independente de posição.

Buscar o ouro inédito no Brasil pode ajudar ou criar uma pressão ainda maior sobre a equipe olímpica? Acredita que os resultados recentes nas Eliminatórias tenham reflexo na cobrança da torcida?
É importante você saber gerir essa situação. Qualquer aspecto negativo que exista precisa ser transformado em positivo e que sirva de motivação. Em todas as competições que o Brasil disputa vai existir as cobranças, mas é preciso saber lidar com isso.

Qual impacto acredita que haverá na troca de comando entre Micale, que passará a ser um dos auxiliares de Dunga, que assume o time olímpico? Já houve alguma conversa com o grupo sobre isso?
Não teve esse tipo de conversa. Também não sei como isso está sendo gerido na Seleção olímpica. Até porque no futebol a gente precisa pensar muito no presente e se motivar com isso.

Se você pudesse ter o poder da decisão e só pudesse levar o Neymar para uma competição. Seria a Copa América ou Olimpíada?
Escolher é difícil. Todo o jogador quer participar de competições. Ainda mais com a camisa da Seleção. São duas competições importantes. Essa bomba vai acabar nas mãos do Dunga e do Gilmar. Eu não saberia escolher (risos).