Mário Boechat
08/06/2016
07:50
Guangzhou (CHN)

A boa dupla de ataque com o atacante Fred, no Fluminense, rendeu propostas para Alan, então com pouco mais de 20 anos de idade. Uma delas foi aceita pelo jovem, que se transferiu para o Red Bull Salzburg, da Áustria. O jogador teve um começo difícil na equipe, mas logo ganhou protagonismo - mesmo com uma séria lesão no joelho - e foi cogitado para jogar na seleção do país.

No entanto, segundo o brasileiro, seis meses foram suficientes para ele não atuar pela Áustria. Isso porque ele ficou quatro anos e meio atuando no Red Bull Salzburg e, com cinco, estaria apto a adquirir o passaporte europeu. Mas aceitou a proposta do Guangzhou Evergrande e acabou deixando o país.

- No começo, foi muito difícil. Primeiro pela língua, que é totalmente diferente. Minha adaptação foi muito difícil, nos primeiros seis meses quase não joguei, o frio no começo me atrapalhou bastante. Por pouco não me tornei um cidadão austríaco. Por mais seis meses eu pegaria o passaporte europeu. A princípio, só faria o passaporte para jogar pela seleção. Tudo começou por um convite deles e por isso aceitei fazer o passaporte. Mas faltaram seis meses e eu não consegui por ter aceitado a proposta para jogar na China.

Durante este período, uma lesão grave no joelho direito tirou o jogador dos campos por quase um ano e meio. Alan revelou que temeu pelo futuro de sua carreira.

- A minha volta após a grave lesão que eu tive foi muito importante, pois muita gente duvidou que eu voltaria a jogar. Tive uma lesão muito grave no joelho, que normalmente o jogador fica seis meses fora, mas eu fiquei um ano e cinco meses parado. Foi um momento muito difícil, no qual eu ouvi de muita gente que eu não voltaria mais a jogar. O meu retorno aos gramados foi muito marcante - disse o brasileiro, que foi artilheiro da Liga Europa na temporada 2014/15.

Alan - Red Bull
Alan foi artilheiro da Liga Europa (Foto: Reprodução/RB Salzburg)

Alan não teve a chance de jogar a fase de grupos da Liga dos Campeões. Em mais de uma oportunidade, o Red Bull bateu na trave, parando na última eliminatória. Para o jogador, é uma frustração não ter atuado no torneio. Mas o fato de ter ouvir o hino da competição já garante o ingresso.

- Disputei apenas a qualificação, mas sempre o Red Bull Salzburg bateu na trave. Mas é a competição que os europeus mais dão importância. Por três anos seguidos, a gente ficou no 'quase'. Chegamos na última rodada da fase preliminar. Só de sentir um clima, escutar o hino da Champions, isso é sensacional. Pena que não consegui entrar na fase de grupos.

O jogador falou ainda sobre a estrutura que encontrou no time austríaco. Alan revelou que a tendência é que a equipe consiga melhores resultados em âmbito continental e fez um alerta sobre o RB Leipzig, clube alemão que conseguiu o acesso à Primeira Divisão do país e que também é de propriedade da Red Bull.

- A estrutura do time é fora do comum. Das equipes nas quais joguei, nunca vi uma estrutura como a do Red Bull. A liga austríaca não é tão conhecida, mas o meu time investia muito, era bastante estruturado, e os torneios nos quais disputávamos, sempre dávamos trabalho. Eles pensam muito grande. Como exemplo, o RB Leipzig, que acabou de subir para a Primeira Divisão da Alemanha. A empresa é muito grande e o dono é muito ambicioso. Ele quer conquistar muita coisa e acredito que ele possa conseguir.