Domenico Scala - Fifa

Scala não faz mais parte do Comitê de Ética da Fifa (Foto: Fabrice Coffrini / AFP)

LANCE!
14/05/2016
19:08
Zurique (SUI)

A Fifa teve uma baixa importante neste sábado. O suíço Domenico Scala, responsável pelo processo de reformas na entidade depois do escândalo que acarretou na saída de Joseph Blatter da presidência em 2015, renunciou ao cargo. A decisão do dirigente foi tomada em forma de protesto por acreditar que tenha perdido autonomia de suas funções.

Scala avalia como interferência a nova resolução tomada na última sexta-feira, durante congresso na Cidade do México. A medida garante ao conselho da Fifa, antigo comitê executivo, liderado pelo presidente Gianni Infantino, o poder de demitir os membros do Comitê de Ética, auditoria e conformidade, que incluem o próprio Scala, o juiz Hans-Joachim Eckert e o investigador Cornel Borbely.

O Comitê de Ética foi fundamental para a exclusão do quadro da Fifa de vários cartolas acusados de corrupção, incluindo Blatter, o ex-secretário-geral Jerome Valcke e integrantes do comitê executivo.

- A medida enfraquece um pilar central da boa governança da Fifa e destrói uma conquista substancial das reformas. Vai ser possível para o Conselho impedir investigações contra membros individuais a qualquer momento, ao tirar o poder dos membros do comitê ou por mantê-los submissos através da ameaça de demissão. Os comitês estão de fato privados de sua independência e sob risco de se tornarem agentes auxiliares daqueles a quem eles devem realmente supervisionar - afirmou Scala.

A Fifa aceitou a saída do dirigente e lamentou que a medida tenha sido mal interpretada. Segundo a entidade, por meio de comunicado oficial, a mudança possibilita o afastamento de algum cartola que tenha violado suas obrigações sem ter que aguardar até o próximo congresso.

- O conselho respeita integralmente a independência dos comitês de auditoria, conformidade e ética, e quaisquer sugestões em contrário são sem mérito. O senhor Scala tem feito alegações infundadas. A Fifa está focada na reforma e o caminho a seguir como evidenciado pela nomeação de um novo secretário-geral - disse a entidade, referindo-se à nomeação da senegalesa Fatma Samba Diouf Samoura, de 54 anos, para o cargo.