Alejandro Domínguez, presidente da Conmebol (Foto: CLAUDIO REYES / AFP)

Alejandro Domínguez, presidente da Conmebol (Foto: CLAUDIO REYES / AFP)

Igor Siqueira
14/07/2016
07:40
Rio de Janeiro (RJ)

A Conmebol pagará em 2016 US$ 108,7 milhões (cerca de R$ 355 milhões, na cotação atual) aos clubes referentes à cota de participação nas duas principais competições sul-americanas: Libertadores e Sul-Americana. Depois de muita reclamação dos dirigentes e da renovação do contrato de direitos de transmissão, o aumento é de US$ 38,3 milhões (cerca de R$ 125 milhões) em relação a 2015. Isso representa um percentual de aumento na casa dos 54%.

A curva de aumento de grana destinada aos clubes se completou com o anúncio do crescimento das cotas da Sul-Americana. De um ano para o outro, a Conmebol vai distribuir US$ 13,3 milhões (R$ 43,5 milhões) a mais, totalizando US$ 31,8 milhões (R$ 103,9 milhões).

No aumento da Libertadores, anunciado no fim do ano passado, a Conmebol passou a pagar US$ 76,9 milhões por edição aos clubes (R$ 251 milhões), aumentando a bonificação em US$ 25 milhões (R$ 81,7 milhões).

- Este ano, comparado com o ano passado, estamos falando de um aumento muito grande. Isso fala às claras que estamos dando 75% das receitas vindas com cada Copa, Libertadores e Sul-Americana, de volta aos clubes em forma de prêmio - disse o presidente da Conmebol, Alejandro Domínguez, antes do sorteio dos grupos da Sul-Americana, em Santiago.

A constatação óbvia é que individualmente os clubes terão a oportunidade de faturar mais. O campeão da Libertadores pode faturar até US$ 7,65 milhões (R$ 25 milhões), caso tenha iniciado a competição da primeira fase, como foi o caso do São Paulo.

Já o campeão da Sul-Americana, competição na qual o Flamengo já está confirmado, pode faturar R$ 12,8 milhões. Mas os brasileiros, que já entram na segunda fase, ganham US$ 250 mil a menos, podendo arrecadar, em caso de título, R$ 12 milhões.

LIGA SUL-AMERICANA VAI CONTINUAR BRIGANDO

Os aumentos das cotas de participação na atual temporada não foram suficientes para acalmar os dirigentes dos clubes, que estão a ponto de oficializarem a criação da Liga Sul-Americana de Clubes, que será um meio de unificar o canal de negociação com a Conmebol e levar à entidade as demandas referentes às competições do continente.

O embrião se deu na Argentina e no Paraguai, com apoio dos uruguaios. Reuniões com a cúpula da Conmebol chegaram a acontecer, por exemplo, em Luque, em janeiro. Os brasileiros entraram na história a convite dos vizinhos.

O estopim foi a série de escândalos envolvendo dirigentes da Conmebol, especialmente depois da prisão do então presidente Juan Ángel Napout, em dezembro de 2015, em Zurique. Isso trouxe a realização de novas eleições.

Na terça-feira que vem, em Montevidéu, há um encontro marcado para formalizar a criação da Liga Sul-Americana, cuja inspiração é a Associação Europeia de Clubes (ECA, sigla em inglês).

- É uma agenda quase que obrigatória. Os clubes têm consciência do valor, de sua importância e têm que ser remunerados por isso, O movimento vai acabar rendendo o resultado que a gente espera - disse o presidente do Flamengo, Eduardo Bandeira de Mello, um dos 12 brasileiros que estarão no bloco.