Bruno Cassucci e Rodrigo Vessoni
28/09/2016
07:35
São Paulo (SP)

Superstição e futebol caminham juntos, ainda mais em um clube de “loucos”, como o Corinthians. Números, coincidências, amuletos... é tudo válido, ainda mais em um mata-mata como o da noite desta quarta, quando o Timão enfrenta o Cruzeiro, às 21h45, na Arena, em partida de ida das quartas de final da Copa do Brasil. Para os alvinegros que creem que os jogos não se explicam só por aspectos técnicos ou táticos, há motivos de sobra para crer na classificação. Mas também para duvidar de um final feliz em 2016.

Os corintianos otimistas lembrarão que o sete, número místico, apareceu nas conquistas da Copa do Brasil do clube. Foi de sete em sete anos que o Timão conquistou as três taças que tem. Tudo começou em 1995, com a primeira taça. Depois, com um time brilhante, o bi saiu em 2002. O tri, diante do Internacional, aconteceu em 2009. Seguindo essa lógica cabalística, em 30 de novembro deste ano os alvinegros estarão em festa pelo tetracampeonato.

Entretanto, há também coincidências negativas. E esta com um histórico muito maior, de quase cem anos. Afinal, quase todo corintiano supersticioso deve saber que anos terminados em seis não costumam ser bons. Pelo contrário. Teve tropeço para o rival São Paulo em 1946, perda do título nacional em 1976, crise e fim da parceria com a MSI em 2006... A fase agora não é boa novamente, com o desmanche da equipe hexacampeã no ano passado, a saída de Tite e outros percalços, mas o clube tenta quebrar a escrita negativa.

isso, o Corinthians tenta voltar a retomar o bom desempenho em Itaquera, após duas derrotas em oito dias, e largar em vantagem diante dos mineiros. O técnico interino, Fabio Carille, mostra confiança.

– Temos um grupo bom, sabemos onde estamos e onde queremos chegar. Não vamos dar preferência a nenhum, jogaremos os dois com a mesma seriedade de sempre [...] Contra o Fluminense o Corinthians mostrou entrega, sem bola marcou bastante, e queremos cativar o torcedor para que ele volte ao estádio. Creio que o público será melhor e vá empurrar o tempo todo porque é um jogo decisivo, mata-mata, e torcedor do Corinthians nunca deixou de apoiar, ainda mais nesses momentos – disse o treinador alvinegro.

Além do “tira-teima” das superstições corintianas, estará em jogo no duelo contra a Raposa o desempate do confronto entre as equipes na Copa do Brasil. O Timão eliminou o Cruzeiro nas edições do torneio de 1991 e 2002, ambas nas oitavas de final, mas foi derrotado em outras duas vezes: 1996, nas quartas, e 1998, nas oitavas. Agora, não importa o amuleto ou a crença, o que vale é a classificação!

TÍTULOS DA COPA



1995
Primeira conquista do torneio nacional veio em grande estilo: de forma invicta, com oito vitórias e dois empates. Equipe não reconheceu o Grêmio de Felipão, Paulo Nunes e Jardel e venceu as duas partidas finais.

2002
Sete anos depois, bicampeonato com sete vitórias, dois empates e duas derrotas. Equipe de Parreira encarou na final a supresa Brasiliense, que vendeu caro. Vitória na ida, por 2 a 1, e empate em Brasília (1 a 1).

2009
O tricampeonato veio, outra vez, sete anos depois. Com Ronaldo cumprindo seu papel de peça fundamental, a equipe de Mano Menezes obteve cinco vitórias, quatro empates e uma derrota. Na final, o Internacional de Tite.

ANO FINAL SEIS



1916

Um dos poucos anos de final 6 com mais notícias boas do que ruins. Liga Paulista veio com louvor no ano.

1926
Sem nenhum título nos dois torneios disputados. Ano fica menos ruim porque marcou a compra do Parque São Jorge.

1936

Apesar de não ter tido derrotas neste ano, o time perdeu a decisão, ocorrida no ano seguinte diante do rival Palestra.

1946
Corinthians ganhou 18 dos seus 20 jogos no ano, mas não ficou com o título. São Paulo, campeão, foi algoz nos duelos.

1956

Apesar da Taça dos Invictos (25 jogos), título paulista não veio. Envelhecida, equipe terminou apenas em terceiro.

1966
O apelido ‘Timão’, dado por um jornal pela chegada de Mané Garrincha, foi o momento bom. Equipe naufragou.

1976
Apesar de o ano entrar para história pela Invasão de 70 mil no Maracanã, a equipe perdeu a final do Brasileiro.

1986
Sem os galácticos do ano anterior, o time faz bons papéis no Estadual e também no Brasileiro, mas nada de título...

1996

Título do Ramón de Carranza, na Espanha, foi consolo para quem sonhava com a Libertadores. Sem título no ano.

2006
Ano marcado pelo fim da parceria com a MSI e o adeus de Tevez. Equipe não brigou por títulos. Só coadjuvante...