André Negão e Andrés Sanchez

André Negão e Andrés Sanchez, que foi o gerente das obras da Arena, em registro de 2013 (Foto: Reprodução)

Bruno Cassucci
24/03/2016
06:10
São Paulo (SP)

Suspeito nas investigações da Operação Lava Jato de ter recebido R$ 500 mil em propinas da construtora Odebrecht em razão das obras da Arena Corinthians, o atual vice-presidente do clube, André Luiz de Oliveira, não possuía nenhum cargo no clube em 23 de outubro de 2014, quando o pagamento teria sido realizado. Mesmo assim, o conselheiro conhecido como André Negão costumava se fazer presente nas obras do estádio de Itaquera e monitorava até visitas ao local.

Segundo relatos ouvidos pelo LANCE!, André Luiz fazia visitas frequentes à Arena Corinthians mesmo antes de ser eleito vice-presidente do clube, no início de 2015, na chapa de Roberto de Andrade. O aliado político de Andrés Sanchez ia ao estádio "fazer política", segundo depoimentos, apresentando a Arena para sócios e até levando pessoas da comunidade que poderiam trazer votos para Andrés Sanchez, candidato a deputado federal eleito em 2014.

- Eu ia ao estádio como qualquer corintiano? Que diferença faz? - indagou o vice-presidente do Timão, ao LANCE!, antes de reiterar que não sabe por que seu endereço consta em planilha de pagamento de propinas da Odebrecht.

Apesar de estar sempre em Itaquera, André Negão jamais ocupou qualquer gerência ou superintendência, e nem participou de reuniões referentes à construção do estádio. Pessoas envolvidas na obra também relatam que ele nunca requisitou material ou abordou responsáveis pelo canteiro da Arena Corinthians para pedir ou mandar algo.

O conselheiro só assumiu a vice-presidência do clube 107 dias depois da data em que teria recebido a suposta propina da Odebrecht. Antes disso, o único cargo que ele havia ocupado era a direção administrativa do clube, entre os anos de 2007 e 2012, justamente sob o comando de Andrés Sanchez.

André Negão é braço direito de Sanchez, que foi o dirigente responsável pelas obras da Arena Corinthians a partir de 2012, quando deixou a presidência do clube. A obra foi entregue em 2014, recebeu a Copa do Mundo e mais de 60 jogos oficiais do Corinthians desde então.

Entretanto, a Arena Corinthians ainda não é considerada concluída pelo clube, apesar da Odebrecht já ter sentenciado que está tudo pronto e não trabalhar mais no local desde outubro de 2015.

O Corinthians, inclusive, contratou uma auditoria completa em relação às áreas de elétrica, hidráulica, TI e infraestrutura total da Arena Corinthians, além de ter solicitado o Relatório de Acompanhamento da Obra das empresas de arquitetura para confrontação entre o contratado pelo clube e o efetivamente executado pela construtora - há divergências, e o Timão pediu esclarecimentos. Além disso, o Corinthians ainda não assinou o Certificado de Aceitação Final da Obra (CAF) da Arena, o que significa dizer que a obra não foi, inclusive contratualmente, dada por concluída.

A estimativa de pessoas envolvidas na construção é de que a Odebrecht não tenha realizado obras previstas no projeto original da Arena que custariam em torno de R$200 milhões. Mesmo assim, o gasto total extrapolou o orçado e chegou a R$ 1,1 bilhão.