Corinthians - São Paulo (Foto: Miguel Schincariol/Lancepress)

Corinthians tem fôlego para crescer após seu hexacampeonato (Foto: Miguel Schincariol/Lancepress)

Alex Campos*
25/11/2015
13:07
São Paulo (SP)

O Corinthians acaba de entrar para o seletíssimo "Clube do Hexa" e já quer sentar na janelinha! Claro que pode, deve e merece!

Como é natural depois de um título de campeão, o Corinthians sai maior do Brasileirão 2015, mas com uma grandeza ainda em ascensão, ainda com fôlego para crescer - diferente da tendência a murchar após a consagração, como já se viu inclusive com o São Paulo e o Flamengo, os outros "hexa".

Além do bom futebol (que não está em jogo aqui, diretamente), o que difere entre a perspectiva do Corinthians e a dos demais é a mudança de mentalidade, não só na gestão administrativa, mas também na gestão da marca - antes, sabidamente poderosa; hoje, efetivamente poderosa e lucrativa (sim, mesmo levando em conta os prejuízos de 22 milhões de reais em 2014 e de 12 milhões de reais em 2015, causados em grande parte pela dívida do financiamento da Arena, 400 milhões de reais junto ao BNDES... veja a seguir).

O São Paulo escolheu retroceder na gestão administrativa, e o Flamengo escolheu avançar na gestão financeira (o que é muito bom, porém com possibilidades de resultados de mais longo prazo).

A escolha do Corinthians pela gestão comercial e do marketing foi um acerto mais imediato porque focou de modo mais imediato na força que o "produto" já tem: sua marca.

A diretoria do Timão, com ajuda do timão da DM9DDB, percebeu que já tinha marca, produto e história... e que só precisava embalar e "vender" melhor tudo isso - tudo isso que já existe no DNA, no coração e na alma do bando de loucos.

É óbvio que tudo isso - que também pode ser resumido como "paixão" - vale para os outros torcedores. O mérito do Corinthians foi ter literalmente capitalizado melhor e mais rápido esses ativos que, a bem da verdade, estão ao alcance de qualquer clube com marca, produto, história e loucos.

Daí que, além de novos títulos, estão nos planos do novo hexacampeão, finalmente perto de fechar, um contrato milionário de "naming rights" para o lugar de "Arena Corinthians" ou do popular "Itaquerão". Esse dinheiro extra vai ajudar na quitação do empréstimo do BNDES e na realização de superávits, em vez de déficits, já a partir de 2016.

A diretoria também botou na cabeça que vai tornar o time o maior do mundo em sócios-torcedores, até o final de 2017. Nesse caso, o clube terá que suar mais a camisa. O título atual é do português Benfica (com mais de 270 mil sócios-torcedores), seguido pelo alemão Bayern de Munique (quase 240 mil) e o inglês Arsenal (quase 230 mil). No Brasileirão, essa modalidade é liderada pelo Internacional de Porto Alegre (quase 150 mil), com o próprio Corinthians de vice (130 mil), tecnicamente empatado com o rival Palmeiras (127 mil).

A ambição alvinegra legítima acima faz parte de outra ambição viável, que é a internacionalização do Corinthians - mais um desafio no processo de construção da marca que, para ser atingido, precisa ser perseguido com obsessão consistente e vocação permanente. A vantagem é que nenhum time nacional está mais perto dessa condição do que o Corinthians.

Também estão nos planos enxugamentos de projetos de pequeno e médio portes e concentração nos grandes contratos de licenciamento (a meta aqui é de 5 milhões de reais).

Com todos esses esforços de exposição e visibilidade, somados a uma temporada bem-sucedida na Libertadores, não será surpresa se o Corinthians fechar o balanço de 2016 com receitas de mais de 100 milhões de reais - outro recorde para o clube que já detém o maior valor de marca no Brasil e na América (1 bilhão de reais, inéditos).

Nada mau para um clube que nem sequer tem dentro de campo um ídolo de referência (como Fred, no Fluminense, ou Rogério Ceni, no São Paulo... dois ótimos garotos-propagandas, ou senhores-propaganda, já à beira da aposentadoria compulsória).

Por tudo isso, muito mais e todo o resto, para esse novo Corinthians, a Lua de São Jorge é o limite!

​(*) Jornalista, colunista de Economia da Rádio JBFM (RJ) e titular da Academia Nacional de Economia (ANE)