LANCE!
06/10/2016
08:00
Rio de Janeiro (RJ)

Enérgico e participativo. Seja passando alguma instrução ou pressionando o quarto árbitro, Jair Ventura não para quieto à beira de campo. O estilo polido e calmo não combina com o comandante alvinegro, que não descansa na área técnica até passar todas as instruções necessárias ao atletas do Botafogo.

Esse estilo intenso de comandar o time na beira do campo vem desde os seus trabalhos na base. Segundo Ventura, para otimizar os resultados, é necessário orientar e auxiliar os jogadores sempre que possível. Mas não existe uma receita. Cada técnico com a sua característica. Para provar sua tese, Jair cita o trabalho do multi-campeão Sir Alex Ferguson no Manchester United.

– Sou muito competitivo. Meus amigos e família sabem que eu não gosto de perder nem par ou ímpar. Gosto de ganhar tudo. Mas eu sei perder. Tivemos jogos ruins, que eu fui lá e cumprimentei o treinador. Sempre fui assim na beira do campo, desde o sub-20. Busco jogar com o time. É o meu jeito. O Ferguson ficava no banco o jogo todo no Manchester e ganhou tudo. Cada técnico com sua característica. Eu tenho a minha. Sempre gritando e buscando orientar.

Além de jogar junto com o time, Jair Ventura tem outra particularidade na beira do campo: as anotações em sua agenda. Elas servem para guardar observações e instruções para passar ao grupo. Lembra um pouco a prancheta do folclórico Joel Santana, que também já teve três passagens pelo Botafogo na carreira.

– Na verdade, eu anoto só no primeiro tempo. São algumas coisas que vamos anotando para não perder, para passar os atletas. Tem detalhe que perde, então anoto e falo com os atletas – conta o técnico de 37 anos do Botafogo.

Nos treinos, os métodos adotados pelo comandante também são elogiados pelos jogadores. Desde a simulação de situações do jogo até a postura tática e técnica da equipe em campo. O aspecto emocional é outro ponto positivo:

- Quando você escolhe a profissão, tem que ter responsabilidade. O Jair disse "Seja bem-vindo", deu tranquilidade. É o mais importante. Foi uma conversa sadia, transparente, de olhar no olho e ter confiança. Ele me deu confiança já na primeira conversa no clube – destaca Alemão, o camisa 4 do Glorioso.

Esse estilo é uma mudança no comando do Botafogo em relação ao que acontecia no primeiro semestre. O estilo de Ricardo Gomes, que deixou General Severiano para ir para o São Paulo, era bem diferente. Gomes era reconhecido como alguém mais calmo e observador à beira do campo.

Diferença de estilos na beira do campo: Ricardo Gomes x Jair Ventura


Ricardo Gomes
O ex-comandante do Botafogo e atualmente no São Paulo tinha um estilo mais comedido. Não era de reclamar da arbitragem no decorrer dos seus jogos. E tampouco de gritar e passar muitas instruções aos seus comandados nas partidas. Preferia levar para o vestiário e buscar resolver nele os problemas do time. Um estilo mais calmo e moderado na beira do campo.

Jair Ventura
O oposto. Participativo, Jair Ventura busca chamar a atenção dos atletas e se movimenta muito na área técnica dos estádios. Enérgico, o comandante já destacou que seu estilo é mesmo de não ficar parado e chegou a lembrar de trabalhos anteriores. Como auxiliar de Ricardo, já era possível ver Jair Ventura conversando e passando instruções aos atletas do elenco do Botafogo.