Campello - Vasco

Vasco ainda tem salários atrasados e tenta formas de não aumentar a dívida (Foto: Rafael Ribeiro / Vasco da Gama)

Luiza Sá
26/03/2020
06:00
Rio de Janeiro (RJ)

Ainda não é possível projetar qual será o impacto exato da pandemia do novo coronavírus no futebol. Não só pelas mudanças no calendário de todos os campeonatos, mas também na parte financeira. Por isso, os clubes começam a tentar imaginar as mudanças naquilo que havia sido projetado antes da paralisação. No orçamento votado para 2020, o Vasco calculou uma receita bruta de cerca de R$ 324 milhões e um superávit de R$ 154 milhões. Esses números devem mudar.

Mesmo sem fazer previsões mais precisas por ser um cenário sem precedentes, é possível olhar quais áreas podem ser impactadas pela paralisação e que vão culminar em uma receita menor do que a prevista. A projeção de bilheteria (R$ 20.382.361,00), por exemplo, pode ter um impacto, já que ainda não se sabe como vão ser os modelos das disputas dos campeonatos quando retornarem.

Além disso, a venda dos direitos dos jogadores (estimada em R$ 46.916.100,00) também pode não acontecer. Isso já vinha sofrendo um impacto desde a fratura de Talles Magno, considerado o maior ativo do clube. Com o futebol parado, é improvável que alguma situação avance pelo menos neste primeiro momento. Esse é o mesmo caso da expectativa de arrecadação com o mecanismo de solidariedade (R$ 17.195.000,00) já que o mercado está quase parado.

Com marketing, envolvendo patrocínio, permutas, loterias e licenciamento, o Vasco projetou arrecadar, no total, R$ 10.960.000,00, tendo um superávit de R$ 9.478.477,96. Vale lembrar que a Azeite Royal já rescindiu o contrato com o clube, assim como fez com os outros três grandes do Rio e o Maracanã. Outros patrocinadores podem seguir o mesmo caminho futuramente dependendo de como ficará a economia nas próximas semanas.

Sócio-torcedor ainda gera debate

Clube com maior programa de sócios do país, o Vasco projetava arrecadar R$ 43.975.121,08 dos associados, além de R$ 4.578.993,38 com os sócios estatutários. No entanto, há dois agravantes neste momento. Primeiro, os números já tinham tendência a diminuir ao fim dos seis meses de desconto nos planos dados durante a promoção de "Black Friday" no fim do ano passado. Depois, sem jogos, muitas pessoas podem desistir de pagar o programa.

Esta segunda opção abrange, principalmente, dois fatores. O primeiro, não há uma forma de aproveitar os benefícios do programa, especialmente porque no sócio do Vasco, as principais vantagens estão ligadas ao acesso às partidas. Em segundo lugar, caso a quarentena siga por dois, três ou mais meses, uma parcela significativa da população terá uma redução renda mensal. É natural que, no corte de gastos, o sócio-torcedor seja um dos primeiros a cair.

Isso tudo afetará diretamente na forma como o Vasco buscará recursos para tentar pagar as dívidas e manter os salários pagos. Para o elenco, o clube deve agora os meses de janeiro e fevereiro. Alguns ainda recebem direitos de imagem, que não são pagos desde setembro de 2019. Os funcionários ainda tem em aberto dezembro (para quem recebe acima de R$ 1,8 mil), férias, janeiro e fevereiro. Este último mês venceu no último dia 20, conforme acordo interno no clube. Para a Justiça do Trabalho, porém, já existe a dívida desde o quinto dia útil de março.

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