Tiago Camilo: 'Nunca nem pensei em não ir a Londres'
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Desde a medalha de prata conquistada nos Jogos de Sydney-2000, ainda aos 18 anos de idade, Tiago Camilo acostumou-se a estar sob os holofotes, sempre cotado como provável medalhista brasileiro em torneios de nível internacional.
Agora, 12 anos mais maduro e com mais uma medalha olímpica na galeria (bronze em Pequim-2008), a experiência fez com que ele mudasse a estratégia para os Jogos de Londres.
– Em nenhum momento eu quis chamar a atenção. Eu já fui muito estudado e a gente paga um preço por isso. Você vem de uma sequência de vitórias antes da Olimpíada e chega marcado – disse o judoca, ao LNET!.
Apesar de ter se mantido sempre na zona de classificação olímpica, sua forma de trabalhar neste ciclo poderia ter cobrado um preço alto.
Até a última competição estabelecida pela Confederação Brasileira (CBJ) para obter pontos para o ranking, Tiago Camilo poderia ter sido superado por Hugo Pessanha e ficado fora da Olimpíada britânica.
Em Dusseldorf (ALE), onde a definição da vaga ocorreu, Camilo não lutou devido a uma lesão sofrida no Grand Slam de Paris, em fevereiro.
Sem ter mais o que fazer para obter sua classificação, Tiago acompanhou a queda do parceiro de Seleção na categoria até 90kg, o que assegurou sua presença na Olimpíada.
A despeito da tensa disputa, ele refutou torcida contra Hugo, nervosismo ou algum outro sentimento que seria comum nesta situação:
– Minha cabeça nem chegou a pensar na hipótese de não ir para Londres. Eu só tinha o plano A, que era o de ir para a Olimpíada. Não havia plano B. Tudo que tracei com os meus técnicos, meu clube, em termos de classificação, foi cumprido.
Passado o fim do turbulento processo classificatório, Tiago quer fazer aquilo que menos teve tempo de praticar nos últimos meses: treinar.
Com inúmeras competições em sequência, a fim de somar pontos para o ranking mundial, só agora ele poderá aprimorar algumas questões de ordem técnica e física. Basicamente, se "lapidar" para Londres.
Uma dessas lacunas está na questão do peso. Antes de Pequim, Tiago lutava na categoria até 81kg. Agora, está uma divisão acima, até 90kg. Isso faz com que ele tenha um pequeno déficit de força em relação aos seus principais rivais nos médios.
– Agora, vou ter um período que eu não tive desde que subi de categoria. Tem muita coisa a ser feita até a minha luta em Londres – afirmou.
Tiago Camilo, em entrevista exclusiva ao LANCENET!
'Tenho plenas condições de ganhar a terceira medalha'
Como foi essa disputa com o Hugo Pessanha pela vaga olímpica? Qual o balanço que você faz disso?
Foi muito desgastante. Tive de competir bastante para conseguir a vaga. Houve um desgaste muito grande física e mentalmente, também. Mas tudo caminhava bem, até a lesão no Grand Slam de Paris (FRA). A classificação por ranking é justa, mas desgastante.
Nesta rotina de competições, você deve ter abdicado de muitas coisas nos últimos tempos, não?
Desde 1997, quando vim para São Paulo, eu abri mão de muitas coisas. Então a gente deixa de comer de tudo, deixa de sair, de ter uma vida social intensa... Neste ano, por exemplo, meu treino no dia 31 de dezembro terminou só às 21h.
Quando você se lesionou, vinha em uma sequência muito boa de resultados. Acha que conseguirá retomar essa forma até Londres?
Eu vou chegar bem à Olimpíada. No ano passado, fiz competições muito boas, como na Holanda e no Pan-Americano. Então, eu sei o nível a que eu posso chegar. Você tem de ser realista e saber que não vai ganhar todas as competições e aprender com isso. Eu fico melhor a cada torneio, a cada derrota. Tudo isso faz parte de uma preparação completa.
Após Pequim, em 2008, você disse que gostaria de se tornar o primeiro judoca brasileiro com medalhas em três categorias diferentes. Você se sente preparado para isso?
Eu acredito que tenho plenas condições de ganhar a minha terceira medalha. Ser campeão olímpico? Aí é outra coisa. Envolve o aspecto tático e físico mas, principalmente, o aspecto psicológico. Eu sei que tenho condições de ganhar uma medalha, mas isso vai depender da minha preparação. Vou ter um período de treino que eu ainda não tive.
A questão do seu peso, que você precisa ganhar, ainda atrapalha? Quanto você está pesando hoje?
Eu estou com o peso entre 88,5kg e 89kg. Mas, nas competições em que eu fui melhor, eu estava pesando mais do que isso. Não sei se é coincidência, mas esse é um dos aspectos que tenho de melhorar.
Você pensa em seguir lutando até os Jogos do Rio, em 2016?
Eu vou continuar até 2016. A questão de lutar lá ou não é outra coisa. Eu tenho uma Olimpíada daqui a cinco meses, e o foco está lá. Depois, vou traçar meus novos objetivos, e um deles é lutar até 2016.
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