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'Temos uma nova estratégia, e está dando certo', diz brasileiro sobre antidoping no Pan

Dia 01/03/2016
03:33

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É um brasileiro quem comanda o controle antidoping no Pan de Toronto. Eduardo de Rose, membro da Agência Mundial Antidoping (Wada), também é o presidente da comissão médica da Organização Desportiva Pan-Americana (Odepa). Todos os 1.500 exames que serão realizados nos jogos canadenses, direta ou indiretamente, passarão pelo médico gaúcho. 

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Nesta sexta-feira, De Rose participou de uma entrevista coletiva para anunciar os quatro primeiros resultados analíticos adversos, sendo três jogadores de beisebol, e uma pesista do México. Outros dois atletas (um deles o americano Patrick Mendes, mas que competiu pelo Brasil no levantamento de peso) também tiveram casos revelados, o que já joga este número para seis. 

Em entrevista ao LANCE! por telefone na noite desta sexta-feira, De Rose não mostrou preocupação com o alto número de casos, sendo que o Pan está chegando à sua metade. Apesar disso, 1.150 dos 1.500 testes já foram realizados, seguindo uma nova orientação da Wada.

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O especialista em controle antidoping também explicou o motivo de três dos quatro atletas flagrados até agora no Pan serem do beisebol, e disse que a nova estratégia adotada de exames recomendada pela Agência Antidoping Mundial parece estar dando certo.

Confira abaixo a entrevista:

LANCE!: Até agora, já foram divulgados seis casos de doping no Pan. Em entrevista coletiva nesta sexta-feira, você teria dito que está preocupado com o número.
Eduardo de Rose: Isso não é verdade. Quem disse isso foi um jornalista lá. Eu não estou preocupado com isso. Nestas competições, a proporção de resultados adversos é de 1% em relação ao número de exames, é a média em grandes eventos. E não chegamos a esse número ainda. Não estou preocupado.

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L!: Mas dois comitês olímpicos também divulgaram casos (um deles brasileiro, o COB, referente ao caso do pesista Patrick Mendes).
ER: Oficialmente, são quatro casos até agora, que divulgamos hoje (sexta-feira). Não posso confirmar demais resultados.

Eduardo de Rose é membro da Wada e presidente da comissão médica da Odepa (Foto: Divulgação)

L!: Grande parte dos exames antidoping do Pan já foram realizados (1.150 de 1.500 no total), e ainda estamos na metade do evento. Por que adotaram esta estratégia? É algo recente em competições?

ER: Sim. Em janeiro deste ano a Wada (Agência Mundial Antidoping) orientou que dois terços dos exames em grandes eventos sejam feitos antes ou no início dos Jogos, e boa parte deles fora de competições. A Vila dos Atletas abriu no dia 4 (de julho), e as provas começaram no dia 11. Neste período, fizemos cerca de 500 testes. 

L!: Você acha que esta estratégia está dando certo aqui no Pan de Toronto?
ER: Estou achando que sim. Baseando-se nos resultados, estamos tendo números mais expressivos (de resultados positivos) do que em eventos anteriores. No controle antidoping em uma competição, a parte de inteligência tem um peso muito grande. Existe uma concentração de inteligência, hoje temos muito mais do que antes. Conseguimos mais precisão nos testes desta forma do que quando é aleatório.

L!: Nesta parte de inteligência, vocês estão focando em modalidades ou atletas específicos?
ER: Com certeza. Não posso dizer quais são, até por uma questão da inteligência em si. Mas focamos nosso trabalho sim em determinadas áreas em que há um histórico.

L!: O Pan de Toronto está sendo realizado bem próximo a um dos mais renomados laboratórios antidoping do mundo, que é o Instituto Armand Frappier, em Montreal. Essa proximidade ajuda?
ER: Este é o meu sonho dourado. Diariamente, enviamos dois carros por dia por via terrestre a Montreal com material coletado. A proximidade ajuda bastante, e estou trabalhando com a Dra. Christiane (Ayotte, responsável pelos exames antidoping no laboratório desde 1991), que é uma das melhores. Estou como uma mosca no mel por causa de tudo isso.

L!: Dos quatro casos já divulgados, três foram no beisebol. Por que a maioria dos resultados positivos foi nesta modalidade?
ER: O beisebol é um esporte "arriscado". Boa parte dos atletas atuam nas grandes ligas (como a MLB) e lá o controle antidoping é bem diferente. Então essa possibilidade de resultados positivos existe.

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