Robinho: 'Santos tem 100% de chance de ser tri mundial'

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Véspera de Milan (ITA) e Barcelona (ESP) – que acabaria com vitória do time espanhol, por 3 a 2, no dia 23 de novembro –, pela fase de grupos da Liga dos Campeões. No rígido esquema europeu de entrevistas, falar com algum dos dois clubes, um dia antes do clássico, seria quase impossível. Exceto por Robinho.
Direto da concentração do Milan, o Rei do Drible atendeu o LANCENET! com exclusividade. E não cumpriu o tempo combinado para a entrevista: de 15 minutos, o bate-papo pulou para 40.
Descontraído, o craque não fugiu de nenhuma pergunta, revelou detalhes de conversas com Neymar antes do "fico" do craque e cravou: aposta no tri Mundial do Santos, até mesmo em uma provável final contra o Barça.
LANCENET!: Você mudou a história do Santos com o título de 2002?
Robinho: Sim, aquele grupo deu uma renovada. Lembro que não tinham muitos garotos jogando, depois de 2002 passamos a ter uma influência boa. O Santos sempre foi assim, os grandes times tinham atletas da base: Pelé, Juary, minha geração e a do Ney e Paulinho (Ganso).
L!: Qual a sua parcela de contribuição para o momento atual?
R: Ajudei, não sei quanto. Sempre que o Santos investiu na base deu resultado. Se está bem hoje, tenho minha parcela de contribuição.
L!: O Santos tem chances de ser tri?
R: Tem 100% de chances de ser campeão. Se passar para pegar o Barcelona, tem um excelente time, com jogadores diferenciados: Neymar, Elano e Paulo Henrique. Não tem time imbatível. O Barcelona pode ganhar de todos, mas também perder.
L!: Então, concorda com o Muricy, que quer o Santos no ataque...
R: Tem que jogar. Um time que ataca muito, quando pega um que joga igual, tem dificuldade, pois fica vulnerável atrás. Tem que marcar bem o time deles, não dar espaço aos mais criativos, mas jogar também.
L!: O que se comenta na Europa sobre essa eventual final?
R: Falam que será um grande jogo, mas apostam no Barça, por ser europeu. Sempre tem uma desconfiança, pois acham que no Brasil é mais fácil. Mas aposto no Santos.
L!: Com que frequência você fala com o Neymar? E sobre o que?
R: Quase todos os dias. Nosso papo é de mulher (risos). Falamos de tudo, principalmente agora no fim do ano, pois queremos fazer um jogo beneficente. Quando ele faz gol, eu digo "coisa linda", e quando eu voltei marcando, ele também disse "ae neguinho, voltou voando", mas o resto deixa em off (risos).
L!: O lado do Daniel Alves é o que o Neymar mais pode aproveitar?
R: Ele bate muito (risos). Os dois se conhecem. Não tem vantagem para ninguém. Já falei para ele que quando tinha Real e Sevilla (ex-clubes de Robinho e Daniel Alves), era porrada o jogo inteiro, e ele disse: "Eu sei". Será um bom duelo.
L!: Neymar aprendeu o que com a sua passagem no Santos em 2010?
R: Ele é um jogador espetacular, tem um dom de Deus, mas o que passei foi para ele atuar com personalidade, não se jogar muito, porque quando se joga não te respeitam, e não se intimidar. Só que ele já nasceu pronto. Fui uma boa influência para ele e para os outros.
L!: Você falou do conselho de não se jogar, algo que não lhe afetou, mas sim ao Neymar. Ele melhorou, mas reconhece. E o Messi cai menos?
R: Reconhece, até porque ele também é muito magrinho. Se puder ficar em pé, é sempre melhor. Tentar ao máximo para dar um drible. Depois, você sofre faltas e não marcam, pega fama de cai-cai e é ruim. O Messi é mais forte fisicamente do que o Ney. Por isso ele não cai.
L!: Em entrevista ao LANCENET!, o Muricy disse que acha a mudança de direção do Neymar mais espetacular do que a do Messi. Concorda?
R: Acho que não, os dois têm igual. O Messi pega a bola e vai numa velocidade grande. Ele é muito mais rápido com a bola, que acompanha toda a sua mudança de direção. Talvez o Muricy não tenha visto tanto ele, mas os dois são iguais nisso.
L!: Por ser ídolo do Neymar, você teve influência no "fico" dele?
R: Não tive, foi uma opção dele. Não me perguntou, mas sempre comentei como era aqui, falei para ele as coisas boas e ruins da Europa.
L!: Diferentemente de você, ele preferiu dizer não ao Real Madrid e ficou. Foi uma boa decisão?
R: São momentos e situações financeiras diferentes. Na minha época, talvez não. Economicamente, foi uma boa decisão. Ele está perto de todos, mas só o tempo vai dizer se tomou a decisão certa. Se fosse hoje, eu também ficaria. O Brasil vai sediar a Copa em 2014. Quando eu estava aqui, a Europa era vista com outros olhos. O Real tinha os galácticos: Zidane, Ronaldo e Beckham. Tomei a decisão certa naquele momento, e acho que ele também.
L!: Concorda com Zico, Ronaldo e outros que dizem que para o Neymar crescer, ele deve sair, ou ele pode fazer carreira no Brasil?
R: Acho que dá, mas ele não será visto pelos europeus como Ronaldo, Ronaldinho Gaúcho e outros brasileiros que fizeram história. Os brasileiros jamais vão esquecer da genialidade do Neymar, mas os europeus vão duvidar sobre se jogou bem. Dá para fazer carreira no Brasil, que está bem financeiramente.
L!: Se o Neymar perguntasse a você sobre se ele deveria ir para o Real Madrid, o que lhe diria?
R: Falaria que pode ir, pois é um excelente time, paga bem, mas lógico que falaria as coisas ruins. Nem tudo são flores. Quando se cogita o nome do Real, pensam que é a melhor coisa do mundo. Você chega lá fora e é uma cultura diferente. Ele é gênio aqui e quando não estiver tão bem vai continuar em campo. Lá não. Tem Cristiano Ronaldo, Benzema e outros. O Mourinho olha para o banco e tem vários caras bons.
L!: E se perguntasse entre Real Madrid e Barcelona, qual indicaria?
R: Barcelona, com certeza, pelo estilo de jogo dele, que se encaixa muito mais com o do Barça. Não há vaidade entre os jogadores. No Real, para o jogador na cara do gol tocar a bola é complicado (risos). O Barça não. Parece que acolhe muito mais.
L!: O Ganso deve se recuperar totalmente no Santos, para depois voltar a pensar em Europa?
R: Ele tem plenas condições de jogar na Europa. É tão gênio como o Neymar, mas teve lesões muito cedo. Há poucos meses falavam do Ganso com frequência, perguntavam se gosta de balada, e quando perguntam assim é porque estão afim de contratar. Após a lesão, esfriou. Não quero deixar os santistas tristes, mas se tiver que jogar aqui comigo e os brazucas, será um prazer.
L!: Você volta ao Peixe em 2012?
R: O Santos sempre será um clube pelo qual eu tenho um carinho especial, por tudo o que passei. Meu coração balança sempre que cogitam de voltar, mas estou muito bem no Milan. Feliz, jogando e sendo útil ao time, que é o principal. Agora, é muito difícil voltar para o Santos, o Milan não esboçou nenhuma vontade de que eu saia. No momento difícil, brasileiro tem personalidade. Daqui a três meses, já quer voltar, pela Seleção, Copa do Mundo, fica puto e quer vazar, só que hoje é difícil. Mas não impossível.
L!: Um caminho seria estender um ano do seu contrato e trazê-lo por empréstimo de um ano...
R: Tem que conversar com o Milan, não quero polêmica, tenho contrato até o meio de 2014. Isso não foi proposto até agora, mas tudo vai de uma boa conversa.
L!: Então, o negócio seria possível mais para o meio de 2012?
R: Exatamente, isso se conseguir. É difícil, mas como o presidente já me trouxe do (Manchester) City, não desacredito de mais nada (risos). Se tivesse brigado, tudo bem, mas com o treinador dando moral, difícil.
L!: Você ainda tem o sonho de virar o melhor jogador do mundo?
R: Para ser melhor do mundo, o jogador tem que estar bem e cair em um time que está ganhando tudo, porque aí é mais fácil. Se não, fica mais difícil. O sonho existe, mas não é obsessão.
L!: Você ainda fala com o Diego? Algum dia a dupla volta?
R: Falamos sempre. Ele quer ficar na Europa até os 70, só quer ganhar dinheiro (risos), já falei que tem de voltar. É um dos meus sonhos jogar não só com ele, mas com aquele grupo de 2002. Tomara que a gente consiga reunir aquele Santos.
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