Prata em Atlanta-96 no basquete, Miguel Ângelo relembra conquista

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Miguel Ângelo da Luz carrega no peito a prata conquistada na Olimpíada de Atlanta, em 1996. Ao menos, simbolicamente. Na ocasião, o treinador não ganhou medalha (apenas jogadoras recebem a honraria), mas sua mulher lhe deu um pingente em forma de bola de basquete que não deixa seu pescoço. Para ele, a origem da campanha olímpica começou dois anos antes, no Mundial da Austrália.
- Em 1994, fomos desacreditados para o Mundial. Quando falei que o Brasil seria campeão, ouvi uma risada geral - disse o técnico do Tijuca, que disputa o NBB, ao lembrar que o país era azarão nas bolsas de aposta quando levou o título sobre a China.
No caminho para Atlanta, a Seleção se manteve em alta. O objetivo era subir ao pódio. A partida contra a Itália, na primeira fase, marcou a
campanha. Sem poder contar com a Rainha Hortência, que havia torcido o pé, o Brasil chegou aos últimos minutos em desvantagem. Na armação da jogada decisiva, Miguel optou por uma infiltração com Janeth em vez de Paula e obteve a vitória: 75 a 73.
Após campanha quase perfeita, a medalha veio, apesar do revés na decisão para os Estados Unidos, por 111 a 87. Como aquele foi o último evento antes da Cerimônia de Encerramento, Miguel lembra que a final atraiu muitas atenções.
O que pouco se recorda é que um fato quase atrapalhou os planos olímpicos do comandante: a vontade de Hortência de ser mãe. Houve o temor de que ela não pudesse jogar.
- A Hortência foi mãe antes dos Jogos. É o sonho de qualquer mulher, não poderia falar para ela adiar. No início pensei que não ia dar, e fiquei com medo - afirmou.
Na Olimpíada de Barcelona, quatro anos antes, a Seleção terminou na oitava colocação. O treinador explicou o motivo do "salto":
- O elenco foi reformulado, montamos um time jovem - concluiu.
BATE-BOLA
MIGUEL ÂNGELO DA LUZ
Treinador da Seleção prata em 1996
Você imaginou chegar invicto à última partida contra os EUA?
Sim. Em qualquer jogo vou achar sempre que vou ganhar e vou ficar louco se perder. Na Olimpíada, falei que íamos para a final. Fizemos um jogo apertado no primeiro tempo, aí as nossas jogadoras começaram a querer jogar de igual para igual, e não deu.
Qual foi o fato mais marcante?
A união do grupo foi fundamental. A gente sabe que às vezes time feminino tem algumas complicações, mas não teve um problema de indisciplina. Discuti muita tática com elas. Não teve vaidade.
Houve algum tipo de frustração após a derrota na final?
Eu me lembro que chorei muito, porque a gente foi muito criticado. Foi uma conquista. Eu me lembro até da cena: elas no pódio, todas felizes, com as medalhas de prata.
Como técnico, você não recebeu medalha. Sente falta?
Faz, sim. As pessoas falam que sou campeão mundial e medalhista olímpico. Mas eu não tenho para mostrar. O importante é que ficou para a história. Isso ninguém tira.
A conquista em Atlanta foi mais importante do que a do Mundial?
Foi. Olimpíada é Olimpíada. Eu não tenho tatuagem, mas, se eu voltar a disputar uma Olimpíada, vou fazer os arcos olímpicos no meu corpo, para você ver o valor que dou aos Jogos Olímpicos.
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