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Petkovic: 'Se transformou num momento único na vida de muita gente'

Flamengo x Vasco 2001 (Foto: Arquivo)
imagem cameraFlamengo x Vasco 2001 (Foto: Arquivo)
Dia 27/10/2015
21:28

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L! Entrevista: Próximo do adeus, Pet abre o jogo

27 de maio de 2001. De um lado da arquibancada, a torcida do Vasco apreensiva. Do outro, a do Flamengo, que tinha nos pés de Petkovic a última esperança de sair do Maracanã com o título estadual de 2001. Minuto 43, falta. Momentos antes de ir em direção à bola, o camisa 10 procurou se isolar. Não ouvia mais nada. Só se deu conta do gol com a vibração dos rubro-negros, eufóricos com o terceiro gol.




Há dez anos, Petkovic marcava o gol mais importante de uma geração, um dos mais emblemáticos da História do Campeonato Carioca. O terceiro gol deu o terceiro título consecutivo da competição sobre o maior rival. Até hoje a boa lembrança está viva na memória dos rubro-negros. Para o sérvio, parece que foi ontem o título.

- Naquele momento não tinha a mínima noção da importância do gol. Mas depois de tanto tempo, vi que o gol de transformou num momento único na vida de muita gente. Da minha também. Foi o trampolim. Craques muito melhores do que eu não tiveram um momento tão marcante - lembrou Petkovic.

A semana que antecedeu o jogo foi muito conturbada. O Flamengo tinha de reverter uma vantagem de dois gols. Dois dias antes, Petkovic não se concentrou. Estava decidido a não jogar a final porque a diretoria o devia meses de salários. Sorte é que Wilsão, amigo do gringo, e flamenguista, o convenceu a jogar pelos torcedores. A experiência de Zagallo foi fundamental para o time não se abater naquele momento.

- Cheguei a chorar de alegria vendo a torcida gritar. Jamais vou esquecer. Vibrei muito nas conquistas da Copa de 1958, a primeira do Brasil, de 1970 e no tri do Flamengo em 2001. Foram conquistas marcantes - garantiu o Velho Lobo.

Confira o infográfico do gol de falta:


MAIS SOBRE O GOL DO TRI:
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SEMANA DA DECISÃO

Naquela semana que antecedeu o jogo, depois de termos perdido a primeira partida, aconteceu muita coisa. Mas quando chegou no sábado, nós estávamos confiantes. Decidimos que íamos dar o máximo e ainda dava para levar.

AMEAÇA DE NÃO JOGAR

Na sexta-feira, eu não iria jogar. Eu nem fui para a concetração. O Flamengo, para variar, faltou o compromisso obrigatório de nos pagar. Depois do primeiro jogo, tinha prometido que ia pagar. Pagou todo mundo, menos eu. Falaram que iam pagar dois salários porque me deviam mais do que os outros jogadores. Aceitei, mas não pagaram. Chegou a sexta feira e briguei, falei que não iria e não fui para concetração.

SALVADOR DA PÁTRIA

O Wilsão (amigo), grande flamenguista, falou para mim algumas coisas. Ele disse como a torcida ia ao jogo, o que a Nação esperava de mim. Disse que eu era a maior esperança deles. E ele me convenceu. Ele me levou para a concetração depois da meia-noite de sexta-feira. Aí, mudou tudo e aceitei a jogar. E fiz o máximo.

PÉ FORA DA FORMA

Cobrei três faltas antes. Uma foi por cima, outra o goleiro pegou e outra foi na barreira, bateu no Torres, quando ia pro gol. A quarta acabou dando no que deu.

QUASE DEIXOU O CAMPO

Pedi para o Zagallo tirar o Beto porque ele estava machucado e não aguentava mais jogar. Ele fazia a diferença pela raça, pela vontade e correria. E naquele momento que estávamos correndo atrás, ficamos praticamente com um jogador a menos. Eu falei para o Zagallo: "Tira ele ou eu saio". E ele tirou o Beto. Eu falei para o Beto:"Saia, irmão, chega." Ele parecia um Saci, estava com uma perna só."

Nada modesto, Pet disse que o gol foi marcante, mas não é o único fato que o coloca na História do futebol:

- Também marquei o gol mais rápido do meu país, com 4 segundos.

O lance mais incrível dos últimos dez anos no futebol é inexplicável. Mas Pet tentou descrever a cobrança.

- Simplesmente me concentrei e imaginava a trajetória da bola. Onde ela tinha que passar para fazer o gol. Eu não escutava mais nada, nem a torcida. Tentei me isolar e me concetrar, porque eu já estava praticando isso no treino. A bola tinha que passar por cima do último homem. Por causa da torcida, a bola ganhou uma energia, uma cor. Todo mundo vibrando. Os vascaínos estava com medo, tremendo. Será que vai ser gol? Vendo depois, os flamenguistas confiantes e os vascaínos preocupados. Isso colocou a bola lá dentro.


Quando viu a bola entrar, o que você sentiu?

PET: Primeiro, pensei que a bola iria para fora. Quando a erupção do Maracanã explodiu, nem pensei que estava cansado. Dei o maior pique, a adrenalina me levou à beira do gramado e me joguei para trás. Rapaz, doeu muito. Naquele momento, não senti nada. Umas dez pessoas subiram em cima de mim, foi bom.

E ali o jogo tinha terminado,né?

PET: Eu não achei que estava decidido. Aí, entrou aquele medo depois de euforia. O juiz não apitava o final. Será que o Vasco ia fazer o gol iria tudo por agua abaixo? Depois de dois, três minutos, realmente foi com nervos para cima. Pensando só em acabar logo para apitar o fim do jogo. Foi um momento único, sofrido.

PETKOVIC EM ENTREVISTA EXCLUSIVA AO LANCE!

1- Você quase não jogou, não é?

O Flamengo, para variar, faltou ao compromisso obrigatório de nos pagar. Pagaram todo mundo, menos a mim. Chegou na sexta, briguei e falei que não iria jogar. O Wilsão me convenceu a jogar. Disse que os torcedores contavam comigo.

2 - A festa da torcida marcou?

A imagem é maravilhosa. Ver o Maracanã cheio, comemorando o título e sabendo que eu era um dos responsáveis. Nós tínhamos a torcida, um grupo que revelou vários craques e a experiência do Zagallo.

3- O que sentiu depois do gol?

Foi um momento único, sofrido. Mesmo que a torcida em alguns momentos não acreditasse. Mas os torcedores lotaram o Maracanã.

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