Nascido no Brasil, americano desenvolve o polo aquático no país e quer 'arroz, feijão e vinagrete'
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Ele mora em São Paulo, no bairro da Vila Madalena, joga polo aquático pelo Sesi-SP e gosta de arroz, feijão e vinagrete. Não estamos falando de nenhum jogador da Seleção Brasileira. Esse é Tony Azevedo, capitão e um dos mais experientes do time dos Estados Unidos, campeão dos Jogos Pan-Americanos de Toronto (CAN) justamente diante do Brasil. Mas quem pensa que essa é a única ligação dele com o país está enganado. Ele bem que poderia ter atuado ao lado dos brasileiros.
Azevedo nasceu no Rio de Janeiro no dia 21 de novembro de 1981. Mas como menos de um mês de idade, foi para a Califórnia, já que seu pai, Ricardo, um ex-jogador da modalidade, foi chamado para ser técnico.
De volta ao Brasil desde 2013, quando foi contratado pelo Sesi-SP, o capitão da seleção americana afirma que até recebeu um convite da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA) . Mas não aceitou.
- Recebi (o convite), mas depois dos três gringos que estavam lá... – afirmou o jogador, demonstrando certa mágoa.
- Cheguei ao Brasil para jogar na Liga (Nacional) e ajudar o polo em geral. Depois que convidaram todo mundo, é que vieram falar comigo. Não tinha muita vontade de falar – completou.

(Tony Azevedo é o capitão da seleção americana de polo aquático. Foto: Eduardo Viana)
Nos últimos anos, a CBDA repatriou atletas e chamou alguns estrangeiros que tinham alguma ligação com o país para defenderem a Seleção Brasileira. Tudo de olho em um bom resultado na Olimpíada de 2016, no Rio de Janeiro.
Mas se o assunto sobre o time nacional incomoda, Azevedo fala com orgulho de outro projeto, dessa vez em sua equipe, o Sesi-SP.
- A gente vai desenvolver o polo aquático, vamos viajar para cidades onde o esporte não é muito popular. A ideia é falar sobre a modalidade, que é legal. Não é só o futebol no Brasil. Para mim, já vai ser muito bom se tiver mil pessoas jogando polo aquático fora de São Paulo e do Rio de Janeiro. Essa foi uma ideia do Sesi-SP. Falam que eu tenho um sotaque incrível de um gringo. Mas estou melhorando meu português. Espero que um dia eu fale melhor – declarou o jogador.
O americano também não esconde a satisfação por morar em um dos bairros mais agitados da capital paulista.
- É onde tem os melhores restaurantes do mundo. É incrível. Eu gosto do Brasil, quero meu arroz e feijão com vinagrete – disse o gringo, campeão pan-americano.
QUASE MORTE
Por pouco, Tony Azevedo quase morreu quando era criança. Quando tinha quatro anos, ele sofreu um corte na traquéia e no esôfago. Enquanto era operado, seu coração parou de bater por alguns minutos, mas os médicos conseguiram reanimá-lo. Seus pais, então foram avisados que ele não seria capaz de praticar esportes. Um grande engano.
CONFIRA UM BATE-BOLA COM TONY AZEVEDO:
LANCE!Net: Você já pensou em defender a Seleção Brasileira?
Tony Azevedo: Nasci no Rio de Janeiro, mas o polo aquático é nos Estados Unidos. Comecei lá. Para eu sair, com esse time, todos os jovens, todo mundo me ajudando quando eu era jovem, é impossível deixá-los.
L!Net: Como você tem observado o polo aquático do Brasil?
TA: É um momento muito legal. Você chegar aqui, ganhar uma partida contra a Croácia (na Liga Mundial). Estou muito feliz de jogar essa final juntos. Vamos para o Mundial e não vai ser só os Estados Unidos. São os Estados Unidos e o Brasil com chances de ganhar. Isso é o legal. Espero que continue após a Olimpíada. Esse é meu foco. O Brasil tem atletas muito bons.
L!Net: Por que decidiu vir jogar no Brasil?
TA: Voltei, porque o Sesi-SP me ligou. E queria fazer mais do que só jogar por um clube por dinheiro.
L!Net: O que você acha de muitos estrangeiros defenderem a Seleção Brasileira?
TA: Para os jogadores brasileiros, acho que é legal, porque não tinha chance de jogar pela Seleção a Olimpíada. Mas em geral, para a Olimpíada não é legal chamar e pagar jogadores de outros países.
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