Mudança na arbitragem sem apoio de especialistas

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A ideia da CBF em colocar árbitros atrás dos gols para auxiliar a arbitragem no Campeonato Brasileiro divide a opinião de especialistas. A implantação vai realmente acabar com os erros?
Na quarta-feira passada, o presidente da CBF, José Maria Marin anunciou que os novos auxiliares serão implantados para a disputa do Brasileirão deste ano, após ter participado da primeira reunião na Fifa como presidente do Comitê Organizador Local da Copa do Mundo de 2014. Contudo, para o ex- árbitro José Roberto Wright, a medida não solucionará o problema da arbitragem brasileira.
- É um desperdício. Colocar mais dois árbitros aumenta o custo. São duas taxas a mais de árbitros por partida. A implantação de mais dois árbitros não vai resolver o grande problema da arbitragem, que é a interpretação da marcação. Atrás do gol, o árbitro não tem a noção exata - disse Wright, ao LANCENET!.
Mesma opinião tem Carlos Eugênio Simon, ex-árbitro da Fifa, que vê na tecnologia e na profissionalização da função a melhor saída:
- Vejo a inclusão dos árbitros como uma medida paliativa. Tem um lado bom, porque gera mais empregos, mas primeiro temos que discutir a profissionalização. O árbitro precisa ser treinado e receber um salário digno, aí ele vai estar em
condições iguais aos demais -.
Já o presidente da Comissão de Arbitragem da Ferj, Jorge Rabello, um dos responsáveis pela implantação do sistema no Campeonato Carioca, acredita no sucesso.
- Isso é inegável. O valor para se colocar mais um árbitro comparado ao custo-benefício é irrisório - disse.
COM A PALAVRA
José Roberto Wright
Ex-árbitro e comentarista
A CBF precisa ter uma autorização da International Board, órgão que regulamenta as regras do futebol, para implantar o sistema no Campeonato Brasileiro. A entidade entra com um pedido e ele é aprovado ou não. Como o Marin informou sobre a presença de mais dois árbitros após a reunião da Fifa, o pedido já deve ter sido feito.O melhor para o futebol seria ter mais um árbitro central, correndo o campo todo. Isso sim minimizaria os erros.
Essa forma já foi testada na Itália, mas não deu certo porque um árbitro queria ter mais autoridade do que o outro. Apesar disso, creio que no Brasil poderia ser implantado. A medida de ter mais um árbitro atrás de cada gol começou com Michel Platini, presidente da Uefa, há três ou quatro anos. Na época, me posicionei contra porque sabia que não resolveria o problema da interpretação da marcação dos lances. Já foi mostrado várias vezes que a solução não é essa.
ERROS GRAVES
Bragantino x São Paulo
Na nona rodada do Paulistão, o árbitro Guilherme Ceretta marcou um pênalti inexistente para o São Paulo, sendo que o auxiliar que estava atrás do gol, não se manifestou para indicar o erro.
Botafogo-SP x Palmeiras
Na 13ª rodada do Paulistão, o árbitro adicional não viu um pênalti claro em cima de João Vitor, quando o zagueiro chegou derrubando o jogador. O lance foi a menos de um metro do auxiliar.
Flamengo x Bonsucesso
Bottinelli foi derrubado dentro da área e o árbitro adicional não assinalou a penalidade máxima.
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