Modelo para concessão do Maracanã não recupera verba gasta com reforma
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Com veto à participação de clubes e disposto a amargar um prejuízo, o governo Rio de Janeiro divulgou nesta segunda-feira a minuta do edital de concessão do Complexo do Maracanã à iniciativa privada. Dos R$ 869,1 milhões investidos na reforma do estádio, a perspectiva ao término do contrato de 35 anos é a de recuperar R$ 231 milhões, mas o vencedor da concorrência pode ter um lucro de R$ 2,5 bilhões.
- O complexo não dá retorno financeiro suficiente para que realizássemos todas as obras, mais o custo de operações, mais as adaptações no Maracanãzinho, mais estacionamento. Por isso, resolvemos fazer as obras e, agora, licitá-lo - explicou o secretário da Casa Civil do Estado do Rio, Régis Fichtner.
Quem vencer a disputa do Maracanã, pelos números do governo do estado, poderá arrecadar anualmente R$ 154 milhões contra uma despesa de R$ 43 milhões, somada ao pagamento de, no mínimo, R$ 7 milhões de outorga (aluguel) durante 35 anos, descontados dois anos de carência.
O consórcio vencedor ainda deverá desembolsar R$ 469 milhões para uma reforma no ginásio do Maracanãzinho, construir um museu do futebol, erguer dois estacionamentos, com o mínimo de duas mil vagas e áreas de lazer com bares, lojas e restaurantes.
Outras obrigações são as de destruir o Museu do Índio, o Estádio de Atletismo Célio de Barros e o Parque Aquático Júlio de Lamare. As instalações esportivas deverão ser erguidas em outro local, num terreno que o Estado comprou do Exército do outro lado da linha férrea.
Uma afirmação do governo estadual foi a de que a partir do 12º ano de contrato, os administradores do complexo passarão a ter somente lucros. Desta maneira, subtraindo as despesas das receitas, haveria um superávit anual de R$ 104 milhões que, multiplicado pelos 24 anos restantes de contrato, atingiria um lucro de cerca de R$ 2,5 bi.
- Se considerarmos os números, acho pouco o Estado só pedir R$ 7 milhões. Poderia ser algo entre R$ 15 milhões e R$ 20 milhões. Arrecadaria R$ 700 milhões e o consórcio ainda teria um lucro de R$ 2 bilhões - disse o mestre em Direito Tributário do IBMEC, Erik Bezerra.
COM A PALAVRA
Coaracy Nunes, presidente da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos
"Destruirão um parque aquático novinho"
"Não fui consultado e sou totalmente contra a demolição. O que me espanta foi que o próprio governador Sérgio Cabral foi o responsável por remodelar todo o parque aquático para os Jogos Pan-Americanos, em 2007. E até por essa reforma, o Júlio de Lamare está novinho. E vão derrubar? Em relação ao estádio de atletismo até concordo porque a própria Confederação Brasileira de Atletismo já se manifestou a favor da sua demolição."

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