Mendieta revela idolatria por Riquelme: 'Quero ser como ele, no Palmeiras'
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O craque Juan Román Riquelme só não vestiu a camisa do Palmeiras neste ano porque Paulo Nobre, presidente do clube, vetou a contratação do astro nos primeiros dias de sua gestão, que começou em janeiro. Nesta terça-feira, diante do Joinville, às 21h50, em jogo pela Série B que terá transmissão em tempo real pelo LANCE!Net, o responsável por criar as jogadas do Verdão em Santa Catarina é um fã incondicional do meia argentino.
Contratado em junho do Libertad (PAR), o paraguaio Mendieta se oferece para ocupar o espaço que seria de Riquelme no Palestra Itália.
– Eu gostaria de ser como Riquelme, mas sei que tenho de fazer muitas coisas para chegar perto do que ele é. Estou começando e cada dia trabalho mais para fazer o melhor para o Palmeiras – revelou ao L!Net o camisa 8, que substituirá Valdivia, a serviço da seleção chilena.
Mendieta também tem Ronaldinho Gaúcho como inspiração, sobretudo pela espetacular fase que o agora atleticano viveu no Barcelona (ESP). Mas é a genialidade do camisa 10 do Boca Juniors (ARG) que Mendieta quer reproduzir no Palmeiras.
– Acredito que eu imito mais o Riquelme. Gosto de ver como ele se comporta dentro de campo, a sua postura, como cobra faltas – completou ele, que treina com frequência a bola parada da entrada da área.
A pedido da reportagem, Mendieta aceitou reproduzir na foto acima a famosa comemoração de Román. O gesto foi criado em 2001, quando El 10 deixou a sua marca em uma vitória sobre o River Plate (ARG) por 3 a 0, na Bombonera. A celebração soou como afronta à diretoria xeneize, com quem Riquelme vivia um momento conturbado por questões contratuais. O meia despistou e afirmou que era uma homenagem à sua filha, que na época gostava de assistir ao Topo Gigio, programa infantil originalmente italiano protagonizado por um rato de orelhas grandes.
Em busca da primeira bola na rede pelo Verdão, Mendieta já decidiu como festejará ao desencantar. Homenageará duas pessoas que perdeu no ano passado: beijará o antebraço esquerdo, em que há tatuado o nome do avô Aurelio, vítima de complicações no coração, e apontará para o céu em lembrança do amigo Pablo Villamayor, acometido por câncer.
Riquelme faz o Topo Gigio na Bombonera, em 2001 (Foto: Marcos Brindicci)
Bebida paraguaia atrai colegas
No dia a dia na Academia de Futebol, Mendieta se adapta ao ambiente do Palmeiras e, naturalmente, conhece um pouco mais da cultura brasileira. O mesmo vale para o caminho inverso, o dos colegas brasileiros conviverem com hábitos do paraguaio.
Apreciador do tereré, chá-mate semelhante ao chimarrão, mas servido com água gelada, o meia ofereceu a bebida a alguns companheiros, que a apreciaram.
– Já levei para eles no vestiário, gostaram e tomaram bastante. Valdivia, Vilson e Vinicius tomaram e gostaram muito. Valdivia quase tomou toda a minha água. Então gostou muito – contou Mendieta.
Desde que o novato desembarcou no CT, o Mago se aproximou dele rapidamente e o ajuda na adaptação ao Brasil.
Confira um bate-bola com Mendieta: 'O Palmeiras mostra que é maior a cada jogo'
LANCE!Net: Você assistiu ao jogo que o Riquelme eliminou o Corinthians da Libertadores neste ano (1 a 1), cobrando falta no Pacaembu?
Riquelme jogou muito bem como sempre, principalmente quando está na Libertadores. Creio que na Copa ele se inspira ainda mais, sempre faz um drible ou cobra uma falta que surpreende a todos. E naquele jogo fez um gol que desclassificou o Corinthians.
L!Net: E, por gostar do Riquelme, você torceu pelo Boca naquele jogo?
Não torci por time algum. Assisti ao jogo mais pelo Riquelme e por gostar de futebol.
L!Net: Como é a sua relação com Arce?
Trabalhamos juntos no Paraguai, em 2010, quando ele estava no Rubio Ñu. É muito amigo meu. Falei com ele antes de vir ao Palmeiras, me disse como era tudo aqui. Sei que Arce é ídolo no Palmeiras. E ele me disse que o Palmeiras é um clube muito grande. E essa é a verdade. O clube já foi campeão da Libertadores. Não é porque está na Série B que vai ser um time pequeno. Pelo contrário. O Palmeiras mostra que é maior a cada jogo, tem muitos torcedores.
L!Net: Ainda conversam hoje em dia?
Como ele está concentrado no trabalho dele no Paraguai (é técnico do Cerro Porteño), conversamos por mensagens. Pergunto como ele está, também falamos sobre a família. Espero fazer alguma coisa do que ele fez pelo Palmeiras. Quero ganhar títulos e ficar muito tempo no clube. Espero que o torcedor se lembre sempre de mim.
Riquelme ficou no quase
A negociação
No fim do ano passado, o Palmeiras, presidido por Arnaldo Tirone, tentou a contratação do craque portenho. Então gerente de futebol, o ex-jogador César Sampaio foi a Buenos Aires (ARG) conversar com Riquelme e seu empresário. Na época, o meia estava com contrato suspenso com o Boca Juniors (ARG) por desavença com a cúpula e não atuava havia seis meses. Poucos dias depois, o Boca anunciou o retorno de Carlos Bianchi, multicampeão no clube, ao comando da comissão técnica, o que fez a negociação esfriar. Nos primeiros dias de 2013, Riquelme decidiu não voltar.
Ofensiva e veto de Nobre
Com a negativa do ídolo ao seu clube de coração, o Verdão retomou as tratativas. Arnaldo Tirone se encontrou com Riquelme na Argentina e acertou tudo com o jogador: salário de cerca de
R$ 420 mil, além de premiações por jogos disputados e contrato que poderia ser de até três anos. Também havia o plano para, ao término do vínculo, Roman se aposentar com despedida em duas partidas entre Palmeiras e Boca. Uma seria na Bombonera, e a outra no Allianz Parque. No entanto, Paulo Nobre foi eleito novo presidente e, ao analisar a situação financeira do clube – herdou muitas dívidas – vetou a contratação.
Retorno ao Boca
Riquelme realizou o sonho da torcida xeneize e voltou a trabalhar com Carlos Bianchi no clube. Mesmo com um time fraco tecnicamente, chegou às quartas da Libertadores e foi eliminado nos pênaltis pelo Newell´s, que chegou à final e foi campeão do Torneio Final na Argentina. O Boca foi penúltimo.
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