Marcelo Veiga: 'eterno' e sem contrato no Bragantino

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Marcelo Veiga fala sobre chance de levar Bragantino à série A
Em agosto de 2007, o Bragantino anunciou a chegada de Marcelo Veiga para comandar o time. Quatro anos e dois meses depois, o técnico segue por lá. Mais perto do que nunca do acesso à elite do Campeonato Brasileiro e sem nunca ter assinado um contrato.
Veiga pensou na família quando aceitou a proposta do presidente Marquinhos Chedid. Ele havia obtido a guarda da filha Tamires, hoje com 17 anos, e precisava se manter por perto dela e da mãe Adail. A estabilidade do cargo o levou a recusar propostas nesse período.
– Abri mão de muito dinheiro, viu! A mais atrativa foi do Pohang (CHI). Era contrato de dois anos, um projeto interessante, mas não houve acordo para eu levar o resto da minha comissão técnica. Essa foi atraente – reconhece o técnico.
Na ocasião, em 2009, o clube asiático ofereceu R$ 80 mil por mês, sete vezes mais do que ele ganhava. Santo André, Vila Nova, Paraná, Botafogo-SP e Ceará, entre outros, já o procuraram. E, segundo ele, sempre com propostas salariais melhores.
Marcelo Veiga tem obsessão por ver o Bragantino na Série A. Em sua conta, quatro vitórias nos cinco jogos restantes (ao lado) dão o acesso. A missão tem início esta noite, às 20h30, contra o lanterna e rebaixado Duque de Caxias, em Volta Redonda.
Hoje, a folha salarial do clube, incluindo atletas, comissão técnica e funcionários, gira em torno de R$ 280 mil. Alguns atletas têm os vencimentos pagos pelos clubes com os quais mantêm vínculo, casos de Otacílio Neto (Corinthians) e Deyvid Sacconi (Palmeiras). A ideia de trabalhar com orçamento maior, em caso de disputar a Série A, é sedutora.
– Se consigo montar um time assim, imagine com 800 mil, um milhão. Posso manter o time na elite.
Por isso, com ou sem acesso, Veiga já discute planos para 2012. Sem prazo, sem contrato, apenas com acerto verbal. Rumo ao quinto ano!
Técnico promete clube 'diferente' em janeiro
Um Centro de Treinamento e alojamentos para os jogadores são os primeiros "reforços" do Bragantino para 2012. Na pele de mestre de obras, Marcelo Veiga fez questão de mostrar ao LANCE! as melhorias no estádio Nabi Abi Chedid.
Veiga batia há tempos na tecla de agregar ao local de jogo o campo de treinos e a concentração. Hoje, o Bragantino faz suas atividades em terrenos cedidos por empresários da cidade e dorme, na véspera dos jogos, em hotéis. A obra vai significar uma economia importante.
– Fica mais fácil controlar todo mundo, encurta os deslocamentos. Quando cheguei aqui, tinha cavalo pastando no gramado. Agora vamos ter uma academia, fruto de outra parceria – exaltou o treinador.
Veiga assegura que ajudou a levar até o restaurante onde comissão e elenco fazem a maioria das refeições e o fornecedor de material esportivo para o Bragantino. É praticamente um "manager" caipira.
O novo campo de treinos ficará no terreno atrás de um dos gols. Na parte de cima, estão quase prontos cerca de 40 apartamentos para dois atletas. A ideia é que os solteiros tenham a opção de morar no local.
O vestiário também será ampliado para receber os novos aparelhos de musculação em janeiro.
BATE-BOLA
LANCENET!: Tem referências na profissão?
MARCELO VEIGA: Hoje, o top, sem dúvida, é o Muricy. Um cara trabalhador, que gosto de ouvir, do jeito que monta seus times. O Tite, muito criticado, mas acredito que será campeão brasileiro. Não é fácil comandar um Corinthians e ele está sabendo lidar. O Luxemburgo é sempre referência e Felipão também, apesar das confusões que têm acontecido (risos). Um dia quero estar entre eles.
LNET!: Mas para isso você terá que sair daqui. Há prazo para acontecer?
MV: Daqui a dois anos. Tenho 47, sou novo, acho que é um prazo bom. Tenho esse sonho de passar pelos clubes grandes, vejo os grandes de São Paulo como objetivo, além de outros pelo país. Já estou incomodando alguns quando enfrento (risos).
LNET!: Há quatro anos no clube, você já é meio "dono da cidade"? Como são o relacionamento e cobranças?
MV: É muito tranquilo. Moro a cinco minutos do estádio, vou sempre à churrascaria do Gaúcho, o restaurante do seu Manoel... Abasteço o carro com o Baianinho. É uma relação saudável. Só no estádio, às vezes, o torcedor sai meio chateado.
LNET!: É verdade que o presidente ameaçou punir todo mundo em 40% do salário se não subirem?
MV: Ele entrou no vestiário irritado depois do empate com o Icasa e falou que tiraria 10% de cada jogo sem vitória. Mas foi para mexer com o grupo, eu acho. E mexeu!
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