Lucas Leiva: dono de um pedaço de terra na Seleção

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Do meio para frente, apenas ele ainda não foi substituído na Copa América. No mesmo setor, só não é mais velho que Robinho. Já faz dez anos que saiu de casa, há quatro vive na Europa, é casado, tem filho. E isso tudo aos 24 anos...
Lucas Leiva não é astro, mas com Mano Menezes tem status de prota-gonista. Ele "loteou" o meio de campo da Seleção Brasileira, que hoje, às 16h, enfrenta o Paraguai e busca uma vaga às semifinais.
De loteamento ele entende. O volante nasceu em Dourados-MS e tem uma fazenda,administrada pelo irmão. É, além de tudo citado no início, também é fazendeiro:
– Tudo aconteceu muito rápido na minha vida e nada eu esperava. A vida pessoal a gente consegue planejar mais do que no futebol.
Quando o Brasil conquistou sua última Copa, em 2002, Lucas tinha 15 anos, treinava em Águas de Lindóia (SP), e sonhava com clubes da capital, mas foi observado de férias,
em Dourados. Chamado para disputar um torneio de garotos pelo time da cidade, foi expulso na decisão diante do Grêmio:
– Achei que minha carreira havia acabado antes até de começar.
Engano. O time gaúcho o perdoou, convidou para testes, aprovou e ele conheceu Mano Menezes. Na Seleção, Lucas é homem de confiança. Em posição diferente, recuado, só não foi titular em um dos 11 jogos do chefe na Seleção. Com olhares em Ganso, Neymar,
Pato & Cia., caberá a Lucas Leiva dar tranquilidade ao treinador.
– Ele crê no meu futebol e estou confiante que posso ir bem. Foi um desafio voltar nessa posição.
Sem reserva, após o corte de Sandro, Lucas é cada vez mais dono do seu pedaço de terra na Seleção. E hoje contra o Paraguai espera seguir trilhando seu caminho rumo ao status de astro Canarinho.
Aos 24 anos, você é um dos mais velhos da Seleção. É muito novo para ter papel de liderança?
Isso mostra a reformulação da Seleção, me sinto com responsabilidade e preparado para tê-la. Trabalho diariamente na cabeça a pressão que é jogar pelo Brasil para passar aos mais jovens o que aprendo com os mais velhos.
Qual é a fórmula para vencer um adversário qualificado como o Paraguai, que na primeira fase quase complicou o Brasil?
Vamos ser mais eficazes. Temos condições de jogar melhor do que na primeira partida contra ele. Ficaremos mais expostos em alguns momentos, pela forma de atuar, e os jogadores de defesa terão de estar atentos.
A Copa América é o atalho para chegar à Copa de 2014?
Infelizmente o Brasil não vai disputar a Eliminatória, mas tem ainda a Olimpíada e a Copa das Confederações. Elas vão definir o grupo. Estou tendo chances.
Você demorou a se adaptar ao Liverpool. O que foi primordial?
Tive uma dificuldade imensa, não estava fisicamente preparado para jogar no futebol inglês. Eu me adaptei à cultura inglesa e fiz um trabalho especial, ganhei cinco quilos. Foi uma das razões para mudar minha função.
Você se prepara de forma diferente quando está na Seleção?
O ambiente da Seleção é bom, as pessoas têm facilidade de adaptação. Procuro aproveitar os momentos no hotel para me entrosar com os jogadores.
A primeira convocação de Lucas Leiva para a Seleção está para completar cinco anos. Foi em 2006, no início da Era Dunga, para amistoso contra o Kuwait. Apesar da longevidade com a camisa amarela, a Copa América de 2011 é sua única competição com a equipe
principal. Sob o comando do antigo treinador, o volante ficou conhecido por ser utilizado apenas em amistosos. Torneio, para valer, só a Olimpíada de 2008.
– É um momento novo pela se-quência de jogos que estou tendo. Foram quatro anos de Seleção antes da Copa-2010, mas não joguei tantas partidas. Agora é diferente, é uma competição oficial.
Com Dunga, entrou em campo cinco vezes. Agora, com Mano, em 11 meses já disputou 11 duelos. E ele foi o maior ladrão de bolas na primeira fase da Copa América: 19.
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