LANCENET! mostra a origem de Douglas, que na quarta vai voltar para 'casa'

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Quando pisar no Serra Dourada, Douglas vai se sentir em casa. O lateral-direito, que chegou ao São Paulo em fevereiro, iniciou a carreira e passou onze anos no Goiás, adversário de amanhã. Apesar de só 21 anos, o lateral-direito superou desafios até acertar com um dos clubes que figuram na vitrine do futebol brasileiro.
Gerson, pai do jogador, foi o grande incentivador. Na tarde da última segunda-feira, a reportagem do LANCENET! esteve em sua casa, onde também conheceu a mãe Maria Oni. Orgulhosos, contaram histórias, mostraram fotos antigas e fizeram questão de vestir a camisa 23, que o filho mandou. Filho que hoje tem condições de dar uma moradia para família, que foi para Goiânia devido ao talento de Douglas com para jogar futebol.
– Em princípio fiquei na casa de uma tia, que morava em Goiânia. Depois meu pai deixou Monte Alegre (interior de Goiás, cerca de 600 km de distância da capital) e ficou comigo. Mas o dinheiro dele acabou e iria embora, até que ofereceram um emprego para no clube e daí ficamos – disse Douglas, em entrevista ao LANCENET!.
Gerson ficou pouco mais de seis anos no Esmeraldino, de onde saiu em dezembro de 2009, por problemas de saúde. Tempo para ver de perto os primeiros passos do primogênito. Responsável pelos serviços gerais, como pintar e cortar o gramado, pouco depois ganhou a companhia da esposa e dos outros dois filhos, que também fizeram as malas.
Douglas curte folga com seu cavalo (Foto: Arquivo pessoal)
– Meu pai é um grande guerreiro e me ajudou muito. Nos arrumaram sofá, cama, um cantinho e cestas básicas. Daí continuamos em busca do sonho – revelou o lateral-direito.
Com o filho longe, os pais sentem falta de vê-lo no estádio, o que será possível nesta quarta-feira à noite. Apesar da distância, não perdem um jogo pela televisão. Para Gerson, o filho está com tudo. E nada de críticas:
– Ele está muito bem. Fez quatro jogos e parece que está no clube faz tempo. Só não gosto quando fica sozinho. Ele precisa de gente perto.
Autor de um dos gols da vitória por 2 a 0 no Morumbi, Douglas quer repetir a dose em Goiânia. Conhecer os atalhos do campo ajuda, apesar da novidade de conhecer o vestiário visitante. Vaias? Ele espera, mas vê como incentivo para seguir a história.
Confira bate-bola exclusivo com Douglas
Como foi fazer gol no Goiás?
Fui feliz na conclusão, peguei bem na bola, e tive a felicidade. Procuro sempre chegar para chutar, para acertar ao máximo. Foi bom, alegre como contra qualquer equipe, mas não dá para demosntrar. Tenho um carinho grande, procuro respeitar, mas fiquei feliz. Falei com a família e quero buscar mais.
Pode fazer de falta, como acontecia no Goiás, ano passado?
Venho treinando alguns dias durante a semana, mas ainda não tive chance nas partidas. Quando aparecer, quero fazer, para ajudar e sempre ficar à disposição. Quando necessitar espero poder resolver com gol.
Vai ser ruim jogar contra o Goiás?
São companheiros de trabalho. Tem o Amaral, Tóloi, muitos anos, como irmãos. Procurei fazer meu tralho, que hoje é o São Paulo, e fui feliz. Vou ser bem xingado no Serra, ainda mais depois do gol. Vou levar para o lado bom, mas já fui xingado quando estava lá, então agora também vou. Tenho que levar como incentivo bom e ajudar o São Paulo e tirar proveito do que acontecer.
Ajuda conhecer o campo?
Bem grande, dá liberdade para jogar individual, com espaço e parecido com o Morumbi. Preciso buscar vazio para ajudar o time.
O que fazer de diferente dos últimos laterais, que não vingaram?
Não posso deixar nada subir à cabeça. Tenho de trabalhar, respeitando todos, e fazer o dia a dia, que as coisas vão acontecer bem.
Gerson - pai de Douglas, ao LANCENET!
Douglas sempre foi bom de bola e se destacou quando pequeno, época em que eu montei um time para os garotos lá em Monte Alegre. Já chamava a atenção e o pessoal falou para eu levá-lo ao Goiás, pois tinha potencial para chegar ao profissional. Não tínhamos dinheiro, então era complicado. Mas resolvemos arriscar, porque tinha uma irmã na cidade.
Primeiro, ele foi sozinho. Depois de um tempo, eu deixei Monte Alegre e fui para Goiânia, para não deixá-lo só com a tia, que também queria sair da capital. Fui com um pouco de dinheiro, mas acabou. Então, pensamos em voltar os dois, já que não tinha como sobreviver na cidade e as condições para ter um emprego não era das melhores.
Gerson e Maria Oni, os pais de Douglas (Foto: Gabriel Saraceni)
Quase desistimos do sonho, mas me conseguiram um emprego no clube, porque não queriam perder o menino. O Lucinho, que na época era técnico, foi quem nos ajudou. O Douglas o agradece até hoje. Atualmente, perdemos o contato, mas é uma pessoa muito querida e foi decisivo para dar certo a carreira.
No Goiás eu fazia de tudo e fiquei mais de seis anos. Pintava o campo, cortava a gramada, fazia serviços de manutenção... Com o que recebia, além de ajuda de outras pessoas, foi possível ficar.
O Douglas ganhou espaço aos poucos e mostrou que poderia ser um grande jogador. Foi muita alegria quando esteve na Seleção Brasileira sub-20, e ainda acredito que ele poderá disputar a Olimpíada.
Hoje, no São Paulo, é grande orgulho para todos nós. A família, aos poucos, chegou em Goiânia e não pretendemos mais sair daqui. Será muito bom vê-lo em campo no Serra Dourada e depois espero fazer uma visita em São Paulo. Não sei quando, porque preciso esperar um convite dele (risos). Mas nos falamos todos os dias, ele mandou camisas, e hoje não sou mais Goiás, mas sim Douglas Futebol Clube.
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