Juíza brasileira do Aberto do Brasil estará em Londres

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A má fase do tênis feminino brasileiro - a melhor tenista (Roxane Vaisemberg) ocupando apenas a 296ª posição no ranking mundial - não impedirá o país de ter uma representante na Olimpíada de Londres. Mas, em vez de golpes na bolinha, Paula Vieira será responsável por manter a ordem nas quadras de Wimbledon, onde será o torneio.
A gaúcha de 29 anos foi selecionada no mês passado para integrar o quadro de árbitros dos Jogos Olímpicos. Será sua primeira experiência
na competição. Os outros juízes de cadeira brasileiros em Londres serão Carlos Bernardes e Fábio Souza.
- Estive no Pan do Rio-2007 e aquela experiência foi muito gostosa. A expectativa também é grande para esta Olimpíada, pois trata-se de um evento muito maior - disse Paula.
A gaúcha, além de ser a única árbitra de cadeira na atual edição do Aberto do Brasil, é também a única mulher a ostentar a Silver Badge (insígnia de prata) na América Latina. Isso significa que ela pode atuar em todos os grandes eventos do circuito, como Masters e Grand Slams.
O caminho para chegar até o atual status não foi rápido. Paula começou a se interessar pela arbitragem em 1999. Sem o talento suficiente para se tornar uma jogadora profissional - como ela mesmo reconheceu -, iniciou a carreira como juíza de linha em torneios regionais no Rio Grande do Sul.
O passo seguinte foi fazer os cursos da Confederação Brasileira e da Federação Internacional. Com isso, subiu no mundo da arbitragem e ganhou chances em torneios de maior relevância. Em 2005, fez a estreia em ATPs, justamente no Aberto do Brasil. A partir daí, decolou. Esteve três vezes em Roland Garros e uma em Wimbledon.
Atuar no Aberto do Brasil, porém, tem um significado especial:
- É muito bom estar em seu país, poder usar a sua língua com o público. Lá fora é tudo em inglês.
Juíza diz que nunca sofreu preconceito
Apesar de as mulheres serem raras entre os árbitros de cadeira no circuito profissional, Paula afirmou que nunca foi vítima de preconceito por causa de seu sexo. A maior dificuldade enfrentada foi ganhar a confiança dos atletas.
- No começo é difícil haver uma aceitação, independentemente de ser homem ou mulher. O preconceito é maior por você ser novo na
profissão. Mas isso diminui à medida de que você fica conhecida dos jogadores, começa a estar mais presente no circuito - disse a brasileira.
Por viver em um ambiente majoritariamente masculino, é comum que hajam cantadas. Mas a árbitra garante não se intimidar com isso.
- Isso vai muito do respeito que você impõe. Eu nunca tive problemas. Além disso, sou noiva e o pessoal sabe disso. Assim, fica mais difícil receber cantadas - disse a árbitra, que é obrigada a seguir uma rigorosa cartilha de conduta.
O regimento dos árbitros impede que ela cite qualquer jogador em suas declarações. Nem mesmo quando questionada sobre qual o jogo mais memorável que atuou, Paula não pôde revelá-lo.
- Os melhores jogos acabam sendo os de Grand Slams, mas em torneios menores há partidas de qualidade também - completou.
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