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Entenda a situação que pode fazer a presidente do Chile ser vaiada no Nacional

Dia 01/03/2016
03:07

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Em seu segundo mandato na presidência do Chile, Michelle Bachelet não vive o seu melhor momento no comando do país. Em pesquisa do último mês, seu indíce de rejeição foi para 64%, de acordo com o GfK Adimark. Há a apreensão de que seja vaiada na cerimônia de abertura da Copa América, semelhante ao que ocorreu com Dilma Rousseff no Mundial do ano passado. Para Talita Tanscheit, pesquisadora responsável pelo Chile no Observatório Político Sul-Americano, isso é fruto de diversos motivos. Como reformas educacionais, tributárias e constitucionais, que têm desagradado oposição e até alguns setor da situação.

- Mais recentemente, a queda de popularidade da presidenta foi referente à escândalos de corrupção, que, se inicialmente foram direcionados à Alianza (coalizão de oposição à Bachelet), hoje atingem também pessoas do governo de Bachelet e a sua própria família. As acusações versam sobre favorecimentos econômicos ao filho da presidenta - explicou Talita ao LANCE!:

- O risco de vaia sempre há, e essas vaias são costumeiras a presidentes e primeiros-ministros, não foi uma exclusividade do governo Dilma e não será uma exclusividade de Bachelet, caso seja vaiada. Não considero que manche o mandato dela, mas que expressa a insatisfação de um determinado público, que ainda assim é um público muito específico, que pode comprar ingressos para ver o jogo inaugural da Copa América, que não são baratos. O Lula também foi vaiado nos Jogos Pan-Americanos e terminou o seu mandato com 87% de aprovação.

Tanscheit lembra ainda que tudo isso faz parte do processo de volta da democracia ao Chile, que viveu uma longa ditadura com Augusto Pinochet. Existe, de fato, motivos para o povo pressionar Bachelet, como o movimento estudantil tem feito, para que essas reformas sejam mais correspondentes aos anseios da população como um todo, não aos das elites econômicas chilenas. Mas não para apreensão.

- As reformas que Bachelet está realizando são reformas essenciais e fundamentais para o Chile completar a sua transição à democracia, uma vez que a sua constituição, o seu sistema tributário, o seu sistema educacional e também o seu sistema eleitoral foram estruturados por Pinochet, e além de restritivos e beneficiarem apenas uma pequena parcela da população, possui fortes resquícios autoritários explicou.

BATE-BOLA
Talita Tanscheit, pesquisadora responsável pelo Chile no Observatório Político Sul-Americano
Como você avalia o mandato da Bachelet?
Na minha opinião, Bachelet está realizando um mandato dentro se seus compromissos programáticos, anunciados durante a sua campanha eleitoral e no dia de sua posse, em 11 de março de 2014. Como já disse antes, o Chile ainda não completou a sua transição à democracia, e Bachelet está se comprometendo à realizar reformas estruturais que são importantes para que esta transição se complete. A reforma ao sistema eleitoral, aprovada recentemente, foi um passo muito importante nesse sentido, assim como a tributária, e a educacional e a constitucional também o serão. Agora, em uma democracia, a Chefe de Estado deve acomodar distintos interesses, também, o que faz com que as suas reformas não sejam inteiramente da forma como os partidos de sua coalizão, a Nova Maioria, esperavam. Mas caso todas sejam realizadas, a herança ditatorial será praticamente eliminada, o que é um legado importantíssimo e necessário para o povo chileno, que terá a marca da administração de Bachelet.

Nos últimos anos, criou-se um "mito" de que o Chile seria o país mais desenvolvido da América do Sul. Existe isso de fato? Fatos comprovam essa tese, ou é de fato um mito?
Olha, eu acho que depende do que se entende por país desenvolvido. O Chile é um país profundamente desigual e com um sistema de classes muito bem estruturado. Grande parte da população não possui plano de previdência e não existe ensino superior gratuito, mesmo as universidades públicas são pagas, e com valores bastante altos. Além da saúde, do transporte, o Chile se distanciou muito da construção de um estado de bem-estar social, que eu considero fundamental para que um país possa ser considerado desenvolvido. A vida é muito difícil para quem não possui uma renda muito alta, pois praticamente tudo é privatizado. É só ver a quantidade de mobilizações, todas abordando temáticas distintas, mas pedindo educação e saúde pública, gratuita e de qualidade. Isso não existe lá. Se a Bachelet conseguir reverter essa situação, ela entrará, de fato, para a história da democracia chilena.

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