Desacordos custam 'cabeças' na Vila Belmiro

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O Santos teve um ano mais do que vencedor. Dois títulos, futebol vistoso, garotos badalados... Mas os bastidores, por sua vez, vivem dias turbulentos. Depois de Kleiton Lima ser demitido do comando das Sereias da Vila, é a vez do gerente de futebol, Paulo Jamelli, ficar na corda bamba, antes de ter sua saída confirmada, na noite de quarta-feira. No ano novo, o facão está solto na Vila Belmiro.
Esta foi a terceira demissão neste ano por conta de incompatibilidade com a diretoria. Além de Kleiton Lima, o ex-treinador Dorival Júnior deixou o Peixe pelo mesmo motivo. Funcionários e diretoria têm falado línguas diferentes até na boa fase de 2010.
– Acho que é proibido ser campeão pelo Santos, não sei o que acontece. Nós ganhamos tudo, só perdemos um jogo. O Dorival ganhou tudo, o Jamelli montou um grande time e todos foram demitidos. Não sei o que deve ser feito – disse o técnico Kleiton Lima.
A diretoria emitiu um comunicado oficial confirmando a saída de Jamelli às 22h31 desta terça-feira. O LANCE! tentou contato com os principais membros da diretoria, que passaram o dia sem atender às ligações. No entanto, a reportagem apurou que o desgaste na relação, mais uma vez, se dá por ideias incompatíveis.
O gerente se surpreendeu com a chegada do goleiro Aranha, do volante Charles e do lateral Jonathan, sem sua participação nas negociações. Houve uma discussão, que piorou a relação.
O gerente era contestado pela diretoria e por parte do elenco. O L! entrou em contato com um dos jogadores do Peixe, que pediu para não ser identificado. Ele elogiou Jamelli, mas confirmou que parte do grupo tinha atrito com o dirigente desde a Copa do Brasil, por conta da premiação (bicho) barata em partidas decisivas.
Mais incompatibilidade
O técnico Dorival Júnior deixou o Santos depois de contrariar a diretoria e vetar Neymar contra o Corinthians. Kleiton Lima deixou as Sereias por divergência de opiniões.
No Santos, algumas decisões podem custar caro.
Jamelli e o Santos em 2010
Copa do Brasil
Parte dos jogadores se desentenderam com o gerente por conta do pagamento de prêmios nos jogos mais importantes do torneio. A insatisfação era que o valor cedido nos jogos decisivos era similar ao oferecido contra times de menor expressão, como o Naviraiense.
Brasileirão
Já havia alguns atritos entre o gerente e o restante da diretoria, que eram minimizados pela campanha discreta que o time fazia. Santos priorizava a próxima temporada e assuntos internos não eram expostos para a imprensa.
Pós-Brasileirão
Jamelli até se aventurou no time de futebol americano do Peixe, o Santos Tsunami. Mas quando o assunto passou a ser contratações, o clima fechou. Jamelli ficou de férias no período do Natal, e, quando retornou, soube da chegada de reforços sem sua participação e mal estar acabou ficando evidente.
Bate-bola com Kleiton Lima, demitido por incompatibilidade com a diretoria:
LANCENET!: Acha que a diretoria tem sido intransigente?
KLEITON LIMA: Não sei dizer se é isso, mas também tive problemas quando estava no clube e tentava resolver. Acho que a demissão deve ser feita em último caso, mas é uma decisão deles, não tenho o que contestar.
LNET!: Falta liberdade para tomar decisão no Santos?
KL:Eu trabalho com o futebol feminino faz tempo, eles chegaram agora e queriam mudar muita coisa. Acho que precisa ter cuidado. O Dorival fez um grande trabalho e saiu por causa de uma decisão que cabia a ele. No meu caso, também eram decisões minhas e eu sabia o que estava fazendo, mas me demitiram mesmo assim.
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