A decadência do Imperador
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A mais recente confusão criada e protagonizada por Adriano suscita mais uma dúvida: qual será o futuro do Imperador quando ele encerrar a carreira? E, depois do Corinthians, qual clube terá interesse em empregá-lo, sabendo que a rotina de baladas, confusões, falta a treinos, excesso de peso e aparições nas páginas policiais continuarão?
O futebol é pródigo em casos de ex-jogadores que morreram com dificuldades financeiras, depois de perderem tudo, ou mesmo em decorrência do alcoolismo – caso de Adriano, segundo pessoas e profissionais que o conhecem e que acompanharam sua carreira.
Garrincha, um dos maiores craques da história do futebol brasileiro, morreu aos 49 anos, vítima de cirrose hepática. Era alcoólatra.
A perda mais recente foi a de Sócrates, no último dia 4, depois de ser internado três vezes, também com cirrose, consequência do uso exagerado de álcool durante anos.
Para a psicóloga Suzy Fleury, há tempo para a recuperação, mas Adriano, aos 29 anos, precisa querer se tratar. O São Paulo e o Flamengo, dois últimos clubes, colocavam psicólogo à disposição. O Imperador não frequentava o consultório. O Corinthians, por determinação do chefe do departamento médico, Joaquim Grava, não tem.
– Alguma coisa acontece. Se não é a parte emocional, é questão de regras e cumprimento social. Quem vai enquadrar, então, é a Justiça, a polícia, com quem todo mundo funciona – afirma Suzy Fleury.
Em setembro do ano passado, a mãe de Adriano, Rosilda, disse à "Gazzetta dello Sport", da Itália, que o filho havia pensado em suicídio, um dos sintomas da depressão, que pode provocar comportamento bipolar e estimular o alcoolismo, entre outros problemas. Na ocasião, a psicóloga do esporte Sâmia Hallage afirmou que, no caso de Adriano, uma das hipóteses desencadeadoras da depressão foi a morte do pai, em 2004, logo após o título da Copa América, da qual o Imperador foi artilheiro e craque. Até aquele ano, ele não tinha problemas comportamentais. Era estrela da Inter de Milão e da Seleção.
O que diz a psicóloga Suzy Fleury
"O atleta tem uma responsabilidade social que vai além do comportamento como profissional. Isso extrapola o desempenho esportivo e atinge o aspecto psicológico de cada um.
Parte dos atletas de futebol tem muita pouca formação na consciência como cidadão. A era do Telê Santana, que fazia o papel do formador social além do treinador, não existe mais no futebol. Não é só na parte técnica que a formação do jogador brasileiro tem de ser revista. A formação pessoal também tem de mudar na base dos clubes.
Adriano está quase se desligando do futebol e estamos perdendo a oportunidade de ter o esporte como educação para ele. Não é porque fez um gol importante (contra o Atlético-MG) que o clube tem de passar a mão na cabeça dele. O indivíduo Adriano tem de ser resgatado.
Sempre há tempo hábil para mudá-lo. O caso mais polêmico que tivemos no passado foi Edmundo, que hoje é um pai de família, embora responda por alguns problemas na Justiça. Hoje ele demonstra uma estabilidade emocional maior do que no período da sua carreira.
O que é preocupante no caso do Adriano é a reincidência. Se não é a parte emocional, é questão de regras e cumprimento social. Alguma coisa acontece com ele."
Craques do passado
Garrincha
Bicampeão do mundo, em 1958 e 1962, melhor jogador da Copa de 62, um dos maiores craques da história. Morreu pobre em 20 de janeiro de 1983, com apenas 49 anos, vítima de cirrose hepática, consequência do alcoolismo.
Reinaldo
Maior artilheiro da história do Atlético-MG, parou de jogar com 31 anos. Dez anos depois, foi preso, condenado e absolvido em seguida, por envolvimento com traficantes. Viciado em cocaína, admitiu a doença e conseguiu se recuperar.
Jorge Mendonça
Ex-atacante, foi ídolo de Vasco, Palmeiras, Ponte, Guarani e Seleção. Teve problemas na carreira por causa do alcoolismo. Morreu em 2006, aos 51 anos, vítima de infarto. Tinha depressão e passava dificuldade financeira.
Almir Pernambuquinho tinha fama de brigão. Ex-atacante de Vasco, Flamengo, Santos e Corinthians, morreu com 36 anos, em 1973, assassinado em frente a uma casa noturna, no Rio, depois de defender travestis.
Marinho Chagas
Ex-lateral de Botafogo, São Paulo e Seleção, foi internado em 2009 com hepatite C, aos 57 anos, também decorrência do alcoolismo. Trabalhava como motorista de buggy em Natal para se sustentar.
Sócrates
Um dos maiores craques da história do Corinthians, morreu no dia 4, após uma infecção intestinal, aos 57 anos. Estava debilitado por causa de cirrose hepática, consequência do uso exagerado do álcool.
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