Crise assola natação australiana a dois meses do Mundial de Barcelona
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Uma das nações mais tradicionais da natação mundial, a Austrália atravessa a maior crise de sua história. Após a má performance nos Jogos Olímpicos de Londres - nos quais conquistou apenas uma medalha de ouro -, o país viu desencadear-se uma sequência de fatos que abalaram a reputação da sua equipe. E justamente a menos de 50 dias do Mundial de Esportes Aquáticos de Barcelona (ESP), no fim de julho.
O último ato teve desfecho nesta quarta-feira. Principal patrocinadora da confederação local, a Energy Australia anunciou o rompimento do vínculo com a entidade. O acordo teria duração de cinco anos, mas foi interrompido logo no segundo, fruto dos escândalos em que a Swimming Australia envolveu-se. Estima-se que o órgão vá deixar de arrecadar US$ 2 milhões (R$ 4 milhões) anuais com a perda.
A primeira polêmica deste processo ocorreu antes mesmo da última Olimpíada. Tidos como imbatíveis, os integrantes revezamento 4x100m australiano - entre eles o seu maior astro, James Magnussen - foram acusados de perturbar os companheiros em um training camp na Inglaterra.

(Magnussen, à esquerda, e os companheiro confessaram o uso de Stilnox [Foto: AFP])
Não bastasse o distúrbio, os nadadores confessaram posteriormente terem feito uso de Stilnox - um medicamento, proibido pela confederação, para hipnose, mas que causa efeitos diversos se ingeridos com bebida.
Acusada de não puni-los de forma exemplar, a Swimming Australia viu também a sua chefia implodir. Barclay Nettlefold, presidente da entidade, abriu mão de seu cargo no início desta semana. Ele é acusado de ter assediado uma das integrantes do staff da confederação.
"Este tem sido um período muito difícil para a Swimming Australia. Nós reconhecemos que não há soluções fáceis. Temos muito a fazer, e os últimos acontecimentos deixaram claro que precisamos de mudanças de costumes e culturas organizacionais", disse Mark Anderson, CEO da Swimming Australia, em comunicado divulgado na manhã desta quarta.
Austrália ainda busca novo head coach
Uma das "vítimas" da má performance em Londres-2012 foi o técnico Leigh Nugent. Chefe dos nadadores na Olimpíada, ele foi acusado de falta de pulso no caso do Stilnox, e resignou-se do cargo em março deste ano.
Desta forma, a pouco menos de dois meses do Mundial de Barcelona, a equipe australiana ainda não tem o nome que comandará a sua natação na principal competição da temporada. De forma curiosa, a Swimming Australia divulgou um comunicado na última semana no qual dizia os predicados que a pessoa teria de ter para assumir o cargo, como em um anúncio de vaga de emprego.
- Treinar o time australiano de natação é uma grande oportunidade e uma honra, e estamos confiantes que iremos atrair uma gama de profissionais de qualidade - disse o CEO Mark Anderson.
Em meio à polêmica, a entidade nomeou o seu novo diretor de alto rendimento. Michael Scott, responsável pelo desenvolvimento da equipe paralímpica australiana para os Jogos de Sydney-2000, foi o escolhido pela chefia.
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