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Confira depoimento de Erica Matias, atacante, ex-Fundação Casa

Dia 27/10/2015
21:41

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Fui (apreendida e encaminhada à Fundação Casa) pela primeira vez com 12, por furto. Roubo de loja. Ao todo fui sete vezes, o resto foi tudo 157. Nunca tive uma família, nunca tive estrutura. Sempre fui criada na rua, então por isso eu fugia de casa, usava droga e furtava.

Mas coloquei na minha cabeça que estava cansada dessa vida. Ia fazer 18 anos e tinha que mudar. Aí, fiz um teste, que o Zé Maria me levou, e eu passei. Jogo em São Manuel. Moro em São Paulo. Fico no alojamento no ano inteiro e depois venho para São Paulo. Sou atacante, mas esse ano joguei até de zagueira.

Minha mãe morreu, meu pai fazia muito tempo que eu não via, apareceu esses dias. Está em Taubaté. Foi por telefone só. Comecei a chorar, foi uma maravilha! Para mim, ele tinha morrido. Ele ficou dois anos na UTI... Ele procurou pela internet, pois uma moça tinha falado para ele que tinha visto uma entrevista de uma tal de Erica, que era muito parecida com ele.

Estou treinando há quatro anos. Almejo Seleção Brasileira e jogar fora (do país). Treino todos os dias.

Se tem provocações nos jogos? Rola! Sou briguenta. Todo jogo arrumo briga. Mas é provocação de jogo, ninguém toca no passado.

Tenho três irmãos, metade foi adotado, uma desapareceu, outra está presa...

Morei na rua, passei fome, frio. Morava no vale do Anhangabaú. Usava cola e maconha. Na Fundação Casa, eu era bem respeitada. Minha cabeça só estava focada nos cursos que eu fazia. Só pensava em mudar. Fazia dança também. Danço black (music), axé, dança do ventre...

Vou lá onde eu morava de vez em quando, falar com a molecada. Consegui tirar três já da rua, na base da conversa. Tem um que foi adotado, é campeão brasileiro de judô. Lembranças ruins é que passei fome, frio, usava drogas. A boa é que, se não tivesse passado por isso, hoje eu não estaria aqui.

A Fundação Casa teve papel de pai e mãe para mim. Lá, eu era tratada bem. Pegavam bastante no meu pé para não bagunçar e virar jogadora. Para acreditar um pouco mais em mim. Comecei a acreditar mais no que as pessoas me falavam e hoje estou aqui. Agora, eu planejo ter minha própria casa e ter minha família. Penso que o futebol vai me proporcionar uma casa própria.

Parei (de estudar) na oitava série, mas fui expulsa da escola. Briguei com uma menina, que falou umas palavras que não gostei. Minha cabeça é quente, estouro rápido. Hoje me controlo muito. Conto até dez.

Hoje estou feliz!

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* entrevista feita em 9 de novembro de 2010

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