Conca? O imperador da China é Leandro Netto

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O argentino Conca desembarcou na China com o status de craque do Brasileirão de 2010 e logo conquistou o campeonato local. Mas no país das dinastias milenares, que hoje completa 62 anos como república popular, quem manda é o brasileiro Leandro Netto. Para os chineses, Nettuo!
– O foco está realmente em mim, porque faltam poucos jogos e posso ganhar a chuteira de ouro. Ele ficando mais tempo aqui, vai assumir esse status – disse o atacante.
Artilheiro da Super Liga Chinesa, com 14 gols, Leandro agora colhe os frutos de três anos dedicados ao Henan Jianye, clube que defende desde 2009. Mas antes de ser reverenciado, o jogador teve de comer o biscoito da sorte que o diabo amassou para chegar à fama, num tempo em que o futebol chinês não tinha glamour e investimento:
– Meu primeiro técnico, chinês, dava bolada no jogador quando ele errava. Ele tratava a gente como juniores. O nosso último treinador, coreano, deu um soco na cara de um atleta, que era do mesmo país - lembrou.
A meta era tentar se adaptar rápido e seguir em frente, mesmo que tivesse que às vezes parar, assim como fazia o primeiro tradutor do time, um gago que só falava inglês.
Investimento pesado
Os gols de Leandro Netto cresceram no ritmo de sua ambientação. Em alta, o atacante conseguiu boas renovações de contrato, que melhoraram sua condição de vida no país, e também presenciou a revolução que o futebol de lá passou, em 2010, após o escândalo de manipulação de resultados e a associação de grandes empresas aos clubes.
– Os chineses estão vendo que têm condições de trazer jogadores de alto nível. O Guangzhou, time do Conca, está agora contratando vários nomes fortes, e isso afetou os outros clubes – afirmou o jogador.
Para o futebol brasileiro, Leandro é um desconhecido. Nunca jogou e conquistou títulos como Conca. Mas no país mais populoso do planeta, com 1,3 bilhão de habitantes, o estrangeiro até agora mais votado como destaque do Campeonato Chinês no site de buscas Sohu é Netto. O imperador é Nettuo.
Bate-Bola
Leandro Netto - contando sua aventura na China, em entrevista ao LANCE!, por telefone
L: Como foram os primeiros meses em um país tão diferente do Brasil?
O primeiro ano foi muito difícil. Minha família e eu ficamos isolados, num apartamento pequeno, e tínhamos de nos virar sozinhos, traduzindo os mapas. Mas a minha mulher gostou muito daqui. Na Síria, onde estive antes, foi complicado, principalmente para ela e minha filha, que mal podiam sair.
L: Você não teve problemas para se adaptar à cultura chinesa ? Normalmente, comida e idioma são os maiores obstáculos...
Com alimentação não tive problemas. Aqui na China você encontra tudo o que precisa, até feijão consigo comprar. Em relação a língua chinesa, continuo péssimo. Não entendo nada.
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