Competitivo e 'viciado' em treinos, Fernando Prass revê ex-rival 'em casa'
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"Se eu não me empenhar nos jogos e até nos treinos, eu fico puto". A frase não é de um garoto que sonha em ser jogador de futebol, mas de Fernando Prass, goleiro do Palmeiras que, aos 35 anos, carrega consigo uma competitividade invejável. A ponto de ser quase sempre o único atleta titular a trabalhar no campo da Academia nos dias seguintes aos jogos enquanto o restante se recupera fisicamente. De treinar pênaltis como cobrador para estar preparado para uma improvável chance.
A principal missão da semana já está traçada: eliminar o Atlético-PR nas oitavas de final da Copa do Brasil, nesta quarta, no Durival de Britto, em Curitiba (PR). Desafio este que não é novo para ele na carreira, já que, pelo Coritiba, em 2004, sagrou-se campeão estadual dentro da Arena da Baixada, casa do rival que está em obras para a Copa.
Parceiro de concentração de Prass na época do Couto Pereira e grande amigo para a vida, o arqueiro Douglas relembra que a postura de líder do então "Fernando" era referência no Alto da Glória.
– O que esse cara treina é fora do normal. Sempre que acabava o treino, ele chegava no treinador de goleiros e pedia isso ou aquilo. Nós, os outros goleiros, já olhávamos e falávamos "Lá vai o gauchão pedir mais treino˜. Era difícil para acompanhá-lo – relatou ao LANCE!Net o goleiro ex-Criciúma e Guarani, hoje no Lankaran, do Azerbaijão.
Autor de dois gols naquela final de placar 3 a 3 de título depois do Coxa ter vencido a ida por 2 a 1, o atacante Tuta, conhecido dos palmeirenses, também elogia o empenho de Fernando Prass.
– Ele já era muito determinado. E existia a rivalidade dele e do Douglas comigo, Aristizábal e Luis Mário nas cobranças de pênalti nos treinos. Ele pegava muitas cobranças. Quem perdia tinha que pagar uma Coca-Cola. E na finalização ele também era sempre sério, não facilitava para os atacantes e sempre teve muita disposição – disse o veterano de 39 anos, sem clube.
Nascido em Viamão (RS), o dono da meta do Verdão tem relação estreita com Curitiba, onde tem muitos amigos e um imóvel. Por isso, usa parte das férias para visitar a cidade, onde teve passagem vitoriosa: inspiração para a partida.
– Fiz quatro anos no Coritiba conseguindo dois títulos estaduais (2003 e 2004), três vezes o goleiro menos vazado, classificação para a Libertadores de 2004. As lembranças que tenho de Curitiba são as melhores possíveis – disse Prass.
Na Libertadores de 2004, farra com carro de golf
Ninguém consegue ser sério em 100% dos momentos da vida. Nem Fernando Prass, referência dentro do elenco palmeirense pela postura e que também tem o seu lado brincalhão e bem humorado.
Ao lado do grande amigo Douglas, seu reserva no Coritiba, ele aprontou em viagem ao Paraguai pela Libertadores de 2004. Depois de uma brincadeira dentro do hotel, a dupla escapou de fininho sem ser flagrada.
– Pegamos um carrinho de golf em um hotel e saímos dirigindo. Acabamos nos empolgando com a velocidade e quase capotamos. O carrinho parou de funcionar, saímos correndo para o quarto para que ninguém visse e não tivéssemos que arcar com o prejuízo – revelou o amigo de longa data.
– Se capotássemos naquela hora iríamos ficar sem dois goleiros para um jogo de Libertadores (risos) – acrescentou.
O jogo em questão foi Olímpia 1x1 Coritiba, em abril. O Coxa ficou com a terceira posição do grupo e não avançou de fase.
No Coxa e em Curitiba
Fernando Prass no Coxa
Desembarcou no clube em 2002, depois de defender o Vila Nova-GO. Foi bicampeão em 2003 e 2004, sendo o goleiro menos vazado nas duas conquistas e no ano seguinte, o do vice para o Atlético-PR. Disputou a Libertadores de 2004. Goleiro defendeu o Coritiba em 186 partidas.
A vida na cidade
"O segundo imóvel que comprei na minha vida foi em Curitiba, onde morei por quase quatro anos. Ele fica no bairro Cabral, bem perto do Couto Pereira. Fiz muitas amizades na cidade, onde tenho amigos. Na minha época, eu já era casado, mas não tinha filhos. Eu gostava de muito de sair para jantar, já que a cidade nos oferece muito bons restaurantes. E, no fim de semana, com tempo bom, eu ia no Parque Barigui caminhar, andar de bicicleta, e comer feijoada, que era muito boa", contou o goleiro palmeirense. O parque recebe o nome do Rio Barigui, que acabou sendo represado e virou o lago que hoje é atração de moradores e turistas. É um dos maiores e mais antigos parques de Curitiba. Vários tipos de animais, como carneiros e capivaras, vivem no lugar preferido de Fernando Prass.
Confira uma entrevista exclusiva com Fernando Prass:
LANCE!Net: Chamam a atenção as apostas e sua seriedade no treino de penais.
FERNANDO PRASS: Eu penso o seguinte: os caras estão treinando pênalti, são profissionais e, por isso, o aproveitamento deles é quase 100% pela técnica que eles têm. Então faço isso para dar um pouco de pressão, competição, fica mais difícil para eles. E é nítido que muda a batida do jogador, o desempenho cai um pouco, e o goleiro já tem um pouco mais chance. Tenho um desafio pessoal com o Vinicius, o Marcelo Oliveira e agora com o Alan Kardec. Em 1999, no Grêmio, apostamos 32 garrafas de refrigerante e eu ganhei. Mas ninguém paga. Cada um ganha um pouco, e a conta é zerada.
L!Net: Você também treina os pênaltis como cobrador. Por quê?
FP: É uma situação que pode ocorrer. É raro, mas já vi disputas em que os goleiros tiveram que bater. Apesar da probabilidade ser muito pequena, isso pode acontecer e tenho de estar preparado. Imagina se eu nunca bati um pênalti e de repente tenho que cobrar... Então tenho que estar preparado para tudo. Muita gente fala que pênalti é loteria, sorte. Não é.
L!Net: Você já cobrou algum pênalti?
FP: Não. Se eu não me engano em 2012, no Vasco, com o Cristóvão, um jogo com o Flamengo estava indo para os pênaltis, só que fizemos um gol no fim e acabou não indo. Daí no vestiário o Cristóvão brincou comigo, falou que eu estava na lista e era o quinto para bater.
L!Net: O que você lembra da campanha do título paranaense de 2004?
FP: Nós já tínhamos sido campeões invictos em 2003, contra o Paranavaí, e só não vencemos da mesma maneira no ano seguinte porque perdemos o primeiro jogo, que é logo depois da pré-temporada. Em 2004 nós tínhamos um time muito bom, havíamos feito campanha muito boa no Brasileiro de 2003, classificamos para a Libertadores.
L!Net: Pela rivalidade, foi o título mais difícil e emocionante que você conquistou na sua carreira?
FP: Não sei. Acho que o mais difícil e emocionante foi o do Vasco, em 2011, o da Copa do Brasil, no Couto Pereira, contra o Coritiba.
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