Cadeirante 'vence' problemas burocráticos, viaja para o Japão e acompanhará Timão em Nagoya
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Durante a cobertura do Corinthians no Mundial de Clubes, os repórteres do LANCE!Net conheceram a história do corintiano e cadeirante Fabrício Gabini, de 29 anos. Com dificuldades para garantir o passaporte, ele por pouco não perdeu a viagem para o Japão. Leia abaixo o relato do torcedor:
"Viemos eu, meu pai e minha irmã ao Japão diretamente de Salvador. Os dois conseguiram tirar o visto americano sem problemas, já o meu demorou exatos 53 dias. A gente ficava no pé da mulher da agência, perguntando todos os dias se havia chegado e nada. Já estávamos vendo outras alternativas, trocar o destino ou a data, ou até tentar trocar a conexão, qualquer coisa. Foi desesperador!
Eu mandava email para o Consulado dos EUA e voltava uma resposta automática, não era alguém respondendo. Eles alegaram que eu caí numa análise administrativa, não deram maiores explicações, apenas falaram isso. A coisa apertou mesmo quando eles mandaram em um dos emails a informação que essa análise poderia demorar até seis meses.
Como esperar isso? Minha outra irmã foi atrás de todo mundo, até de um amigo que era cônsul de Bangladesh, mas não deu certo...
O tempo foi passando, até que minha irmã conseguiu uma lista de emails de vários departamentos do Consulado. Aí foi a primeira vez que uma pessoa respondeu de verdade. Explicamos a necessidade pela data do Mundial e lembramos que estávamos sendo humilhados. Deixamos o pessoal da agência avisado de que, assim que o visto americano saísse, teria de correr pelo visto japonês.
Felizmente, deu certo, graças a Deus. O passaporte ficou regularizado faltando uma semana para a viagem, mas ainda faltava o visto japonês. No fim, eu o na quinta-feira, e minha viagem seria no sábado.
Minha viagem foi Bahia/São Paulo/EUA/Japão. Nos EUA foi tranquilo, ficamos apenas sete horas. Mas o voo de lá para cá, minha nossa! Esses aviões não pequenos demais, não são preparados. Tenho um problema, uma calcificação no quadril que não deixa a perna fechar, e a classe econômica é sempre apertada. Me trocaram de lugar e me colocaram num tal de "confort"... Melhorou.
No voo de Nova York pra cá, minha poltrona era a 31, apertada. Expliquei a situação e a mulher do check-in me passou a 23, perto da porta, já que preciso me locomover no meio do acentos. Quando fui entrar, descobri que era a 51. Não dava para esticar o pé. Comecei a passar mal por ficar tanto tempo sentado. Em resumo: saí de casa, em São Paulo, às 11h e só consegui deitar aqui no Japão.
'MEU PAI ACHAVA QUE MORRERIA SEM O TÍTULO DA LIBERTADORES'
Também deu problema no ingresso. Comprei no Brasil, mas não me atentei para os lugares específicos para deficientes. Cancelei o que tinha comprado e uma menina com a qual fiz amizade pelo Facebook, que mora no Japão, comprou um bilhete especial para mim. Detalhe: o lugar para cadeirante é no setor da torcida do Chelsea. Mas estou nem aí, minha bandeira estará aberta no meio dos ingleses, com orgulho.
Meu pai dizia que achava que morreria sem ver o Corinthians campeão da Libertadores, sem passaporte, aquela ladainha. Quando a gente viu que a coisa estava engrenando, comecei a ver passagens, hotel, tudo. Depois que conquistamos o título, a gente fechou tudo.
E, apesar de tudo que passei pra chegar aqui e tudo que ainda vou passar pra voltar, estou muito feliz!
Tinha um sonho de vir para cá e consegui. Pelo Corinthians vale!"
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