Bicampeão da Superliga e ex-Rei de Praia tentam alavancar o vôlei sentado
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– Eu tenho de falar português bem claro para as pessoas que me perguntam: jogo voleibol sentado, com a bunda no chão.
A declaração de Anderson Ribas, bicampeão da Superliga Masculina de vôlei e atualmente atleta da Seleção Brasileira de vôlei sentado, evidencia o esforço necessário para tornar visível uma vertente ignorada do esporte mais vitorioso do país nas últimas décadas.
Aos 36 anos e com 2,12m, o ponteiro do time verde e amarelo é um dos líderes de um grupo de 16 jogadores, sendo 14 deficientes físicos, ao lado do ex-atleta de vôlei de praia Fred Doria, de 43 e 2,00m, da posição.
Ambos não apresentam o que pode ser considerado uma grande deficiência física, mas integram a categoria mínima elegibilidade, para atletas com pequenas limitações. O primeiro sofre de stress em valgo, o que faz suas pernas se movimentarem levemente para dentro ao andar. Já o segundo tem alterações no tendão patelar do joelho esquerdo.
Juntos, os jogadores batalham para tornar a equipe, atual vice-campeã mundial, uma potência, bem como para elevar o esporte a um degrau de maior visibilidade, como o vôlei olímpico conseguiu no passado. Os Jogos Parapan-Americanos de Toronto (CAN), que vão até sábado, são uma grande oportunidade.
Nascido em Curitiba, Anderson faturou os títulos da Superliga nas temporadas 1995/1996, pelo Olympikus (RJ), e 2003/2004, pela Unisul (RS). Deixou as quadras, onde atuava como central, por causa de problemas físicos constantes. Não pensava mais em competir, até que veio o convite para conhecer o trabalho da Universidade Livre para Para a Eficiência Humana (Unilehu), em 2011.
– Eu tinha receio. Minha filha, com dois anos, olhava para aqueles garotos com próteses e estranhava. Em um mês, me convocaram para a Seleção. Fiz classificação no Egito e fui a Londres. Hoje, estou honrado de jogar aqui – disse Anderson ao LANCE!.
A introdução de Fred veio em circunstâncias parecidas, mas o terreno onde o carioca de Niterói mais se realizou antes de chegar ao movimento paralímpico foi a areia. Após passagem pelas quadras do Flamengo, ele faturou o título de Rei da Praia em 1994, ao lado de Márcio Araújo. Lembra que era apenas um azarão.
Na época, Fred já havia sofrido uma lesão no ombro direito. Em 2009, rompeu o tendão patelar do joelho esquerdo quando jogava nos Estados Unidos. Tantas dores lhe tiraram a vontade de ser atleta. Mas, no ano seguinte, conheceu um projeto de vôlei sentado no Rio e gostou.
– Prefiro não lembrar das lesões, mas aconteceram. Agora, estou em outros ares, fazendo o que gosto. E vou ser medalhista – garantiu Fred.
Só há uma meta no Parapan de Toronto e nos Jogos Paralímpicos do ano que vem: ser campeão. Nas Américas, a Seleção já é o time a ser batido. Estados Unidos e Canadá devem brigar pelo segundo lugar, que vai classificar ao Rio-2016, já que o Brasil, por ser país-sede do evento, já tem vaga garantida.
Sob o comando de Fernando Guimarães, irmão do tricampeão olímpico José Roberto Guimarães, o Brasil foi o primeiro país a apostar em atletas olímpicos no esporte paralímpico. Por terem elegibilidade mínima, os gigantes só podem estar em quadra um por vez.
E se alguém ainda duvida da capacidade deles de se movimentar sentados com toda essa altura, basta procurar conhecer de perto o esporte.
* O repórter viaja a convite do CPB
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