Atletas brasileiros são alvos de monitoramento do COB
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Caso os Jogos Olímpicos Rio-2016 acabassem hoje, o Brasil terminaria a competição em nono lugar no quadro total de medalhas e em 12º no número de ouros obtidos. A situação hipotética tem por base um monitoramento desenvolvido pelo Comitê Olímpico Brasileiro (COB) com o objetivo de auxiliar na estratégia de investimentos e acompanhar o desenvolvimento do esporte do país.
– É preciso deixar claro que esse é um modelo de avaliação, não é garantia de medalha. É uma técnica para auxiliar as nossas estratégias e um modo de identificarmos atletas não só para os Jogos de 2016, como também de 2020, 2024 – explicou o gerente de performance esportiva do COB, Jorge Bichara.
O monitoramento se restringe aos resultados obtidos por atletas e equipes brasileiras em campeonatos mundiais ou nos rankings de cada federação internacional. E visa não só aos atletas de ponta, mas os classificados dentre os cem primeiros colocados de cada esporte.
– Os campeonatos mundiais se assemelham muitos aos Jogos Olímpicos. Por isso, preferimos nos orientar por eles. Mas temos outros meios de aferição, que podem até ser subjetivos, como ocorre com o futebol – contou Bichara.
O modelo de acompanhamento utilizado pelo COB não é uma novidade, mas só foi possível ser implementado por causa dos crescentes recursos da Lei Agnelo/Piva. O Brasil optou por se inspirar no programa usado pelos ingleses.
O programa passou a ser adotado em 2009, após os Jogos Olímpicos de Pequim. E os resultados já podem ser percebidos. Em 2013, o Brasil conquistou, até setembro, 20 medalhas em campeonatos mundiais, três a mais do que as 17 obtidas em Londres-2012.
Em 2009, após a Olimpíada chinesa, foram apenas nove contra 15 medalhas que foram obtidas.
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Bate-Bola
Jorge Bichara
Gerente de Performance do COB, em entrevista ao LANCE!
É claro que o monitoramento pode ter um retrato diferente do que ocorrerá em 2016. Mas ele pode indicar os caminhos a seguir?
Sim. E essa indicação é uma das finalidades. Por ele, vemos como estamos indo nas principais competições e onde precisamos melhorar, o que pode ser feito. Ajuda na decisão de se colocar dinheiro aqui ou ali.
Um exemplo?
A Yane Marques se consolidou entre as dez melhores no pentatlo. Fomos ao técnico dela e perguntamos onde melhorar. Ele nos disse: na esgrima. Fizemos treinamentos na França e nos Estados Unidos e deu resultado.
E os novos atletas?
Por exemplo, atualmente, monitoramos com a confederação 22 ginastas masculinos e 22 atletas femininas que poderão estar nos Jogos Rio-2016.
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A 'vigilância' feita pelo COB
O que é?
O modelo analisa os resultados de uma competição de referência mundial de cada modalidade olímpica.
Campeonatos Mundiais
São as competições preferidas para aferir os desempenhos dos atletas.
Ausência
Em anos que não ocorram disputas de campeonatos mundiais, utiliza-se o ranking das federações internacionais.
Mudança
Por causa do número de competições, a posição na tabela sempre é alterada.
O que falta
Em 2013, ainda faltam a os resultados de boxe, ginástica, handebol feminino, golfe, tênis e de hipismo.
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COB vê o futebol como a exceção
Pelas características peculiares de disputa em edições de Jogos Olímpicos, o futebol é a única modalidade que não tem um método eficaz de aferição. No caso, utiliza-se o critério subjetivo.
– Não tem um torneio que se assemelhe aos Jogos. Os ingleses, por exemplo, repetem por quatro anos o resultado obtido nos Jogos Olímpicos anterior. Mas não achamos isso ideal. Em todo o caso, precisamos recorrer a algo subjetivo – disse o gerente de performance esportiva do COB, Jorge Bichara.
O fato de o Brasil ser um potência no futebol e considerado favorito para a disputa de qualquer competição facilita a análise mas não serve de argumento para o monitoramento. De acordo com Bichara, o COB passa a acompanhar os jogadores que poderão estar nos Jogos Rio-2016.
O desempenho deles serve como base para afirmar se realmente a Seleção pode ser considerada apta a ganhar ou não uma medalha.
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Aliança com os rivais
Entre as estratégias traçadas pelas análises obtidas pelo sistema de monitoramento está a realização de alianças com outros países. Para melhorar a performance dos atletas busca-se intercâmbio com quem domina determinado esporte onde é preciso melhorar.
No judô, no qual o Brasil é uma potência esportiva, há um acordo com Japão, França e Holanda para a troca de imagens das lutas.
Outro exemplo é a movimentação já iniciada pelo Brasil para uma maior aproximação com o Japão, sede dos Jogos Olímpicos de 2020. No próximo mês uma delegação brasileira dará continuidade aos acordos para a utilização de centros de treinamentos nipônicos.
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