icons.title signature.placeholder Daniel Romeu
11/11/2010
16:23

Adversários diretos na briga pelo título, torcedores, jogadores e treinadores de Corinthians e Cruzeiro concordam ao menos em um aspecto: tanto o Timão como a Raposa encaram a partida do próximo sábado, no Pacaembu, como decisiva na briga pelo Brasileirão de 2010.

Se os três pontos podem até levar o time vencedor de volta à liderança do Nacional, uma derrota afastaria as chances de conquistar o caneco nas três últimas rodadas. E os dois clubes estão "acostumados" a brigar entre eles por um título brasileiro.

Com dois dos melhores elencos do país em 1998, Corinthians e Cruzeiro protagonizaram a disputada final do Brasileirão daquele ano. Caso algum clube vencesse as duas primeiras partidas da decisão, seria consagrado campeão. Não foi o caso: após dois empates - em Belo Horizonte, por 2 a 2, e em São Paulo, por 1 a 1 -, uma terceira partida foi disputada e o Corinthians venceu por 2 a 0 e foi bicampeão nacional.

Se hoje Corinthians e Cruzeiro empatam no número de pontos e no de vitórias (o Timão leva a melhor no saldo de gols), na primeira fase de 98 quem levou a melhor foi o clube paulista. Com 14 vitórias, o Alvinegro classificou-se para as quartas-de-final na primeira colocação entre os 20 clubes participantes. Depois de eliminar Grêmio e Santos, nas quartas e nas semis, o Timão do técnico Vanderlei Luxemburgo chegou à fase decisiva como favorito. Marcelinho Carioca e Edílson desequilibravam as partidas e eram os artilheiros da equipe.

Do outro lado, o Cruzeiro lutava para acabar com o fardo de permanecer como um dos poucos clubes grandes que ainda não haviam vencido o Brasileiro, feito que só conseguiu em 2003. Com uma modesta sétima colocação, o time chegou ao mata-mata com uma pedreira pela frente: o Palmeiras, campeão da Copa do Brasil e segundo colocado na fase de classificação. No entanto, depois de eliminar o Verdão e a Portuguesa no mata-mata, a Raposa estava na final pela terceira vez em sua História.

O time mineiro contava com os jovens Dida, Ricardinho e Fábio Júnior, artilheiro do clube naquele Brasileiro, com 18 gols. Embalada, a equipe acreditava que o sonhado título nacional poderia vir contra o Timão.

- Em Belo Horizonte (na primeira partida da final), abrimos 2 a 0 e cedemos o empate. No jogo decisivo em São Paulo, diante de uma torcida que incentiva o jogo todo, eles souberam aproveitar bem esse o resultado - afirmou Fábio Júnior, hoje artilheiro da Série B pelo América-MG, e um dos principais destaques do Brasileirão de 1998.

No jogo do Mineirão, Valdo e Müller deram boa vantagem ao Cruzeiro antes mesmo do intervalo. Na volta dos vestiários, Dinei e Marcelinho arrancaram um importante empate para o Corinthians. Uma semana depois, no Morumbi, outro empate, só que desta vez com gols de Marcelinho e Marcelo Ramos.

Não teve jeito: o campeão brasileiro de 1998 seria decidido só na terceira partida, novamente no Morumbi.

- A decisão foi só na última partida. No segundo jogo, o Cruzeiro jogou até melhor, mas levamos para a terceira partida. Foi muito difícil mesmo. Naquela final, eram muitos jogadores que podiam fazer a diferença nas duas equipes. Mas éstavamos numa ótima fase no Corinthians e, graças a Deus, vencemos - declarou Edilson, autor do gol que abriu o caminho para o título do Corinthians na vitória por 2 a 0.

Se em 1998 Edílson e Fábio Júnior chamavam a atenção das torcidas, desta vez Ronaldo e Montillo podem decidir a qualquer momento. Será que desta vez o Cruzeiro dá o troco?

- Assim como naquela época, os dois clubes hoje têm grandes jogadores, consagrados. Eram os dois melhores times do Brasil. O equilíbrio é parecido, pois são times que mesclam jogadores experientes com os mais jovens. Estão brigando pelo título até agora, e isso mostra bem o equilíbrio. Para os torcedores que forem ao estádio, tenho certeza que vai ser um grande confronto - explicou Fábio Júnior.

- Apesar do Cruzeiro estar bem, em casa e com o apoio da torcida o Corinthians tem a vantagem. Com o forte meio de campo da equipe e com o Ronaldo em campo, melhor ainda. Numa decisão, tem que aproveitar as oportunidades, que são poucas. Se tiver meia oportunidade, tem que mandar para dentro - finalizou Edílson.