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Após discurso controverso e tropeços, Felipão deixa de ser unanimidade no Verdão

Treino do Vasco em Montevidéu (Foto: Bruno Braz)
imagem cameraTreino do Vasco em Montevidéu (Foto: Bruno Braz)
Dia 27/10/2015
21:32

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O técnico Luiz Felipe Scolari não é mais unanimidade no Palestra Itália. Dessa vez, a pressão não é somente de alguns conselheiros em cima do presidente Arnaldo Tirone. A queda de rendimento gera críticas de sócios e torcedores, no clube e em redes sociais.

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E os questionamentos são muitos: pelas substituições durante as partidas, os erros defensivos nos cruzamentos, por dizer que jogar em casa é indiferente, o fato de não aproveitar jogadores da base do clube, entre outras situações.

Após os fracassos nas duas últimas temporadas, a promessa era de que 2012 fosse melhor, e com títulos. No início do ano, o treinador recebeu os reforços que tanto desejava e teve tempo para trabalhar o time. O início foi promissor, com 22 partidas de invencibilidade (contando alguns compromissos do ano passado). Mas desde a derrota para o Corinthians, em 25 de março, tudo isso mudou.

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O ápice do descontentamento veio com as declarações do técnico após o tropeço por 3 a 1 diante do Guarani, no último domingo. O resultado colocou o Alviverde na quinta colocação do Paulistão. Se em boa parte da primeira fase do Estadual ele falava em terminar entre os três primeiros colocados para ter vantagem na fase final, agora o tom é outro. O comandante palmeirense até chegou a dizer que "era muito melhor jogar na casa dos outros", já que a reforma no Palestra continua.

Por enquanto, a diretoria mantém o apoio ao técnico. O presidente Arnaldo Tirone não esconde o incômodo com os últimos resultados, mas não vai tomar nenhuma atitude radical. Uma troca no comando do time não é cogitada no momento.

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No Palmeiras desde julho de 2010, Felipão ainda tem um pouco de crédito por seu passado vitorioso. A boa sequência no início da temporada e uma mudança na postura do time – a dependência pela jogada de bola parada de Marcos Assunção diminuiu – também são fatores positivos.

Com contrato até o fim do ano, o comandante palmeirense ainda precisa solucionar alguns problemas para recolocar a equipe no caminho dos títulos. Do contrário, a torcida vai ficar ainda mais insatisfeita.

 

Os 7 pecados de Felipão

Motivos que fazem a corneta soar na torcida e dentro do Verdão

Caos aéreo na defesa
Luiz Felipe Scolari não consegue acertar o setor defensivo da equipe, sobretudo em bolas aéreas. No ano passado, até disse que nunca havia tido tanta dificuldade para arrumar uma equipe, o que gerou mal-estar dentro do grupo. Nesta temporada, o time segue com problemas no setor, que é apenas o sexto melhor no Paulistão, com 22 gols tomados, atrás de Guarani (16), Mogi Mirim (20) e dos outros três grandes. Das últimas dez bolas na rede de Deola, seis foram após cruzamentos pelo alto na grande área. Até o atacante Barcos reclamou das falhas defensivas.

Time 'engessado' e substituições
Felipão voltou ao Palestra Itália em 2010, implementou o esquema 4-2-3-1 na equipe e praticamente não alterou o jeito de jogar do Palmeiras desde então. Um armador, dois abertos pelas pontas que ajudam na marcação, e um centroavante. Quando faz alterações durante as partidas, raramente muda o estilo de atuar do Verdão. E as peças escolhidas para modificar a equipe também geram críticas. A insistência com Chico irrita boa parte da torcida. No domingo, entrou quando o time perdia para o Guarani.

Discurso de sem-teto
Scolari iniciou o Paulistão afirmando que o objetivo era se classificar na melhor colocação possível para a fase de mata-mata. Com o time caindo pelas tabelas – três vitórias nos últimos quatro jogos no torneio –, o técnico mudou o discurso e diz que não faz diferença avançar entre os quatro primeiros para ter o mando, porque o time "não tem casa" – o Palestra passa por reformas. Desde que retornou, Felipão conquistou 62,3% dos pontos como mandante (33V, 12E, 12D) e 50,2% como visitante (25V, 23E,17D).

Fator casa contra os rivais
O discurso de que o mando de campo não importa para o Palmeiras irrita ainda mais o torcedor quando é considerado o desempenho do Verdão diante dos seus rivais na casa alheia. À exceção do Santos, o Alviverde vive longos jejuns diante de São Paulo e Corinthians. Contra o time do Morumbi, possível adversário na semifinal no panorama atual, não sabe o que é vencer desde 2002. São 11 derrotas e sete empates. Já no duelo com o maior rival não leva a melhor desde 1995 – cinco derrotas e três empates.

Reforços pedidos e contratados
O comandante terminou o ano passado com o famoso discurso de que havia passado a temporada inteira se contentando com arroz e feijão e que para 2012 gostaria de ter no seu cardápio camarões e salada. Seis reforços foram contratados (Román, Juninho, Daniel Carvalho, Artur, Barcos e Wesley) – todos com a anuência de Felipão. A equipe iniciou bem o Estadual, com Barcos em alta, mas começou a jogar mal assim que o técnico mexeu na formação para tentar encaixar Wesley, antes da lesão, entre os 11.

Vale tudo isso?
Depois dos últimos tropeços da equipe, conselheiros e diretores voltaram a questionar o presidente Arnaldo Tirone sobre o custo-benefício de ter Luiz Felipe como técnico. Com salário alto e o treinador há mais tempo no cargo em uma equipe da Série A, Scolari ainda não conseguiu chegar à uma decisão com o Palmeiras desde que foi recontratado. O máximo que conseguiu foi ser eliminado pelo Goiás na semifinal da Sul-Americana de 2010, no Pacaembu, e também cair na mesma fase para o Corinthians no Paulista-11.

Base esquecida
Outra reclamação da torcida é o fato de a base ter poucas oportunidades com a atual comissão técnica. No atual time titular, apenas Deola é oriundo das categorias inferiores. O jovem atacante Vinícius, de 18 anos, também compõe o elenco, mas não tem muitas chances. No ano passado até esteve no meio de uma briga entre seus representantes e Felipão. Alguns talentos da base, como o meia Bruno Dybal, de 18 anos, e o meia-atacante Patrick Vieira, de 19 anos, são apontados por torcedores como "aproveitáveis".

Antes de perder, só elogios!
Alguns pontos são elogiados como evolução em relação aos anos anteriores. A temporada começou com ambiente mais tranquilo dentro do vestiário – muito pela chegada do gerente César Sampaio, em novembro, e também pela invencibilidade de 22 partidas que o time construiu (incluindo a vitória no amistoso com o Ajax-HOL) até perder para o Corinthians. Outra atitude que contribuiu para a calmaria no grupo foi o discurso mais ameno de Scolari ao citar a diretoria e arbitragem. Ele tem falado pouco – só após os jogos – também para evitar as polêmicas e turbulência na Academia.

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