Ameaça de greve geral assombra estádios da Copa
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Consideradas pelos líderes sindicais como paradigma, as duas paralisações no Maracanã tornaram-se inspiração para conquistas de trabalhadores de todas as cidades do Mundial. Coordenados pela União Geral dos Trabalhadores(UGT), sindicatos negociam com as concessionárias responsáveis pelas obras a obtenção dos mesmos benefícios assegurados aos operários que trabalham no estádio fluminense. Agora, os focos de greve de operários em alguns canteiros de obras de estádios de cidades-sede da Copa do Mundo resultaram em reivindicações coletivas.
Em entrevista ao LANCE!, Ricardo Patah, presidente da União Geral dos Trabalhadores (UGT), disse que o desejo da entidade e dos sindicatos que participam das rodadas de negociação é de que os benefícios sejam garantidos até o fim de 2011. O dirigente sindical, no entanto, não descartou uma greve geral para o início de 2012.
- Não seremos radicais, nós queremos a Copa. Mas se a maioria das empreiteiras demonstrar insensibilidade, podemos parar, sim. É difícil negociar com algumas empreiteiras - disse Ricardo Patah.
Fundamentalmente, as conversas giram em torno da garantia do seguro de saúde aos trabalhadores e todos os seus familiares, aumento no valor da cesta básica - no Maracanã passou de R$ 110 para R$ 180 - e presença constante de médicos e nutricionistas durante o plantão, além de aumento do piso salarial. Esta questão, contudo, é decidida por meio de acordo coletivo, e varia de estado para estado.
- Esperamos que não haja novas paralisações. A pausa foi conduzida por uma minoria- minimizou Marcos Lessa, diretor-presidente do Consórcio Arena Pernambuco, uma das obras que teve recentemente seu cronograma comprometido por conta de greve.
Até o momento, além das paralisações no estádio pernambucano e no Maracanã, operários em Belo Horizonte e no Distrito Federal também cruzaram temporariamente os braços.
Cesta básica
O valor do benefício aumentou em R$70 depois das paralisações no Rio.
Plano de saúde
Antes, apenas encarregados das obras tinham benefícios. Acordo garantiu
benefício a todos os outros operários.
Condições
Médicos de plantão. A comida estragada foi estopim para greve no Maracanã.
Para um país que valoriza tanto o futebol, a Copa do Mundo no Brasil é importantíssima,mas nós temos de ter responsabilidade com relação ao trabalho decente.
Os operários não podem pagar com suas vidas, não podem ser prejudicados por coisas que façam mal a eles. No estádio do Maracanã, iniciamos uma greve após comida estragada ser servida aos milhares de trabalhadores, algo que é inconcebível.
Não podemos perder a oportunidade de resgatarmos estas pessoas, que foram as responsáveis pela construção de nosso país. Mas isso deve ser feito da forma certa e adequada.
Com todos os estádios do Mundial sendo construídos a toque de caixa, o risco de acidentes e de diversas violações dos direitos dos trabalhadores aumenta muito.
Por isso, estamos alertando as empresas concessionárias sobre coisas que podem trazer prejuízos aos trabalhadores. A questão é que muitos patrões ainda veem os trabalhadores como um custo, não como um parceiro.
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