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'Ainda vou trabalhar em todos os grandes', diz Jorginho ao L!NET

Dia 27/10/2015
21:34

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Se dizer tão bom ou melhor do que qualquer técnico de ponta poderia soar arrogante para um treinador que acumula menos de dois anos na profissão. Poderia. Isso se o autor da frase não fosse Jorginho.

O responsável pelo acesso da Portuguesa recebeu o LANCENET! no Canindé na semana que passou e deu uma aula de como driblar as peças que a vida prega para se tornar ainda mais forte no que faz. O "coração seco", termo usado para se definir após perder irmã e filho, se desmanchou ao tocar no assunto. As lágrimas molharam o rosto enrijecido pelas broncas do treino que acabara de aplicar em uma gelada segunda-feira. Mas nada lhe tira a confiança de dizer:

– Ainda vou trabalhar em todos os clubes grandes, pode escrever - aposta.

LANCENET!: Todos comentam que a montagem do elenco da Lusa foi determinante para a boa campanha na Série B. Qual foi a sua participação?

JORGINHO: Sugeri uma grande lista de atletas e a diretoria trouxe quem pôde. Os que chegaram sem minha sugestão passaram pelo meu crivo. Foi um trabalho conjunto entre diretoria e comissão técnica. A montagem também passou pela liberação de jogadores de nome.

L!NET: Pouco depois de você chegar à Portuguesa, o Dodô foi dispensado. Como foi o episódio?

J: Não dispensei o Dodô. Ele praticamente pediu para sair. Houve aquele episódio no Canindé contra o Bragantino, em que ele saiu bravo, arremessando a faixa de capitão e indo embora do estádio sozinho. Aceito que fique triste, mas não pode desrespeitar ninguém. Nem
quem entra e nem quem está no banco. Ninguém aqui é otário.

L!NET: Com a Portuguesa líder desde o princípio, sua principal missão foi controlar os ânimos da equipe?

J: O primeiro passo para manter o foco é ter qualidade, e isso eles tem. Depois, tem de trabalhar, e eles se empenharam ao máximo. Eu não podia deixar cair. A exigência deles próprios foi de melhorar mais e mais. Sabiam que seria melhor para todos, principalmente a Lusa.

L!NET: Você foi comparado ao Guardiola pelo estilo ofensivo. É seu estilo ou foi natural dos jogadores?

J: Minha característica é de jogar sempre para frente. Prefiro o tempo inteiro assim, nem que tome uma goleada, do que ficar na defesa. Vamos tentar sempre jogar para frente. Mas preciso lembrar que só dá para colocar em prática se os jogadores me derem a possibilidade.

L!NET: Daria para implantar esse estilo em uma equipe de Série A?

J: Lógico. Dá para fazer em qualquer equipe. Mas passa por ter jogadores com essa capacidade e uma estrutura por trás. A diretoria não deve te mandar embora se você perder dois ou três jogos, a torcida deve apoiar. Com isso, o treinador faz qualquer coisa que se deseja em um
time. Aí, até se um dia eu precisar mudar e jogar lá atrás, eu jogo.

L!NET: Mano Menezes e Dorival Júnior ganharam a Série B e conseguiram uma enorme valorização. O que esse título vai significar para você, se a Portuguesa triunfar?

J: Qualquer título é importante. Pode ser de futebol de botão ou bolinha de gude. Aprendi que você tem de ser o melhor sempre. Não consigo admitir que tenha alguém melhor do que eu. E para isso me dedico muito, passo noites e mais noites sem dormir, sou perfeccionista e obcecado. Preciso mostrar ao jogador que ele tem de correr mais do que o adversário. Para quem pensa assim, cada minuto, cada gol e cada ponto é importante. Título e valorização são consequências.

L!NET: A valorização após o fim da Série B não te anima?

J: Não penso em me valorizar no mercado. Isso não me preocupa nem um pouco. Quando as coisas tiverem de vir, vão aparecer. Não me planejo para essas coisas. Com todo respeito, sou tão bom quanto qualquer treinador de ponta. Qualquer um desses considerados "bam bam bam". Só não tenho a experiência deles porque são mais velhos. Sou tão bom quanto eles ou melhor!

L!NET: O que tiraria você da Lusa?

J: Hoje, nada. Não consigo pensar em outra coisa que não seja a Série B. E se vierem conversar comigo, não vou esconder de ninguém.

L!NET: A proposta de um clube como o São Paulo te balançaria?

J: Está tentando me pegar, né? Deu o primeiro passo certo porque falou o nome de um time que está sem técnico, e isso é o correto. Mas hoje não passa pela minha cabeça.

L!NET: A morte do seu filho mudou sua personalidade? Interfere no Jorginho que vemos hoje?

J: Estou mais cascudo. Essas coisas fazem com que você veja e entenda a vida de forma diferente. Estou mais calejado, certas vaidades não levam a nada. Esses incidentes montaram a pessoa que sou. Só não tolero falsidade e deslealdade. Nota da Redação: Leonardo faleceu aos 16 anos,em 2008, num acidente de moto.

L!NET: Quando fala nos incidentes, se refere à morte da sua irmã e aos problemas de saúde da mãe e esposa, não é? Como é lidar com tudo isso e trabalhar ao mesmo tempo?

J: Quando minha irmã estava internada, eu jogava no Santo André. Era o único autorizado a treinar com o telefone do lado do campo. Se tocasse, eu saía correndo. E este ano, houve um jogo em que minha irmã mãe e minha esposa foram operadas no dia do jogo da Portuguesa. Minha mãe durante o jogo. (A irmã de Jorginho morreu em 2002, vítima de câncer no pâncreas).

L!NET: Ficou alguma mágoa por ter deixado o comando do Palmeiras, em 2009, com uma ótima campanha no Brasileirão?

J: Não ficou nenhuma frustração. Agradeço muito ao Palmeiras por tudo que fizeram por mim como funcionário. Foram três anos, sendo oito meses perto do meu filho. O Palmeiras deu a oportunidade dele se tornar profissional, era seu sonho. Isso não tem preço. Quem começou tudo foi Toninho Cecílio (ex-diretor do Palmeiras e hoje técnico do Avaí). Graças ao Palmeiras trabalho em um cargo que me preparei a vida inteira para ocupar.

L!NET: Você sonha com uma volta ao Palmeiras?

J: Um dia vou trabalhar em todos os clubes grandes do Brasil, pode escrever. Da mesma forma que estou na Portuguesa hoje, vou passar por todos os outros grandes. É lógico que tenho gratidão pelo Palmeiras, mas a vontade de trabalhar é mesma do que em todos os outros clubes grandes. Em todas as equipes grandes do Brasil meu carinho e profissionalismo serão iguais.

L!NET: Como jogador e auxiliar-técnico você trabalhou ao lado de grandes técnicos, como Leão, Muricy etc. O que absorveu de cada um?

J: Absorvi o que achei que era bom. Oswaldo de Oliveira é um que sou mais parecido na linha de conduta. É um cara sério, honesto e tranquilo. Peguei também um pouco do jeito do Leão disciplinador, o jeito do (Valdir) Espinosa (técnico campeão mundial pelo Grêmio em 1981) de
conversar com o atleta. Tem o Roberval (Davino), um cara sensacional que nunca teve chance, e o Candinho, que admiro muito. Como jogador, o que mais me marcou foi o Servílio. Mas nenhum é meu espelho, apenas fontes de inspiração.

Carreira de Jorginho como jogador

Nome: Jorge Luís da Silva

Nascimento: 22/3/1965, em São Paulo (SP)

Posição: Meia-atacante

Como jogador: Lusa, Palmeiras, Paysandu, Coritiba, Juventude, Santos, Paulista, Atlético-MG, Paraná, Avaí, Fluminense, Rio Branco (AC) e Santo André

Na Seleção: Um jogo, contra a Espanha, em 1990

Carreira de Jorginho como treinador

Início: Palmeiras

Passou por: Ponte Preta e Goiás

Clube atual: Portuguesa

Na Lusa: Chegou no clube em meio a disputa do Paulistão, mas foi na Série B que conquistou a torcida. Lançando um time jovem e ofensivo, montou a melhor Portuguesa dos últimos 15 anos (desde o vice no Brasileirão de 96).

Com a Palavra, Manoel da Lupa, presidente da Portuguesa ao L!NET:

Quando falarmos do Jorginho é sempre bom lembrar que ele é bastante jovem e ainda tem muito a crescer. Por enquanto, tem apenas um bom trabalho no Palmeiras e essa Série B pela Portuguesa, em que foi perfeito. É um cara muito honesto e tenho certeza de que terá um futuro brilhante.

Fora de campo, o trabalho é ainda melhor. Agrada muito como ele faz com que o jogador lute pelo time e perceba que a camisa que veste é bastante importante. E o reflexo disso está nas estatísticas: jogadores de todas as posições fizeram gol pela Portuguesa na Série B deste ano.

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