Jorginho defende legado do Brasil de 94: 'Essa Seleção foi ridicularizada por muitos anos'
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A conquista do tetra na Copa do Mundo de 1994 fez o Brasil quebrar jejum de 24 anos, e esta Seleção ficou com a "pecha" de medíocre injustamente. Quem afirma isso é o ex-jogador Jorginho, lateral-direito titular da equipe verde e amarela na época.
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Para Jorginho — que hoje é treinador de futebol — a Seleção Brasileira tinha qualidade técnica, tática e jogadores acima da média. Ele defendeu o legado da equipe comandada por Carlos Alberto Parreira e analisou que ela foi ridicularizada por muitos anos (veja a entrevista completa no vídeo abaixo).
— Em 2020, reprisaram a Copa inteira. Foi quando enxergaram essa equipe de forma diferente. Sempre falaram como um time medíocre. Como vai ser medíocre com um goleiro como o Taffarel, laterais como eu, Cafu, Branco, Leonardo. Mauro Silva nos dava tranquilidade. Tínhamos dois zagueiraços, o meio de campo ainda tinha Dunga, Zinho, que faziam uma construção maravilhosa.

— Esse jogo "apoiado", que muita gente liga ao Fernando Diniz, a gente fazia. Essa Seleção foi ridicularizada por muitos anos, até 2020. Era qualificada taticamente, tecnicamente. (…) Foi um time que marcou pela entrega tática, mas também pela grande qualidade — analisou, em entrevista ao Lance!.
Agressão histórica
Um lance marcante da Copa de 1994 foi a cotovelada de Leonardo em Tab Ramos, meio-campista dos EUA, nas oitavas de final. O agredido teve nariz quebrado e algumas complicações devido ao ocorrido. Jorginho defendeu a inocência do ex-companheiro e deu detalhes do lance.
— Quem conhece o Leonardo sabe que ele nunca daria uma cotovelada em ninguém. Depois, a gente vê que o adversário estava curvado, não na altura normal. Se estivesse, a pancada seria no peito. O Leonardo tomaria, no máximo, cartão amarelo. Mas a cena foi muito forte, o atleta teve uma convulsão — contou.
Jorginho também revelou qual foi a motivação da equipe para buscar a vitória mesmo em desvantagem numérica. Ele disse que o time lembrou da eliminação de 1990 para a Argentina e não admitiria uma nova queda na Copa.
— O que veio na minha cabeça foi o jogo da Argentina, em 1990. A gente falou isso no vestiário, que aquilo não poderia acontecer de novo, de jeito nenhum. Falamos que estávamos jogando bem melhor que os adversários, que precisávamos ganhar, passar de fase, não seria justo ficar pelo caminho. Foi o que aconteceu, jogamos muito no segundo tempo.
Surgimento de uma lenda da Seleção Brasileira
Jorginho era titular daquela Seleção Brasileira campeã mundial. O seu reserva? Cafu, que seria o capitão do penta em 2002 e o dono da marca de mais partidas disputadas com a camisa do Brasil em mundiais.
Na final de 1994, Jorginho foi substituído ainda no primeiro tempo por Cafu, em razão de uma lesão. Depois disso, ele acompanhou o surgimento de uma lenda na posição. O ex-atleta disse que o caso desperta sentimentos mistos, mas valorizou a sua trajetória e a do companheiro.
— O jogo final foi muito difícil de lidar. É por isso que o Cafu tem essa marca hoje, que ninguém mais tem no mundo, de três finais de Copa consecutivas. É maravilhoso, um grande vencedor. Foi um sentimento misto, para mim, com a tristeza no início e a explosão de alegria no final. Jogo difícil, adversário difícil, jogamos ao meio dia, com um sol escaldante. Mesmo com 30 anos, esse sentimento perdura. Pais, avós, falam para os filhos e netos quando encontram a gente na rua: "Aquele é o Jorginho, cruzava muito". É muito gratificante.

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