Rogerio Caboclo

Rogério Caboclo é conselheiro do São Paulo e pode ser expulso do quadro (Foto: Divulgação)

Gabriel Santos
08/06/2021
07:00
São Paulo (SP)

O mundo do futebol virou de cabeça para baixo com a denúncia de uma funcionária da CBF contra o presidente da entidade, Rogério Caboclo. Ela acusa o dirigente de assédio sexual e moral. Com isso, Caboclo foi afastado do cargo por 30 dias para apuração por parte do Conselho de Ética da CBF. 

Conselheiro vitalício do São Paulo, Caboclo também pode perder esse posto, já que o Tricolor emitiu uma nota oficial em que afirma que irá aguardar as apurações da entidade para possíveis punições ao executivo. Com isso, o LANCE! mostra qual a história dele dentro do clube do Morumbi.

Começo no São Paulo
Rogério Caboclo é filho de Carlos Caboclo, ex-dirigente do São Paulo nas décadas de 70 e 80, onde ocupou cargos de chefia no clube, em áreas como categorias de base, comunicação e marketing. Projetado pelo pai, Rogério teve ligação com o São Paulo.

- O Conselho Deliberativo do São Paulo, assim como toda a coletividade são-paulina, sentem-se orgulhosos por ter Rogério Caboclo, um de seus membros, ascendendo ao nível mais alto do futebol brasileiro - disse o Tricolor, à época da eleição, em 2018.

Sua trajetória no clube começa quando ele foi diretor adjunto de marketing do Tricolor por uma ano, de abril de 1991 a abril de 1992, na gestão de José Eduardo Mesquita Pimenta. Nesse tempo, o São Paulo começava a viver suas maiores conquistas, como a Libertadores e o Mundial de Clubes.

Caboclo saiu da diretoria e voltou em 2000, para ser diretor financeiro do clube, na gestão do presidente Paulo Amaral. Ficou no cargo de maio de 2000 a abril de 2002. Nessa gestão, o São Paulo levantou o título do Paulistão de 2000, do Rio-São Paulo de 2001 e também contou com revelação do meia Kaká, que se tornaria ídolo do clube.

Parabéns do São Paulo após eleição da CBF
Eleito para o cargo de presidente da CBF (Confederação Brasileira de Futebol) em 2018, até abril de 2023, Rogério Caboclo recebeu os parabéns do São Paulo à época. O Tricolor publicou uma nota oficial relembrando a trajetória do cartola e desejou uma boa gestão ao novo mandatário do futebol brasileiro.

- O Conselho Deliberativo do São Paulo, assim como toda a coletividade são-paulina, sentem-se orgulhosos por ter Rogério Caboclo, um de seus membros, ascendendo ao nível mais alto do futebol brasileiro. Desejamos ao Rogério sucesso no enfrentamento desses novos desafios, certos de que em muito contribuirá para o desenvolvimento do futebol brasileiro, assim como outro grande são-paulino, Paulo Machado de Carvalho, já fez no passado - afirmou Marcelo Pupo Barboza, então presidente do Conselho Deliberativo, do Tricolor.

Fake news de jogadores do São Paulo vacinados 
No final de 2020, o São Paulo se viu em uma notícia falsa referente a pandemia e vacinação contra a Covid-19. Em dezembro, vários jogadores e integrantes de comissões técnicas de diversos clubes, começaram a ser infectados com o coronavírus. 

Mesmo com surtos em times como Corinthians e Santos, o São Paulo conseguiu mais eficiência em seu protocolo e durante esse tempo, somente o volante Tchê Tchê havia testado positivo e foi desfalque em algumas partidas. Isso foi

'A aplicação ilegal da vacina, que não tem aprovação da Anvisa, teria sido facilitada em um acordo de João Dória com o presidente [da CBF], Rogério Caboclo', dizia a fake news sobre a vacina da Covid-19 no elenco do São Paulo em 2020

A fake news começou a partir de um tweet que afirmava: "Anvisa testemunhou atletas do São Paulo Futebol Clube recebendo aplicações da vacina SINOVAC no CT do Clube, no dia 10 de novembro. A aplicação ilegal da vacina, que não tem aprovação da Anvisa, teria sido facilitada em um acordo de João Dória com o presidente [da CBF], Rogério Caboclo, são-paulino", dizia o texto.

Diante do boato, o próprio Governo do Estado de São Paulo desmentiu a informação também por meio das redes sociais. 

Possível expulsão do cargo de conselheiro vitalício 
Depois do caso de violência sexual e moral contra uma funcionária da CBF, Rogério Caboclo foi afastado da presidência da entidade por 30 dias. Além dessa punição, ele também pode ser punido pelo Conselho do São Paulo. 

O Conselho Deliberativo do São Paulo deverá nos próximos dias, tratar sobre o tema e definir as possíveis punições para Caboclo, que pode ser excluído do cargo de conselheiro. O clube aguardará a análise da Comissão de Ética da CBF, que está investigando o caso envolvendo o presidente.

"O São Paulo Futebol Clube tomou ciência pela imprensa da situação do conselheiro Rogério Caboclo, afastado da presidência da CBF (Confederação Brasileira de Futebol). Por meio dos Conselhos Deliberativo e Consultivo, o São Paulo Futebol Clube aguardará a análise da Comissão de Ética da CBF e buscará informações sobre o caso para deliberar quais medidas cabíveis serão tomadas dentro do previsto pelo Estatuto do clube — sendo que a apuração transcorrerá de maneira confidencial."

Em seu Estatuto Social, o São Paulo fala sobre possíveis punições aos conselheiros que descumprirem alguma norma.

§2º As infrações praticadas por Conselheiros, como Associados do SPFC, mas não relacionadas com seu mandato, serão julgadas pela Comissão Disciplinar do SPFC, em duas instâncias, sendo garantido o direito de recurso para o Conselho Deliberativo sempre que a pena aplicada pela Comissão Disciplinar for de suspensão ou eliminação, observando os prazos e competências previstas no Regimento Interno do SPFC.

§3º O Conselheiro somente poderá perder mandato em decorrência de infração disciplinar, por decisão de 2/3 (dois terços) dos integrantes do Conselho Deliberativo na data da votação, excluídas, neste caso, as vagas existentes por falecimento, renúncia, impedimento ou não preenchimento, assegurado ao acusado o contraditório e a ampla defesa, na forma do Regimento Interno do SPFC. Nesta hipótese a votação será secreta.