Gesto de Bobadilla em comemoração já causou expulsão no passado? Entenda
Bobadilla polemizou com gesto em clássico contra o Corinthians

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O clássico entre São Paulo e Corinthians, marcado pela derrota tricolor por 3 a 2, teve uma imagem que viralizou e protagonizou uma cena peculiar na Neo Química Arena. Após o gol de Luciano, no fim do primeiro tempo, Bobadilla, autor da assistência, saiu correndo para comemorar e fez um gesto próximo às partes íntimas, sem encostar. O VAR chamou Anderson Daronco para análise, por entender que poderia se tratar de gesto obsceno.
No entanto, o árbitro optou por não expulsar o volante. Daronco reproduziu o movimento em frente à torcida e explicou o motivo da decisão. Nas redes sociais e em programas esportivos, o lance gerou debate. Isso porque, em outras ocasiões, gestos semelhantes foram interpretados de maneira diferente pela arbitragem. O Lance! relembrou casos antigos e conversou com profissionais especializados em arbitragem para entender todos os lados.

Comemoração foi feita por outros nomes do futebol
Nomes como Edmundo e Loco Abreu protagonizaram gestos parecidos com o de Bobadilla, com a mesma temática, há mais de 30 anos. Em 1995, em um clássico entre Vasco e Flamengo, Edmundo fez um gesto em direção à torcida rival envolvendo a região íntima.
Loco Abreu, de forma mais semelhante ao lance de Bobadilla, repetiu o movimento em diversas comemorações. O uruguaio tratava o gesto como algo "tradicional" no futebol sul-americano, ainda que, no Brasil, a interpretação costume ser mais rígida.
Em um recorte mais recente, o tema voltou a gerar polêmica. Allan, do Corinthians, chegou a ser expulso após fazer gesto na região íntima. Diferentemente de Bobadilla, porém, houve contato com a área. O fato de o volante do São Paulo não ter encostado pesou para que a punição fosse diferente.
Análise de especialistas
A regra causa discordância entre profissionais de arbitragem. Existem regras que consideram gestos obscenos como motivo plausível de expulsão. No mais, não existe um esclarecimento sobre quais gestos se encaixam nisso.
Renata Ruel, ex-árbitra e analista na ESPN, se manifestou pela emissora e explicou que, sob seu ponto de vista, a comemoração de Bobadilla era passível de cartão vermelho.
- Daronco deixou de cumprir a regra ao não expulsar o Bobadilla. A regra diz que é para expulsar se o jogador usar linguagem ou realizar ação ofensiva, insultante ou abusiva. Não vejo interpretação: a ação (do Bobadilla) é abusiva, é gesto obsceno, não importa se encosta ou não nas partes íntimas. Era para vermelho, o VAR acertou em chamar e o Daronco errou em não aplicar o vermelho - disse.
O Lance! conversou com Carlos Eugênio Simon, ex-árbitro de futebol e também comentarista, e com Alfredo Loebeling, também ex-árbitro. Na visão deles, não era um lance passível de expulsão.
- Anderson Daronco interpretou que não houve um gesto obsceno. Caso entendesse dessa forma, o fato de o jogador tocar ou não na região genital seria irrelevante, já que a simples simulação do gesto também pode ser considerada obscena e passível de expulsão. No entanto, a interpretação do árbitro foi diferente. Segundo Daronco, o contexto cultural de argentinos e uruguaios influenciou a análise do lance - disse Alfredo.
- VAR não deveria ter sugerido revisão, não é situação de cartão vermelho - destacou Carlos Simon.
O que diz a regra?
A orientação geral das regras do jogo permite advertência ou expulsão em casos de:
- gesto obsceno
- conduta ofensiva
- provocação à torcida ou adversários
- atitude considerada desrespeitosa
Ou seja, não existe decisão automática. O árbitro avalia intenção, direção do gesto e impacto no ambiente do jogo.
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