Eliminação do São Paulo passa por crise política, técnica e futebolística
Tricolor foi eliminado em meio a uma das maiores crises da história

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O São Paulo vive uma crise que vai muito além da eliminação para o Juventude, nesta quarta-feira (13), pela Copa do Brasil. A queda de Roger Machado já parecia encaminhada antes mesmo da bola rolar. A competição tinha peso esportivo e financeiro, o próprio, agora ex-treinador havia ressaltado isso dias antes, mas internamente a sensação era de que o desgaste havia chegado a um ponto irreversível.
No começo da semana, a informação que circulava era de que Roger ainda permanecia no cargo por uma questão financeira. O clube evitava arcar com mais uma troca no comando técnico em meio a um cenário político turbulento, muito pelo lado financeiro e pelas diversas multas e valores que já estão devendo a ex-treinadores.
Só que a pressão externa se tornou grande demais. E ela não começou com os resultados recentes. Na prática, a ruptura entre Roger Machado e a torcida nasceu antes mesmo de sua apresentação oficial.
Tudo remonta à saída inesperada de Hernán Crespo. Até hoje, a diretoria não conseguiu apresentar uma justificativa clara para a demissão do argentino.
As versões foram muitas nos bastidores, segundo apurações levantadas na época: divergências internas, desconforto com posicionamentos do treinador, diferenças na forma de enxergar as metas no futebol. Mas nada foi efetivamente esclarecido ao torcedor. Uma insatisfação que nascia ainda mais no vazio.
Crespo era um técnico identificado com a torcida, vinha de bons resultados e mantinha uma relação positiva com o ambiente do clube. Por isso, quando o nome de Roger Machado começou a surgir nos bastidores, ainda no início de março, a resistência apareceu imediatamente. Parte pela rivalidade e pelo passado do treinador, parte pelos trabalhos anteriores, mas principalmente pela forma como a saída de Crespo foi conduzida. Pagando um preço que não era culpa dele.
Rui Costa citou "pressão externa" ao anunciar a demissão nesta quarta-feira, e ela realmente existia. Só que essa pressão não vinha apenas dos resultados. Roger acabou se tornando o rosto de um processo desgastado de gestão do futebol tricolor, em um momento em que a diretoria já vinha sendo questionada desde o fim da última temporada. E o cenário ganha ainda mais tensão por se tratar de um ano eleitoral no clube.
- A contratação do Roger não foi a minha contratação. Eu nunca fiz isso nos anos todos que estou aqui. Desde a decisão de troca até a escolha do Roger, foi uma decisão que contou com várias reflexões, com muita conversa, com o presidente, com o Rafinha. Então não é uma decisão minha, é uma decisão do departamento de futebol apoiada pelo presidente, como sempre fizemos enquanto eu estive aqui, e o Rafinha, agora se somando ao departamento. Então não é esse caráter personalíssimo que muito se falou, e eu já dei até uma entrevista falando sobre isso - explicou o diretor, após o anúncio.
Ainda assim, internamente, a leitura há semanas era cogitada: uma eventual queda de Roger inevitavelmente aumentaria a pressão sobre Rui. Agora, seu futuro fica questionado. A pressão política, às vezes, fala até mais alto que o futebol.

E o futuro do São Paulo?
Nos últimos dias, um áudio vazado de Harry Massis trouxe ainda mais assunto para o debate. Nele, havia a indicação de que Dorival Júnior, nome que sempre foi preferido de grande parte da torcida por conta da passagem marcante em 2023, teria um custo considerado muito alto, algo descoberto em um monitoramento de mercado com Osmar Stabile, presidente do Corinthians.
Agora, é esperar os próximos passos. Uma negociação com Dorival? Ou arriscar que mais um treinador siga os passos de Roger, que ficou no comando por exatos dois meses e um dia.

E uma análise de campo e bola...
Os números escancaram a superioridade do Juventude sobre o São Paulo na classificação. De acordo com dados do Sofascore, a equipe gaúcha finalizou 24 vezes contra apenas quatro do Tricolor, além de liderar em chutes no gol (8 a 2) e finalizações de dentro da área (13 a 2). O volume ofensivo também aparece nas 12 tentativas próximas ao gol, contra nenhuma do São Paulo, retratando a pressão exercida durante grande parte da partida.
Mas falando além de Roger Machado, também vale fazer uma análise do desempenho do São Paulo no geral. Foi um São Paulo prejudicado por episódios pontuais, mas que também sofreu muito com a pressão do Juventude desde os minutos iniciais. A equipe gaúcha pressionava alto, encontrava muitos espaços, principalmente pelas laterais, que foram um dos grandes problemas da partida, e conseguia criar com frequência diante de um sistema defensivo desorganizado.
O meio de campo também sentiu bastante. A ausência de nomes como Marcos Antônio, ainda lesionado, pesou na falta de controle das ações do jogo. O São Paulo não conseguia sustentar a posse, não conseguia desacelerar o ritmo do Juventude e, defensivamente, parecia sempre exposto.

E claro que a expulsão mudou completamente o cenário. Luciano, que acabou tendo sua lesão até ofuscada pela crise envolvendo Roger Machado e pelo ambiente político no clube, sentiu a posterior da coxa e precisou deixar o gramado, dando lugar a Ferreirinha antes do previsto. O problema é que, Ferreirinha acabou expulso com 30 segundos de jogo, deixando o São Paulo com um jogador a menos antes mesmo do fim do primeiro tempo.
No segundo tempo, tentando reorganizar a equipe de forma mais defensiva, o São Paulo até apresentou alguma melhora competitiva, conseguiu baixar um pouco os espaços e resistir em determinados momentos, mas ainda sem conseguir controlar as ações da partida. O Juventude seguiu pressionando e encontrou o gol da classificação já nos acréscimos, justamente em uma jogada de bola aérea, uma das maiores fragilidades.
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