Fernando Diniz

Fernando Diniz ficou muito irritado no segundo tempo do São Paulo - FOTO: Rubens Chiri/saopaulofc.net

Fellipe Lucena
02/03/2020
07:10
São Paulo (SP)

Os jogadores do São Paulo ouviram uma bronca forte de Fernando Diniz no vestiário do Morumbi após a partida contra a Ponte, neste domingo. A equipe ganhou por 2 a 1, mas o técnico ficou muito irritado com o que chamou de "relaxamento injustificável" no segundo tempo, após a expulsão de Yuri logo aos sete minutos.

Quem presenciou a reunião entre treinador e atletas diz que as palavras foram duras, mas que os jogadores aprovaram a atitude e concordaram com as críticas. Foi mais ou menos o que disse Igor Gomes na zona mista:

- Ele cobrou a gente. Mesmo a gente ganhando, ele falou assim: "é inadmissível que a gente ganhe tomando essa pressão". A gente estava com um a mais, mandou no jogo e perdeu algumas oportunidades. Eu sempre gosto de ver as coisas pelo lado bom, e o lado bom é a gente ver o espírito que o professor está passando. E está refletindo dentro do grupo. Mesmo a gente ganhando, ele está lá querendo cada vez mais que a gente desempenhe o melhor futebol. Isso é muito importante para que a gente desenvolva cada vez mais.

- O professor já deu uma bronca e tenho certeza que vai dar mais, tanto segunda quanto terça. Ele dá bronca, mas ele quer acertar para a gente não dar brecha para o adversário - emendou Reinaldo.

Fernando Diniz, que demorou um pouco mais do que o comum para aparecer na sala de imprensa e conceder sua entrevista coletiva, fez críticas à postura da equipe antes mesmo de ser questionado sobre isso:

- Os jogadores sabem que a gente não pode, em um jogo como esse, terminar de certa forma ansioso para que o juiz faça o apito final. É injustificável o que aconteceu, não pode acontecer isso. A gente tinha que ter aproveitado melhor as chances e não podia tomar gol com um a mais. A Ponte mandou só uma bola no gol. A gente teve um relaxamento que não podia ter, porque o torcedor não relaxou, continuou jogando com o time. No fim fica aquela apreensão em todo mundo, porque a gente procurou isso. O torcedor do São Paulo tinha que ter saído daqui fazendo festa, com um placar elástico, porque a gente produziu para fazer. Ou, no mínimo, com 2 a 0 sem sair agoniado. Essas oscilações a gente não pode ter. Não é que não pode ter na Libertadores, não pode ter em hora nenhuma. A gente treina para não ter, pede para não ter, mas tem hora que acontece.

Questionado sobre o efeito da troca de Pablo por Hernanes na queda de rendimento da equipe, Diniz disse que não teve "absolutamente nada a ver".

- O time já estava apagando com o Pablo em campo, não foi por conta da entrada do Hernanes. Foi um relaxamento. A gente estava muito soberano no jogo, com um a mais, e em vez de acelerar para fazer o terceiro, o quarto e o quinto gol a gente abriu a possibilidade de a Ponte fazer o primeiro. O que aconteceu foi um relaxamento e não tem nada de natural nisso, aqui não pode ser natural relaxar. O natural tem que ser acelerar quando o jogo te apresenta algum tipo de facilidade, que no caso foi jogar com um a mais. Quando a gente jogou com um a mais, em vez de a gente acelerar, desacelerou. Nosso time, quando fizer isso, vai acabar se prejudicando. A gente tinha que ficar mais concentrado, aumentar o nível do nosso jogo e fazer o terceiro, o quarto gol.

O São Paulo treina no CT da Barra Funda até quarta-feira, quando viaja para Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, onde fica até horas antes da partida contra o Bionacional (PER), em Juliaca, pela primeira rodada da fase de grupos da Libertadores. É uma estratégia do clube para minimizar os efeitos da altitude de 3.800 metros da cidade peruana.