De terno e atento: Crespo estreia no São Paulo, e Flamengo apresenta o tamanho do desafio
Tricolor foi derrotado por 2 a 0 pelo Flamengo

Hernán Crespo deixou o comando do São Paulo em 13 de outubro de 2021, em uma despedida marcada por emoção e contrastes. Em um ano pandêmico e sem o apoio da torcida, o argentino encerrou um jejum de quase oito anos com a conquista do Campeonato Paulista, justamente contra o rival Palmeiras. Ainda assim, deixou um Tricolor que brigava na parte de baixo da tabela do Brasileirão, e eliminado tanto na Copa do Brasil quanto na Libertadores.
A saída aconteceu após um empate sem gols diante do Cuiabá, em uma equipe que, hoje, parece distante da memória do torcedor são-paulino. Naquela ocasião, o time foi escalado com Tiago Volpi; Igor Gomes, Miranda, Léo, Welington; Luan, Gabriel Sara, Nestor; Luciano, Rigoni e Calleri. No elenco atual, somente dois nomes: Luciano, Luan e Calleri - e os dois atacantes fora desta reestreia.
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Neste sábado, 12 de julho de 2025, quase quatro anos depois, Crespo retorna à beira do gramado. De terno novamente, estreia em um duelo contra o Flamengo, no Maracanã, marcado por uma derrota por 2 a 0.
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Agora, Crespo assume um São Paulo vivo na Libertadores e na Copa do Brasil, mas que viveu entre erros e tropeços Campeonato Brasileiro até aqui. A escalação surpreendeu. O argentino optou por uma formação com três zagueiros e três volantes, ainda sem Lucas Moura, mas com um foco claro: neutralizar o Rubro-Negro. Em campo, tinha: Rafael; Arboleda, Alan Franco e Sabino; Cédric, Pablo Maia, Marcos Antônio, Alisson, Oscar e Enzo Diaz; André Silva.

O primeiro jogo de Crespo
Os primeiros minutos do São Paulo sob o comando de Hernán Crespo ficaram distantes das expectativas da torcida. Em campo, um Tricolor apático, com pouca intensidade, sem velocidade e com dificuldades para avançar além do meio de campo. À beira do gramado, Crespo, com uma postura refinada distinta daquela que Zubeldía apresentava, acompanhava os lances com atenção, mas em silêncio.
Com uma garrafa de água nas mãos, Hernán Crespo observava, durante o primeiro tempo, a falta de domínio e ofensividade do São Paulo. De um lado para o outro, calado e com algumas palmas quando o time parecia avançar. Naquele momento, a estratégia de conter o Flamengo, vista na formação mais conservadora, não surtia efeito. Com excesso de volantes em campo, a equipe pecava principalmente na velocidade, e a lentidão se destacava como um dos principais problemas.
Na volta do intervalo, Crespo manteve a estratégia. O São Paulo retornou ao gramado com três minutos de atraso, mas sem alterações. À beira do campo, o técnico argentino seguia com a mesma postura serena, atento a cada detalhe.
Acompanhou de perto o choque forte entre Enzo Díaz e Ayrton Lucas, que resultou na saída do jogador do Flamengo de maca, lamentou a chance clara desperdiçada por Cédric, mas manteve a compostura. Enquanto observava o jogo se desenrolar, analisava com cuidado quais mudanças faria dali em diante.
Na famosa "lei do ex", que raramente falha, Luiz Araújo abriu o placar aos 16 minutos do segundo tempo. Crespo, que até então havia optado por manter sua proposta inicial, reagiu imediatamente. Na sequência do gol, mudou tudo: tirou Marcos Antonio e mandou Ferreirinha a campo, entendendo que a estratégia de segurar o empate não teria mais espaço. Pelo menos, o argentino reagiu com agilidade, sempre de terno, sempre elegante, mesmo com os nervsos a flor da pele.
Nos minutos finais, Crespo compreendia a árdua missão que teria pela frente. O São Paulo ocupava a 15ª posição na tabela, com apenas 12 pontos somados e apenas duas vitórias em 13 rodadas.
À beira do campo, Crespo seguia atento a cada lance. Mas, aos poucos, a serenidade foi dando lugar à inquietação. Mais nervoso, deixava transparecer nas expressões faciais e nos gestos. Reclamava de faltas não marcadas, pedia cartões, se agitava à margem do gramado,a elegância seguia, mas percebia o problema que teria. Era o fim do sossego?
E quase no apagar das luzes, veio o golpe final: Wallace Yan marcou o segundo gol e matou o jogo. No apito final, Crespo permaneceu imóvel, olhando para o campo. Mas a cabeça, cheia de pensamentos, já sabia o que o esperava: sabia que a pedreira seria grande.

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